Mostrar mensagens com a etiqueta Agricultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Agricultura. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, outubro 26, 2020

Brasil e Timor

Brasil disponível para apoio a Timor-Leste no setor agrícola, especialmente agropecuária
Díli, 26 out 2020 (Lusa) – O Brasil está disponível para cooperar com Timor-Leste no setor agrícola, com destaque para a agropecuária, mas também para o desenvolvimento de cadeias produtivas de frutas tropicais, disse à Lusa o embaixador brasileiro.
Aldemo Garcia disse que tanto a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se mostrarem disponíveis para cooperar com o Governo timorense.
Segundo explicou, o ministro da Agricultura e Pescas timorense, Pedro dos Reis, manifestou recentemente vontade de reativar a cooperação técnica agrícola brasileira.
“O Ministro identificou como área fundamental de possível cooperação, num primeiro momento, o reforço do programa de produção de animais neste país, em parceria com o Centro de Produção Animal localizado em Dotik, no município de Manufahi”, explicou.
“Além disso, o ministro tem interesse de, futuramente, cooperar na pesquisa e desenvolvimento de cadeias produtivas de frutas tropicais como o caju e a mandioca, em processos biológicos no solo (por exemplo a fixação biológica de nitrogénio), na agroecologia e na aquicultura”, disse.
O diplomata, que está prestes a terminar a sua missão em Timor-Leste, saúda o potencial de cooperação nesta área de “grande relevância” para o país.
Garcia recordou que o Brasil era, nos anos 70 do século passado, um grande importador de alimentos – como ocorre atualmente com Timor-Leste, mas que o país foi alvo de uma “verdadeira revolução nos campos brasileiros, transformando-se num dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas”.
Agora, disse, o Brasil pode ajudar Timor-Leste a responder ao grande desafio de “tornar a agricultura timorense autossuficiente e sustentável”. Ainda que a maior parte da população timorense trabalhe no setor agrícola, a quase totalidade são agricultores de subsistência, com a capacidade produtiva do país a ser ainda insuficiente, o que obriga à importação de produtos alimentares de vários tipos.
A fraca produção agrícola é um dos problemas que contribui para os ainda elevados índices de subnutrição no país.
Desde a restauração da independência, explicou Garcia, o Brasil desenvolveu já mais de uma centena de projetos em várias áreas.
Um programa de cooperação técnica no setor do café, entre 2003 e 2006, foi, porém, o único que atuou no setor agrícola.
ASP//MIM
Lusa/Fim

 

sexta-feira, janeiro 18, 2013

O meu Monte Alentejano



Muito aproximado do que eu há muito tempo venho imaginando.
Um dos meus grandes sonhos (sonhos não se esgotam e sonhamos a vida toda) é passar o final da minha vida num monte alentejano que eu venha a adquirir no grande leque dos abandonados e improdutivos. Ali eu tentaria implantar algo que muito se assemelha ao que vimos no vídeo acima, além de voltar a viver a essência do Alentejo profundo. Possìvelmente a idade não me permitiria usufruir dos frutos dessa azáfama, mas sentir-me-ía feliz com essa terapia da modificação e implementação do sistema. Acredito que os netos tocaríam a tarefa em frente, pois eles serão os mais afectados pela crise energética e alimentar.
Compartilho aqui este vídeo, "A farm for the future" com a pesquisa e ideias de Rebecca Hosking, por achar ser de suprema importância. Não que o meu blog tenha uma enorme exposição, mas é sempre bom lembrar que tamanho não é documento...

terça-feira, maio 12, 2009

Alentejanices em 1934

Ao Excelentíssimo Senhor Ministro da Agricultura
Exposição
Porque julgãmos digna de registo a nossa exposição, Senhor Ministro, erguêmos até vós, humildemente, uma toada uníssona e plangente em que evitámos o menór deslise e em que dãmos razão da nossa crise.
Senhor! Em vão, esta província inteira, desmoita, lavra, atalha a sementeira, suando até á fralda da camisa.
Falta a matéria orgãnica precisa na terra, que é delgada e sempre fraca. _ A matéria em questão, chama-se cáca.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Se os membros desse ilustre Ministério querem tomar o nosso caso a sério, se é nobre o sentimento que os anima, mandem-nos cagar toda a gente em cima dos maninhos torrões de cada herdade. E mijem-nos, também , por caridade!
O senhor Oliveira Salazar quando tiver vontade de cagar venha até nós!...
Solícito, calado, busque um terreno que estiver lavrado e,... como Presidente do Conselho, queira espremêr-se até ficar vermelho!
A Nação confiou-lhe os seus destinos?... Então, comprima, aperte os intestinos; se lhe escapar um traque, não se importe,... quem sabe se o cheirá-lo nos dá sorte? Quantos porão as suas esperanças num traque do Ministro das Finanças?... E quem vivêr aflicto, sem recursos, já não ditingue os traques dos discursos.
Não precisa falar! Tenha a certeza que a nossa maior fonte de riqueza, desde as grandes herdades às courelas, provém da merda que juntármos nelas.
Precisamos de merda, senhor Soisa!
E nunca precisámos de outra coisa.
...Adubos de potassa?... Cal?!... Azote!?!... Tragam-nos merda pura do bispote! E todos os penicos portuguêses durante, pelo menos, uns seis mêses, sobre o montado, sobre a terra campa, continuamente nos despejem trampa!
Terras alentejanas, terras núas, desespêro de arados e charrúas, quem as compra ou arrenda ou quem as herda, sente a paixão nostálgica da merda...
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
........................................................................................................................................................................
Ah!... Merda grossa e fina! Merda bôa das inúteis retretes de Lisbôa!... Como é triste saber que todos vós andais cagando sem pensar em nós!
Se querem fomentar a agricultura, mandem vir muita gente com soltura. Nós daremos o trigo em larga escala, pois até nos faz conta a merda rala.
Venham todas as merdas, à vontade, não faremos questão da qualidade. Fórmas normais ou fórmas exquisitas! E, desde o cagalhão às caganitas, desde a pequena pôia à grande bósta, de tudo o que vier, a gente gosta.
Precisamos de merda, senhor Soisa! E nunca precisámos de outra coisa.
Évora, 13 de Fevereiro de 1934
Pela Junta Corporativa dos Sindicatos Reunidos do Norte, Centro e Sul do Alentejo
O Presidente
Dom Tancredo (o Lavrador)