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sexta-feira, outubro 30, 2009

Tem coisas que não entendo, se bem que algumas talvez sejam pertinentes, mas este acontecimento em São Paulo ultrapassou todos os limites. Vejam nos, vídeos acima, a saída da escola de uma aluna, escoltada pela Polícia Militar, ao mesmo tempo que era apupada pelos colegas com adjectivo de baixíssimo calão e, claro, inaceitável. Uma lindíssima moça loira de olhos verdes, foi para a escola, como faz todos os dias, mas desta vez usando um mini vestido. Os colegas "machos" acharam que aquilo era um escândalo, um atentado ao pudor. As colegas "fêmeas" fôram no embalo mas, aqui, talvez por inveja. Nos tempos actuais em que observamos situações muito mais liberais e muitas até deprimentes, protagonizadas por essa juventude na qual se englobam esses protestantes, há espaço para perguntar se ali não estaria um monte de "bichas" e "lésbicas"!?

terça-feira, agosto 11, 2009

Dia do Pendura

No dia 11 de agosto comemoramos a fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil, criados por ato do Imperador Dom Pedro I, que estabeleceu:

"Dom Pedro Primeiro, por graça de Deus e unânime aclamação dos Povos, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil.

Fazemos saber a todos os nossos súditos que a Assembléia Geral Decretou e nós queremos a lei seguinte:

Art. 1º - Crear-se-hão dous cursos de Ciências Jurídicas e Sociais, um na cidade de São Paulo e outro na de Olinda e neles no espaço de cinco anos e em nove Cadeiras, se ensinarão as matérias seguintes [...]

Dada no Palácio do Rio de Janeiro aos onze dias do mês de agosto de mil oitocentos e vinte e sete, Sexto da Independência.

(a) Imperador Pedro Primeiro".

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A partir dessa data foram abertas as portas para que os brasileiros pudessem estudar ciências jurídicas e sociais em sua terra natal. Assim, o dia 11 de agosto tornou-se a data mais significativa para o contexto jurídico brasileiro, sempre comemorada, perpetuando a tradição do pendura entre os acadêmicos de Direito.

De origem não muito bem definida, conta-se que o pendura pode ter nascido de uma antiga prática dos proprietários que formulavam convites para que os acadêmicos, seus clientes, viessem brindar a fundação dos cursos jurídicos, no dia 11 de agosto, em seus restaurantes, oferecendo-lhes, gentilmente, refeição e bebida.

Com o passar dos tempos, os convites diminuíram e foram acabando, obrigando assim que os acadêmicos se auto-convidassem. Graças a essa iniciativa, a tradição foi mantida até nossos dias, consistindo em comer, beber e não pagar, solicitando que a conta seja "pendurada". Tudo isso, é claro, envolvido num imenso clima de festa.

Ritual

- O verdadeiro pendura, segundo a tradição, deve ser iniciado discretamente, com a entrada no restaurante, sem alarde, em pequenos grupos, para não chamar a atenção. As roupas devem ser compatíveis com o local escolhido.

Deve-se procurar uma mesa em local central, quanto mais visível melhor.

Prossegue-se, com bastante calma, observando-se cuidadosamente o cardápio, inclusive os preços, que sabe não irá desembolsar. O pedido deve ser normal, discreto, sem exageros, admitindo-se inclusive camarões e lagostas.

Quanto à bebida, os jovens devem ser comedidos, pois dela necessitam para aquecer suas cordas vocais, preparando-as para o discurso de agradecimento ao gentil convite da casa. Todavia, a bebida em demasia pode transformar o discurso e o pendura num desastre.

Ao final, quando satisfeitos, após evidentemente a inevitável sobremesa, pede-se a conta, lembrando-se de um detalhe que faz parte da tradição e não pode ser desrespeitado, que é o pagamento dos 10% da gorjeta do garçom.

Após isso, o líder e orador deverá levantar-se e começar a discursar, sempre saudando o estabelecimento e seu proprietário, agradecendo o convite e a hospitalidade, enaltecendo a data, os colegas, a faculdade de origem, o Direito e a Justiça, tudo isso, sob o estímulo dos aplausos e brindes dos demais colegas do grupo. Esse é o verdadeiro pendura, que pode ser aceito ou rejeitado.

Caso aceito, ficará um sabor de algo faltante! Agora, se rejeitado, deve partir dos estudantes de Direito a iniciativa de chamar a polícia e de preferência dirigindo-se todos à Delegacia mais próxima, o que lhes dará alguma vantagem pela neutralidade do terreno.

Variações

- Existem também outras modalidades do pendura, que são distorções da tradição, conhecidas pelas alcunhas "troglodita" e "diplomática".

A primeira, "troglodita", bastante primitiva, consiste em, após a refeição, sair correndo do restaurante, levando no peito tudo e todos que estiverem à sua frente, nivelando os estudantes ao "gatuno" que foge para não ser apanhado cometendo algo errado. Esta modalidade deve ser evitada, pois tal conduta poderá caracterizar o crime de dano, caso algo seja destruído.

Note-se que não há crime na tradição do pendura, pois o delito preconizado pelos pendureiros frustrados -- aqueles que sempre desejaram pendurar, sem coragem para tal -- confunde-se com o tipo penal no qual o sujeito realiza refeição sem que tenha condições para seu pagamento, caracterizando o crime.

No pendura, a refeição é realizada; todavia, o estudante deverá ter consigo dinheiro, cheque ou cartão de crédito; portanto, meios para pagar a refeição, descaracterizando o tipo penal e afastando o delito, de modo que, embora tenha condições para pagar, não o fará em respeito à tradição.

Na outra modalidade, "diplomática", mais pacífica, a diplomacia determina que os acadêmicos devam solicitar reservas, revelando o pendura e somente com a concordância do proprietário, fazem a refeição e saciam sua fome, mas não a tradição, posto que fica o estudante de direito nivelado ao que mendiga um prato de comida.

Todas as inovações devem ser evitadas, preservando-se a tradição do pendura, com o indispensável discurso, rememorando o papel daqueles moços que fizeram os caminhos de nosso País, estimulando assim o empenho destes outros moços, jovens, para que transformem os destinos da nação!

Prof. Luiz Flávio Borges D'Urso (in internet)

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Timorenses e Alentejanos

Depois do protocolo assinado entre a Universidade de Évora e o Ministério da Educação de Timor-Leste, já chegaram àquela cidade os primeiros estudantes que através de uma bolsa da Secretaria de Estado dos Recursos Naturais de Timor-Leste, vão estudar na bela e acolhedora capital do Alentejo.
Os primeiros estudantes possuem licenciaturas nas áreas das geociências (Engenharia Geológica e Engenharia dos Petróleos) obtidas na Indonésia e irão frequentar o mestrado em Ciências da Terra e da Atmosfera.
Ao abrigodo protocolo estabelecido, neste semestre irão frequentar como estudantes externos, um semestre propedêutico, por forma a que a sua adaptação à língua e cultura portuguesas seja mais fácil.
Da última vez que estive em Évora, há oito anos atrás, percebi que na mesa ao lado da minha, num café da cidade, era timorense o grupo que a ocupava pois que, além do seu jeitinho inconfundível, entendi muito do que falavam em tetum. Pedi licença e juntei-me a eles. Ficaram muito encabulados mas, aos poucos, foram relaxando.
Aos meus conterrâneos eborenses peço que lhes dêem o maior apoio e com eles se relacionem dentro do espírito alentejano do bom acolhimento; eles também são assim na sua terra. Sempre que com eles se cruzem, dirijam-se-lhes com um "díak ka lai", que se pronuncia "diakalái ", e serão retribuidos com um sorriso aberto.