Dia de jogo Hungria x Portugal para a Eurocopa. Uma cidadã de Timor-Leste faz uma reza local a favor de Portugal. Acolonização portuguesa no Mundo deixa portugalidade e amizades.
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quarta-feira, junho 16, 2021
segunda-feira, abril 05, 2021
quarta-feira, novembro 11, 2020
Timor-Leste --- Segredos
Santa Cruz foi há 24 anos. Há uns nomes mais conhecidos que outros. Hoje a Agência Lusa conta duas histórias de dois dos nomes menos conhecidos.
O primeiro é Saskia Kouwenberg.
Timor-Leste: Imagens do massacre de Santa Cruz sairam escondidas dentro de roupa interior
*** Por António Sampaio, da agência Lusa ***
Díli, 11 nov (Lusa) - Dois dias depois do massacre de Santa Cruz, a 14 de novembro de 1991, Saskia Kouwenberg coseu duas cuecas uma à outra, arranhou o interior do nariz até chorar e deixou cair sangue no tecido, que escondia um documento vital.
A ‘bolsa’ improvisada pela holandesa, manchada de sangue, tinha no seu interior a cassete com as imagens do massacre no cemitério de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste.
Foi uma medida preventiva. Saskia Kouwenberg, que aceitou pela primeira vez contar a história, explicou à Lusa que o conteúdo da cassete que transportou de Díli tinha que chegar às televisões de todo o mundo.
Pensando que a sua bagagem poderia ser revistada - e contando com os eventuais preconceitos muçulmanos caso isso acontecesse -, Kouwenberg, que conversou com a Lusa pela rede social Skype, a partir de Amesterdão, queria garantir que as imagens não seriam descobertas.
“Pedi a um jornalista que me arranjasse agulha e linha. Eu uso sempre cuecas enormes. Confortáveis mas enormes. Arranhei tanto o nariz que até chorei. E enchi as cuecas de sangue, e depois cozi duas e meti a cassete lá dentro e fui para o aeroporto”, recordou.
Envolvida no movimento pacifista da década de 1980 teve o primeiro contacto com os timorenses em Darwin, norte da Austrália, para onde se mudou com o marido no início dos anos 1990.
A proposta visita de uma delegação parlamentar portuguesa a Díli, em outubro de 1991 fez aumentar o interesse à volta da situação em Timor. Como a visita coincidia com uma viagem que Saskia e o seu marido na altura, Russell, deveriam fazer à Europa, decidiram incluir uma passagem por Díli.
“Na altura disseram que ia ser muito difícil entrar, que não íamos conseguir. Mas conseguimos entrar. Só que a visita da delegação acabou por ser cancelada e tudo entrou em colapso”, recorda.
O Governo indonésio rejeitou a inclusão na delegação - de que fariam parte 12 jornalistas - da jornalista australiana Jill Jolliffe, considerada próxima da resistência, e Portugal recusou manter a visita se esta fosse excluída.
“Isso gerou pânico em Timor. Muitas pessoas e muitos jovens tinham-se preparado para visita e queriam, a todo o custo, falar com eles”, recorda Saskia, uma dos sete ou oito estrangeiros que estavam em Díli na altura.
A tensão aumentou e a 28 de outubro tropas indonésias e elementos pró-integracionistas atacaram um grupo de jovens que estava na Igreja de Motael a preparar manifestações para receber a delegação parlamentar, de que resultou a morte do jovem pró-independentista Sebastião Gomes e do pró-integracionista Afonso Henriques.
A 12 de novembro realiza-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes e milhares de pessoas dirigem-se de Motael até ao cemitério de Santa Cruz.
Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias respondem com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.
Um ativista neozelandês, Kamal Bamadhaj, foi morto, dois jornalistas foram espancados, os americanos Amy Goodman e Allan Nairn, e as imagens foram registadas pelo jornalista inglês Max Stahl.
Nesse dia Saskia estava como uma grande dor nas costas, que praticamente não a deixava movimentar-se. Gravou algumas imagens, ainda na igreja, e regressou ao Hotel Díli, onde estava hospedada.
“Quando saí de novo vi que a cidade estava praticamente deserta e comecei a perguntar o que tinha acontecido. Estavam pessoas escondidas em vários locais que disseram que tinha acontecido algo muito mau”, contou.
“Nessa noite falei com o Max que disse que tinha escondido o filme no cemitério. Ele foi lá busca-lo e, depois a questão era quem tirava o filme de Timor. Eu ofereci-me porque não tinha sido vista em Santa Cruz”, explica.
Primeiro tentou com o Relator Especial da ONU para Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans, que estava em Díli a quem pediu se podia levar a cassete.
“Ele disse que não. Estava borrado de medo. Falei também com a Embaixada holandesa. Ninguém acreditava que isto tinha acontecido”, disse.
Retirar a cassete com as imagens de Timor-Leste, recorda, foi uma espécie de “filme B” que começa no aeroporto onde chega, no dia seguinte, com o seu marido e o americano Steve Cox, e é informada de que o voo estava cheio.
“Eu corri para o avião a dizer que tinha que sair. Os militares tentaram tirar-me das escadas. Estava aos gritos. E enquanto isto estava a decorrer o Kooijmans passou por mim e fez que não me conhecia”, disse.
“Depois de muitos gritos e discussão deixaram-me entrar com o Steve Cox e o Russell. E quando chegámos vimos que havia mais lugares vazios. Foi uma situação muito tensa”, disse.
Os seus companheiros de viagem saíram em Kupang, Timor indonésio, e Saskia continuou até Bali onde se misturou com turistas enquanto esperava ligação para Jakarta.
Ali, depois de uma conversa de uma hora entre o embaixador e as autoridades indonésias, acabou por passar pela zona VIP, sendo levada para um quarto na missão diplomática de onde não pode sair.
“Eles insistiam que eu entregasse tudo o que tinha comigo. Diziam-me que eu não ia conseguir sair com o filme. Pensei e dei-lhes um pacote que disse que só podiam entregar ao charge d’affairs - que eu sabia que estava fora. Eles pensaram que era a cassete mas era só uma cópia do livro Exodus”, conta, sorrindo.
Coze as cuecas e prepara-se para nova viagem para o aeroporto antes do voo para Amesterdão. Apesar do medo e de mais negociações com as autoridades indonésias é levada de carro à porta do avião e embarca, sem que a sua mala seja sequer revistada.
“Passam quatro dias entre sair de Díli e estar em segurança. Na Holanda tive que dar o filme aos donos que tinha contratado Max Stahl. Eu queria que o filme fosse transmitido nessa mesma noite porque ainda havia a controvérsia porque a Indonésia negava que tinha havido um massacre em Timor”, disse.
“Eles insistiam que as imagens eram para usar num documentário. E eu recusei-me a entregar a cassete. Pedi primeiro à televisão holandesa que fizesse uma cópia. E essas foram as imagens transmitidas na noite de sábado 16, cinco dias depois do massacre”, recorda.
Um momento crucial para Timor-Leste, quer pelo reconhecimento internacional que o problema assumiu mas, destaca, pelo impacto que as imagens tiveram em Portugal.
“Até Santa Cruz havia tanta negação na comunidade internacional sobre o que estava a acontecer. E aqui tínhamos um exemplo em que os indonésios diziam que nada tinha acontecido, e as imagens mostraram o contrário, que algo grande tinha ocorrido”, disse.
“Essas imagens fizeram uma grande diferença especialmente em Portugal. Porque as pessoas na capela e no cemitério estavam a rezar em português. E em poucos dias todas as casas em Portugal acenderiam velas por timor, comprometendo-se a não abandonar Timor de novo”, afirmou.
ASP // EL
Lusa/Fim
domingo, novembro 08, 2020
segunda-feira, outubro 26, 2020
Brasil e Timor
Brasil disponível para apoio a Timor-Leste no setor agrícola, especialmente agropecuária
Díli, 26 out 2020 (Lusa) – O Brasil está disponível para cooperar com Timor-Leste no setor agrícola, com destaque para a agropecuária, mas também para o desenvolvimento de cadeias produtivas de frutas tropicais, disse à Lusa o embaixador brasileiro.
Aldemo Garcia disse que tanto a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) se mostrarem disponíveis para cooperar com o Governo timorense.
Segundo explicou, o ministro da Agricultura e Pescas timorense, Pedro dos Reis, manifestou recentemente vontade de reativar a cooperação técnica agrícola brasileira.
“O Ministro identificou como área fundamental de possível cooperação, num primeiro momento, o reforço do programa de produção de animais neste país, em parceria com o Centro de Produção Animal localizado em Dotik, no município de Manufahi”, explicou.
“Além disso, o ministro tem interesse de, futuramente, cooperar na pesquisa e desenvolvimento de cadeias produtivas de frutas tropicais como o caju e a mandioca, em processos biológicos no solo (por exemplo a fixação biológica de nitrogénio), na agroecologia e na aquicultura”, disse.
O diplomata, que está prestes a terminar a sua missão em Timor-Leste, saúda o potencial de cooperação nesta área de “grande relevância” para o país.
Garcia recordou que o Brasil era, nos anos 70 do século passado, um grande importador de alimentos – como ocorre atualmente com Timor-Leste, mas que o país foi alvo de uma “verdadeira revolução nos campos brasileiros, transformando-se num dos maiores exportadores mundiais de produtos agrícolas”.
Agora, disse, o Brasil pode ajudar Timor-Leste a responder ao grande desafio de “tornar a agricultura timorense autossuficiente e sustentável”. Ainda que a maior parte da população timorense trabalhe no setor agrícola, a quase totalidade são agricultores de subsistência, com a capacidade produtiva do país a ser ainda insuficiente, o que obriga à importação de produtos alimentares de vários tipos.
A fraca produção agrícola é um dos problemas que contribui para os ainda elevados índices de subnutrição no país.
Desde a restauração da independência, explicou Garcia, o Brasil desenvolveu já mais de uma centena de projetos em várias áreas.
Um programa de cooperação técnica no setor do café, entre 2003 e 2006, foi, porém, o único que atuou no setor agrícola.
ASP//MIM
Lusa/Fim
domingo, dezembro 01, 2019
Energia Solar em Timor-Leste

Nas áreas rurais fora da rede de Timor-Leste, a energia solar é frequentemente a única opção elétrica para facilitar a prestação de serviços essenciais. A eletricidade fornece luz para estudar para exames ou para entregar um bebê à noite, energia para recarregar telefones e operar computadores e impressoras, e energia para manter registros e imprimir materiais educacionais.
Durante 16 anos, a editora Renew , do Santuário , sem fins lucrativos, trabalhou com comunidades em Timor-Leste para fornecer iluminação e eletricidade limpas e renováveis a pessoas que vivem em remotas aldeias rurais. Ajudamos a instalar iluminação e energia solar em mais de 2100 residências e mais de 100 centros comunitários, orfanatos, escolas e hospitais. Também ajudamos a treinar mais de 180 técnicos de energia solar baseados em aldeias, que podem usar suas habilidades para agregar valor a suas famílias e comunidades. Todo esse trabalho é alimentado por doações e subsídios.
Uma breve história de iluminação de Timor-Leste
Um grupo de apaixonados membros da Renew iniciou o programa no início dos anos 2000, logo após a independência de Timor-Leste, para oferecer o que pudesse para ajudar o país a se recuperar. Essa equipe estava muito focada na construção de habilidades locais através da experiência prática na instalação de sistemas solares e trabalhando com institutos de treinamento locais para desenvolver um currículo de treinamento fotovoltaico solar. Em 2014, o trabalho de Renew recebeu um incentivo com o financiamento do Desafio de Impacto do Google, que nos permitiu melhorar o sistema fotovoltaico solar para as famílias, implantá-lo em mais de 600 casas em três distritos e realizar um treinamento adicional de técnicos das aldeias.
Em 2017–2019, a Renew e seus parceiros locais alcançaram mais 265 casas rurais e treinaram 15 novos técnicos locais em energia solar. Uma doação da Fundação Andrew McNaughtan nos permitiu trabalhar na melhoria da educação da comunidade, desenvolvendo guias baseados em imagens sobre energia solar.

Até o momento, estimamos que nosso trabalho de instalação de sistemas fotovoltaicos solares domésticos tenha fornecido serviços modernos de energia a mais de 10.700 pessoas, permitindo que 550 pessoas realizem atividades econômicas adicionais, resultando em mais de US $ 1,1 milhão de renda, economizando cada família mais de US $ 900 em gastos com querosene e deslocados 4.250 toneladas de emissões de gases de efeito estufa.
Pay-Go: ajudando as famílias a possuir seus sistemas solares
No ano passado, a Renew começou a testar um novo modelo conhecido como Pay-as-you-go (ou PayGo). Sob esse modelo, as famílias podem pagar seus sistemas fotovoltaicos solares ao longo do tempo. Funciona como o carregamento de um telefone celular pré-pago: todo mês, um voucher é comprado por US $ 5, fornecendo um mês de eletricidade. Após 24 meses, se as famílias estiverem atualizadas em seus pagamentos, o sistema será desbloqueado e as famílias serão donas dos seus sistemas. A Renew está trabalhando com uma empresa social local para implementar esse modelo e fornecer manutenção e suporte contínuos. A receita gerada pelos reembolsos é usada pela empresa para pagar salários e construir um fundo rotativo para 'iluminar' outras famílias.

Sistemas maiores em edifícios comunitários
A Renew continua a instalar, reparar e manter sistemas maiores em edifícios da comunidade. Este ano, estamos trabalhando em 12 locais diferentes na ilha de Atauro e em Baguia, com financiamento de duas fundações privadas. Um componente-chave deste trabalho é melhorar as habilidades dos locais para manter e reparar esses sistemas mais complexos. O nosso parceiro timorense de formação, o Centro Nacional de Emprego e Formação Profissional (CNEFP-Tibar), está actualmente a realizar um curso de certificação em energia fotovoltaica com estagiários de Atauro e Baucau.

Dom da Luz
Ao longo dos anos, a Renew conseguiu realizar grande parte desse trabalho, graças às nossas campanhas Gift of Light . Esses fundos nos permitem alavancar suporte adicional de fundações e empresas. Todos os anos, nos feriados, solicitamos doações dedutíveis ao nosso projeto que podem ser usadas como presente para um amigo ou membro da família. Estes dons vão para a melhoria da qualidade de vida de milhares de pessoas que vivem em Timor-Leste.
Ainda há muito trabalho a ser feito. No ano passado, a Renew auditou todos os sistemas solares que ajudamos a instalar desde 2003. A auditoria identificou 40 sistemas que se beneficiariam do suporte contínuo; encontrar patrocinadores para essa manutenção contínua é um dos nossos principais objetivos para 2020. Também estamos procurando fazer um treinamento mais intensivo de técnicos em sistemas maiores, algo que é parte integrante da sustentabilidade de longo prazo de nossos projetos. Suas contribuições para a campanha Gift of Light e um novo programa de doação mensal a ser lançado no próximo ano nos ajudarão a alcançar esses objetivos.
segunda-feira, agosto 27, 2018
segunda-feira, julho 23, 2018
quinta-feira, junho 09, 2016
Várzeas de Timor-Leste
A imagem de Timor-Leste, mostra uma das várias várzeas de plantação de arroz, inoperante, abandonada.
Como o arroz é produto básico na alimentação dos timorenses e uma grande maioria tem a sua produção familiar, fica a apreensão quanto ao motivo deste abandono.
Diz o meu amigo António Serra, autor das fotos, que uma pessoa de Vemasse, que é proprietária de várzeas na região, lhe confidenciou que na região de Laleia e de Vemasse não puderam cultivar poque o faziam com água captada na ribeira de Laleia. Como está a li a ser construído um canal de rega oferecido pelo Japão, não puderam captar a água na ribeira e daí não terem plantado arroz. Fica por compreender a situação em Manatuto. E por compreender como vão ser compensadas as pessoas que não vão ter arroz próprio para se alimentarem ao longo do próximo ano. Espera-se que o governo tenha uma solução na manga..
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Como o arroz é produto básico na alimentação dos timorenses e uma grande maioria tem a sua produção familiar, fica a apreensão quanto ao motivo deste abandono.Diz o meu amigo António Serra, autor das fotos, que uma pessoa de Vemasse, que é proprietária de várzeas na região, lhe confidenciou que na região de Laleia e de Vemasse não puderam cultivar poque o faziam com água captada na ribeira de Laleia. Como está a li a ser construído um canal de rega oferecido pelo Japão, não puderam captar a água na ribeira e daí não terem plantado arroz. Fica por compreender a situação em Manatuto. E por compreender como vão ser compensadas as pessoas que não vão ter arroz próprio para se alimentarem ao longo do próximo ano. Espera-se que o governo tenha uma solução na manga..
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quarta-feira, dezembro 05, 2012
Língua Portuguesa em Timor-Leste
Língua portuguesa se consolida em Timor-Leste graças à educação
por Eulália Moreno, Quarta, 5 de dezembro de 2012 às 14:08 ·
A
língua portuguesa recupera pouco a pouco sua força no Timor-Leste
graças a um plano de implementação na educação primária e no ensino
médio, e que a partir de 2013 alcançará também a formação universitária
nesta ex-colônia de Portugal na Ásia.
Mari Alkatiri, que foi o primeiro líder do Executivo da recente história do Timor-Leste, declarou à Agência Efe que a implementação do português na educação se deve ao fato de o tétum - a outra língua oficial do país - ainda não estar suficientemente desenvolvido, de um ponto de vista acadêmico e científico.
Alkatiri, primeiro-ministro timorense entre 2002 e 2006, explica que outra das razões pelas quais o Governo decidiu que o idioma veicular da educação seja a língua portuguesa é que apresenta "uma identidade que diferença o Timor-Leste dentro da região Ásia-Pacífico".
Timor-Leste, o país asiático mais jovem e que conta com pouco mais de um milhão de habitantes, escreveu em sua Constituição, aprovada em 2002, que tanto o português como o tétum são as duas línguas oficiais do país e relegou o indonésio a idioma de trabalho.
Após mais de quatro séculos de colonização portuguesa, o Exército indonésio aproveitou a proclamação da independência do Timor-Leste de Portugal em 1975 e ocupou a pequena nação durante os 24 anos seguintes.
Durante o período de ocupação indonésia, o idioma português foi proibido e perseguido ao constituir-se como a língua da resistência timorense, confinada nas montanhas da ilha.
Uma vez recuperada a soberania, em maio de 2002, o português voltou às ruas e instituições políticas como o Parlamento e as cortes de Justiça, enquanto ainda se consolida no sistema educacional.
Nas ruas do Timor as saudações e os agradecimentos em português são parte da vida cotidiana, mas são o indonésio e o tétum os que predominam nos ambientes de trabalho e são mais frequentes nos principais meios de comunicação.
Alkatiri reivindica a necessidade de insistir na língua portuguesa, e não no indonésio ou no inglês, para evitar que o Timor se transforme em um país "satélite" da Indonésia ou da Austrália, as duas potências mais próximas geograficamente.
Longe desse sentimento de identidade, Luis Nivio, um professor timorense de 26 anos, reconheceu à Efe que a aplicação da nova língua é mais difícil na prática: as crianças quando chegam à escola frequentemente não entendem português e, portanto, aprender algumas disciplinas lhes parece mais complicado.
"O pior é que muitos professores também não falam português, ou quase não o conhecem, e por isso optam por ensinar em tétum ou misturar os dois idiomas durante as aulas", confessou o professor.
Nivio, que aprendeu português em Aveiro graças a um acordo em matéria de educação com o Governo de Portugal, admite que a falta de desenvolvimento gramatical do tétum complica muito a formação acadêmica nesta língua.
Brasil e Portugal fecharam um acordo com o Timor-Leste para a expansão do português no país asiático mediante a colaboração de suas universidades para formar professores e criar material escolar.
Segundo os dados do Governo do Timor-Leste, em 2010 cerca de 90% dos cidadãos do país utilizava o tétum em sua vida diária, 35% dominava o indonésio e 23% falava, lia e escrevia em português.
No entanto, este último é o idioma que registra maior crescimento nos últimos anos.
O futuro da língua de Camões no Timor-Leste parece promissor; José Ramos-Horta, ex-presidente do país e prêmio Nobel da Paz, deixou isso claro em um recente artigo no jornal indonésio "The Jakarta Post".
"Em dez anos, pelo menos metade dos timorenses falarão português; nossa própria versão, tão viva e musical como a do Rio (de Janeiro) ou de Luanda", previu o político.
Agência EFE

Mari Alkatiri, que foi o primeiro líder do Executivo da recente história do Timor-Leste, declarou à Agência Efe que a implementação do português na educação se deve ao fato de o tétum - a outra língua oficial do país - ainda não estar suficientemente desenvolvido, de um ponto de vista acadêmico e científico.
Alkatiri, primeiro-ministro timorense entre 2002 e 2006, explica que outra das razões pelas quais o Governo decidiu que o idioma veicular da educação seja a língua portuguesa é que apresenta "uma identidade que diferença o Timor-Leste dentro da região Ásia-Pacífico".
Timor-Leste, o país asiático mais jovem e que conta com pouco mais de um milhão de habitantes, escreveu em sua Constituição, aprovada em 2002, que tanto o português como o tétum são as duas línguas oficiais do país e relegou o indonésio a idioma de trabalho.
Após mais de quatro séculos de colonização portuguesa, o Exército indonésio aproveitou a proclamação da independência do Timor-Leste de Portugal em 1975 e ocupou a pequena nação durante os 24 anos seguintes.
Durante o período de ocupação indonésia, o idioma português foi proibido e perseguido ao constituir-se como a língua da resistência timorense, confinada nas montanhas da ilha.
Uma vez recuperada a soberania, em maio de 2002, o português voltou às ruas e instituições políticas como o Parlamento e as cortes de Justiça, enquanto ainda se consolida no sistema educacional.
Nas ruas do Timor as saudações e os agradecimentos em português são parte da vida cotidiana, mas são o indonésio e o tétum os que predominam nos ambientes de trabalho e são mais frequentes nos principais meios de comunicação.
Alkatiri reivindica a necessidade de insistir na língua portuguesa, e não no indonésio ou no inglês, para evitar que o Timor se transforme em um país "satélite" da Indonésia ou da Austrália, as duas potências mais próximas geograficamente.
Longe desse sentimento de identidade, Luis Nivio, um professor timorense de 26 anos, reconheceu à Efe que a aplicação da nova língua é mais difícil na prática: as crianças quando chegam à escola frequentemente não entendem português e, portanto, aprender algumas disciplinas lhes parece mais complicado.
"O pior é que muitos professores também não falam português, ou quase não o conhecem, e por isso optam por ensinar em tétum ou misturar os dois idiomas durante as aulas", confessou o professor.
Nivio, que aprendeu português em Aveiro graças a um acordo em matéria de educação com o Governo de Portugal, admite que a falta de desenvolvimento gramatical do tétum complica muito a formação acadêmica nesta língua.
Brasil e Portugal fecharam um acordo com o Timor-Leste para a expansão do português no país asiático mediante a colaboração de suas universidades para formar professores e criar material escolar.
Segundo os dados do Governo do Timor-Leste, em 2010 cerca de 90% dos cidadãos do país utilizava o tétum em sua vida diária, 35% dominava o indonésio e 23% falava, lia e escrevia em português.
No entanto, este último é o idioma que registra maior crescimento nos últimos anos.
O futuro da língua de Camões no Timor-Leste parece promissor; José Ramos-Horta, ex-presidente do país e prêmio Nobel da Paz, deixou isso claro em um recente artigo no jornal indonésio "The Jakarta Post".
"Em dez anos, pelo menos metade dos timorenses falarão português; nossa própria versão, tão viva e musical como a do Rio (de Janeiro) ou de Luanda", previu o político.
Agência EFE

quinta-feira, junho 21, 2012
Portugalidade
Existem muitas opiniões sobre a colonização portuguesa no Mundo. Principalmente sobre o que fôram os últimos 60 anos e durante os quais se desenrolaram as guerras de libertação. Mas não é exactamente esse o ponto do assunto de hoje. O assunto recai sobre essa mesma colonização, mas com relação a Timor-Leste, que foi diferente de tudo o mais.
Foi a Província Ultramarina mais esquecida pela Metrópole e, por incrível que pareça, a mais embebida de lusitanidade.
Ainda há pouco tempo numa das páginas do Facebook dedicadas a Timor-Leste, li uma troca de opiniões (nos comentários) sobre uma postagem. Um dos "contendores", pessoa com elevado grau de conhecimentos sobre a história da permanência portuguesa naquele Território, acabou por me deixar revoltado. E porquê? --- Porque só quem viveu algum tempo em Timor, enquanto território português, poderá pronunciar-se sobre o relacionamento entre nós e eles. Sempre existiu e continúa existindo algo de mágico entre portugueses e timorenses que eu não consigo explicar.
A foto que aqui coloco para ilustar a minha postagem foi tirada em Díli, momentos após o término do jogo de futebol entre Portugal e a República Tcheca, pelos quartos de final da Eurocopa, o qual os portugueses venceram por 1 x 0.
Sem qualquer informação a respeito, o observador que nunca tenha estado em Timor jamais associaria essa foto àquele País. Tenho a certeza que pensaria tratar-se de um ponto qualquer em Portugal.
Está aqui, portanto, uma imagem real a dizer-nos tudo aquilo que não conseguimos explicar...
Foto de Natália Carrascalão Antunes (in Facebook)
sábado, maio 19, 2012
sexta-feira, setembro 11, 2009
Professores para Timor
Professores interessados em leccionar,no próximo ano lectivo, na Escola
Portuguesa de Díli, em Timor Leste.
São precisos:
3 educadoras
2 Português/Inglês
1 Físico-Química
1 Biologia
1 Filosofia
<http://prifessores.blogspot.com/2009/09/professores-para-timor-leste.html>
terça-feira, junho 30, 2009
Honduras
Essa eu pago para ver!
Zelaya, o presidente deposto de Honduras, afirma que regressará ao seu país acompanhado dos presidentes da Argentina, Equador e altos funcionários da ONU e OEA.
O novo governo do país ameaça-o com prisão quando do desembarque.
A cena faz-me lembrar anos atrás quando Timor-Leste estava sob o domínio da Indonésia. Um grande navio foi fretado e nele viajaram altas personalidades, como o ex-presidente português Ramalho Eanes. A missão era atracar no porto de Díli e prestar solidariedade ao povo timorense. A marinha Indonésia não deixou o navio entrar em águas territoriais timorenses. O acto limitou-se a jogarem flores no mar...
Agora, em Honduras, quero ver a não autorização de aterragem do avião e a reacção dos passageiros ilustres. Isso vai dar muito pano para mangas...
domingo, março 08, 2009
Catana: ferramenta ou arma?
Catana. Nestes dias tem-se lido bastante na imprensa sobre acontecimentos em que esse utensílio, ou ferramenta, é protagonista de peso. Mas, afinal, não seria uma arma?!
Resolvi escrever alguma coisa a respeito e pensei, como quase sempre faço, em procurar uma imagem para ilustrar a postagem. Por incrível que pareça, tive muitas dificuldades em achar na internet e o que mais aparecia era a versão japonesa "katana" que, sendo da mesma família e que até poderá ter dado o nome à outra, a que está em questão, é bem diferente e mais sofisticada.
Pensando e repensando, de repente acendeu-se uma luz. Na bandeira de Angola tem uma catana no símbolo e é essa exactamente a figura que eu procurava. Só teria que trabalhar a imagem no paint e foi o que fiz. Desenhar uma e digitalizar, seria muito mais trabalhoso...
E já que Angola apareceu aqui, quase do nada, só por causa da procura de uma imagem, o meu pensamento acabou por voar para os primeiros anos da década de 60 quando começaram os distúrbios no norte daquela então Província Ultramarina Portuguesa. Foram momentos muito trágicos e a "catana" era a grande e principal arma.
Cheguei ao cerne da questão: desde aqueles tempos até aos nossos dias, a catana deixou de ser um utensílio ou ferramenta e passou a ser, realmente, uma arma de ataque bárbaro. Nino Vieira na Guiné e quatro elementos da Guarda Nacional Republicana (portuguesa), servindo em Timor-Leste, fôram vítimas dos seus golpes.
Hoje não irei abordar os acontecimentos em si. Possívelmente meterei a minha colher nos de Timor amanhã. Só pretendia escrever um pouco sobre a catana e acho que consegui.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Timor
Na minha lista de "Blogs de Timor", aqui na página, podem clicar no blog UMALULIK e ter o prazer de ouvir algumas músicas timorenses recentemente catalogadas.
terça-feira, setembro 16, 2008
sexta-feira, julho 11, 2008
Lula em Timor
DILI - A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Timor Leste foi marcada pela assinatura de acordos de cooperação para reconstrução do país.
Entre os documentos, está a prorrogação até 2010 do programa de ajuda na área de educação que prevê o envio de professores brasileiros ao Timor para capacitação de docentes do país asiático. Na segunda etapa do programa devem chegar ao país 50 professores. Os países vão cooperar também nas áreas de meio ambiente, economia solidária e empreendedorismo.
Em visita ao parlamento, na capital Díli, Lula saudou a independência da nação timorense e lembrou o brasileiro Sérgio Vieira de Melo como um dos condutores do processo de transição do Timor à independência. Melo trabalhava na ONU, como administrador de transição da organização no Timor-Leste e foi morto num atentado em Bagdá.
No texto do comunicado conjunto entre os dois países, Lula reiterou o repúdio do governo brasileiro aos atentados contra o presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, em fevereiro deste ano. Temas da conjuntura mundial também estiveram na pauta dos presidentes. O texto conjunto demonstra a preocupação dos dois governos com a atual conjuntura internacional e concordam com a necessidade de revisão do modelo mundial de produção e abastecimento de alimentos.
A exemplo do que fez no Vietnã, o presidente Lula defendeu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e agradeceu o apoio do governo timorense ao pleito brasileiro de conseguir um assento no conselho.
Durante discurso no parlamento, Lula lembrou que o Brasil mantém no Timor um centro de treinamento profissional em áreas como construção civil e computação e que em breve ampliará os cursos oferecidos. Disse ainda que, atendendo à solicitação de Ramos-Horta, pediu a juristas brasileiros que auxiliem na elaboração do projeto do Código Militar do Timor Leste.
domingo, junho 22, 2008
Cangurus traidores
A Australian Security Intelligence Organization (ASIO, serviços secretos) desclassificou ontem centenas de documentos referentes ao actual Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta. Mas ainda conserva por desvendar cinco dossiers que tem sobre ele.
Naquilo que o jornal The Canberra Times considerou "um passo em falso diplomático", a ASIO e o ministério australiano dos Negócios Estrangeiros nem sequer teriam consultado ou avisado o chefe de Estado de que iam trazer a público todo o seu passado, desde que, em Outubro de 1974, o começaram a espiar. Foi quando se tornou claro que era o principal representante internacional da causa nacionalista timorense.
A divulgação de ficheiros secretos sobre um Presidente em exercício num país vizinho é algo "sem precedentes", comentou Clinton Fernandes, professor da Universidade da Nova Gales do Sul." Primeiro a Austrália espia a vida de Ramos-Horta, depois Camberra trai Timor para benefício dos militares indonésios e, três décadas depois, divulga os documentos sem sequer se dar ao trabalho de um telefonema para lhe dizer", referiu.
O material vindo a lume revela que, em Maio de 1975, a ASIO contou à sua congénere indonésia BAKIN os contactos que Ramos-Horta tivera com a Comissão Australiana para um Timor-Leste Independente e com o Partido Comunista da Austrália. Sabe-se que o primeiro-ministro australiano do período 1972-1975, o trabalhista Gough Whitlam, achava que Timor-Leste "era demasiado pequeno e economicamente inviável para se tornar independente". Whitlam "lamentará um dia a negociata que fez com Suharto" (o ditador indonésio), para que Jacarta ocupasse Timor-Leste, teria escrito em dada altura Ramos-Horta, segundo uma carta sua incluída nas mais de 550 páginas agora desclassificadas.
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