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sábado, junho 26, 2010

Torcida

Início da semana e atendo o telefone. Era do Consulado Geral de Portugal em São Paulo, informando-me pessoalmente do agendamento da minha presença lá na quinta-feira dia 24. Na hora alertei que, como trabalhava nesse dia, se seria possível adiar para sexta. A resposta foi que sim, mas que seria dia do jogo do Brasil. Disse-lhes não me importar com isso e preferia sexta por ser meu dia de folga. Assim, ficou marcado para as 14 horas, depois do jogo…
Nada de mais a assinalar no que relatei atrás, a não ser a minha estupefacção em relação à frase “dia do jogo do Brasil”, uma vez que um funcionário do Consulado português em conversa com cidadão do país, deveria dizer “dia do jogo de Portugal” ou simplesmente “dia do jogo Portugal x Brasil” (aqui a ordem dos factores não altera o produto…).
A minha crónica de hoje baseia-se na relação desta semana entre eu e o Consulado. Sempre escolhemos uma nota para escrever o lamiré nas várias que pipocam por aí…
Dirigi-me várias vezes ao Consulado quando este se situava no Bairro da Liberdade e com uma estação do Metro à porta. Tudo era fácil naqueles tempos. Depois que mudou para os “Jardins”, bairros nobres de São Paulo, nunca lá fôra. Conheço bem a grande cidade, mas há lugares onde jamais pisei e esse é um deles; só estivera na Paulista como o mais perto. Mas dali se inicía a Alameda Casa Branca, paralela à Avenida 9 de Julho e que tem continuidade com a Avenida Canadá, endereço pretendido. Foi fácil.
Faltava uma hora para o grande jogo e comecei a descer, a pé, a Casa Branca até chegar ao Consulado. Era um estudo da região. Grandes mansões quase todas ocupadas por consulados e, como não poderia deixar de ser, a representação portuguesa numa delas. Não sei quanto sai do meu bolso para pagar aquelas mordomias, mas sei que sai algum… Mas olhem que eles parece não terem dinheiro ara trocar a bandeira cuja negritude da poluição já não deixa distinguir o vermelho e o verde…
Perguntei na portaria se poderia entrar e se teria uma tv para assistir o jogo, enquanto passava o tempo para o meu atendimento. Resposta curta e grossa com um sonoro “não!”. Tudo bem, pois ninguém me mandara ir com tanta antecedência e ninguém tem culpa de eu ser tão pontual, ou precavido, nessas coisas… Só fiz mais uma pergunta, sobre se ali por perto haveria um restaurante ou um boteco e foi-me informado que sim a duas quadras dalí.
Fui caminhando e um monte de gente tomava a mesma direção. Eram quase todos funcionários dos vários Consulados que por ali existem. Os do de Portugal tinham essas mordomias dentro das próprias instalações, mas outros não --- a maioria, como o de Angola e cujo país é muito mais rico que o meu…
Cheguei no restaurante “Esquina 9”, com esse nome por se situar na esquina da Av. 9 de Julho com a Av. Estados Unidos. Estava cheio de gente e só se viam as cores do Brasil apesar de ali estarem presentes cidadãos de outros países, como eu. Se torciam para o Brasil ou para Portugal, aí eu desconhecia. Tomei as minhas precauções e isso baseado em passagens anteriores relacionadas com Copas, pois o brasileiro assume um nacionalismo besta nessas oportunidades.
O único lugar disponível, um cantinho virado para a tv mais longínqua. Para lá fui. Até pensei que tenho uma pessoa amiga que não deve morar muito longe dali e que me poderia fazer companhia… Sentei-me, de expressão fechada, aguardando o começo do jogo. Pedi uma cerveja.
Começou o jogo e 3 negrões altos ficaram de pé na minha frente. Conversavam e certifiquei-me, pela conversa, que eram angolanos e funcionários consulares. Chamei um deles à atenção e pedi-lhe que ele e seus colegas se ajeitassem de modo a não me encobrir a visão. Dois deles se encostaram à parede e o outro procurou outro lugar mas, sem antes não deixar de me denunciar: sentiu pela minha pronúncia que eu era português e contou para todo o mundo… Fiquei com uma raiva enorme do “turra filho da puta” e comecei arquitectando o que poderia falar para ele. Talvez que eu tenha conhecido a sua mãe quando estive em Angola antes da independência… Resolvi ignorar. Não me manifestei nas jogadas perigosas contra ou a favor. Fiquei impávido e sereno. Quando faltavam 15 minutos para o final, saí dali.
Fui andando em direção ao Consulado pensando que, àquela hora e porque o jogo acabara, eu já tivesse a entrada franqueada e esperaria o atendimento na sala de espera. Nada disso! Enquanto não badalassem as 14 horas, eles não deixariam ninguém entrar…
Certamente que por causa das cervejas que tomei no restaurante, apoderou-se de mim, de um momento para o outro, uma intensa vontade de mijar. Se eu fôsse crente perguntaria, a alguém em quem acreditasse, onde encontrar um lugar para aquela emergência. Voltei à portaria e expliquei-lhes a minha desesperada situação, solicitando que me cedessem a entrada e uso do banheiro. Não deixaram! Daí para a frente pensei em mijar no meio da rua, numa árvore ou parede. Mas eram câmeras e vigias por todos os lados…
Quando eu percebi 3 operários tapando alguns pequenos buracos na mansão defronte ao Consulado, aproximei-me e perguntei-lhes se não morava ninguém ali. Quiseram saber o motivo da minha pergunta (claro) e eu expliquei-lhes que era cidadão português, dono de uma parte do prédio em frente, que me estava quase mijando nas calças e ninguém me deixava entrar lá, para sair logo depois… Pô! Eles disseram-me para eu entrar ali e usar o sanitário de serviço tranquilamente.
Dali para a frente fiquei mais tranquilo e até a raiva me passou, pois pensei na minha hipertensão arterial. Finalmente entrei e na sala de espera a primeira coisa que vi foi a informação que existia livro de reclamações. Mas pensei que se o usasse iria-me tramar um dia mais tarde. Fui compensado pela rapidez, perfeição e alta tecnologia  com que trataram da minha documentação.
Enquanto estive naquela sala de espera, muitas outras pessoas, portugueses pelos traços, entraram para aguardar também. A última delas, uma senhora de idade avançada, amparada por familiares, foi a única que cumprimentou os demais e, claro, recebeu da minha parte um sorriso e um bem sonoro “boa tarde senhora!” Fui o único que lhe respondeu…
Este último episódio foi para mim uma surpresa porquanto eu sempre assisti a essa falta de educação aqui no Brasil e pensava que na minha terra era diferente. Porque realmente era no meu tempo. Agora é tudo igual; lá e cá pelo jeito. Então, quando outro jogo houver entre Brasil e Portugal, não torcerei para nenhum por falta de algo que faça a diferença…

segunda-feira, março 22, 2010

Teologia Moral da Manga


O velho caipira, com cara de amigo, que encontrei num Banco estava esperando para ser atendido. Ele ia abrir uma conta. Começo de um novo ano, novas perspectivas... E como não podia deixar de ser, também
começou ali um daqueles papos de fila de banco. Contas, décimo terceiro que desapareceu, problemas do Brasil, tsunami... Será que vai chover?

Mas em determinado momento a conversa tomou um rumo: "- Qual é então o maior problema do Brasil para ser resolvido? E aí o representante rural, nosso querido "Mazaropi da modernidade" falou com um tom sério demais para aquele dia: " - O Maior Problema do Brasil é que sobra muita manga!"
Tentei entender a teoria...Fez-se um silêncio e ele continuou: " – O senhor já viu como sobra manga hoje debaixo das árvores? Já percebeu como se desperdiça manga? "Sim... Creio que todos já percebemos
isto... Onde tem pé de manga, tem sobrado manga.” E Aí ele continuou: " Num país onde mendigo passa fome ao lado de um pé de manga, isso é um  absurdo! Num país que sobra manga tem pouca criança. Se tiver pouca criança as casas são vazias... Ou as crianças que tem já foram educadas para acreditar que só ice cream e jujuba são sobremesas gostosas”.
“Boa é criança que come manga e deixa escorrer o caldo na roupa... É sinal que a mãe vai lavar, vai dar bronca, vai se preocupar com o filho. Se for filho tem pai...
Se tiver pai e manga de sobremesa é por que a família é pobre... Se for pobre, o pai tem que ser trabalhador. Se for trabalhador tem que ser honesto. Se for honesto, sabe conversar. Se souber conversar, os filhos vão compreender que refeição feliz tem manga que é comida de criança pobre e que brinca e sobe em árvore... Se subir em árvore, é por que tem passarinho que canta e espaço para a árvore crescer e para fazer sombra. Se tiver sombra tem um banco de madeira para o pai chegar do trabalho e descansar...”.
“Quem descansa no banco, depois do trabalho, embaixo da árvore, na sombra, comendo manga é por que toca viola. E com certeza tá com o pé na grama. Quem pisa no chão e toca música tem casa feliz. Quem é feliz e canta com o violeiro, sabe amar. Quem ama, se dedica. Quem se dedica, ama, canta e come manga, tem coração simples. Quem tem coração assim, tem alegria. Quem tem alegria, não tem medo. Nada faltará porque é feliz”.
“Se come a manga, faz doce, faz suco e não deixa a manga sobrar. Se não sobra manga, tá todo mundo ocupado, de barriga cheia e feliz. Quem tá feliz não
reclama da vida em fila do banco... ".
Daí fez-se um silêncio... Muito mais que o padrão de vida, deve-se procurar a qualidade de vida.
Quer uma manga?…

domingo, novembro 08, 2009

Saia justa

Em 1960, tinha eu 15 anos, fazia parte da equipe de ginástica olímpica do Lusitano Ginásio Clube, em Évora, Portugal. Era uma actividade amadora recém incorporada, a par do futebol profissional.
Aqueles já eram tempos difíceis para o clube que muitas vezes esteve a par dos grandes do futebol português. Assim, a ginástica só se conseguia manter graças à generosidade e amor do então presidente e, especialmente, com a arrecadação do dinheiro a quando da realização de bailes no salão da séde.
Organizávamos esses bailes e a cada um dos atletas era distribuída uma função. Um dia coube-me a portaria.
Uma orientação que recebi da directoria era exactamente barrar a entrada de algumas moças conhecidas e que habitualmente frequentavam esse tipo de evento noutros locais da cidade. Elas eram, na definição da época, muito indecentes e atentórias ao pudor
Eu, porém, já naquele tempo discordava desses parâmetros de análise e discriminação e fiquei meio apreensivo e com a pulga atrás da orelha. Teria eu que citar os motivos para barrar a entrada?! Uma verdadeira saia justa… É claro que jamais barrei a entrada de alguém e nunca nada de anormal aconteceu.
São passados 50 anos e defronto-me com situação análoga em relação à moça que foi violentada moralmente numa Universidade de São Paulo e que a respeito já aqui me referi neste espaço. Impressiona-me mais ainda por se tratar do Brasil, uma vez que aqui o futuro e uma liberdade maior chegaram muito mais cêdo.
Eis a notícia mais recente e mais não comento:
A Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) decidiu expulsar a estudante de Turismo Geisy Arruda, de 20 anos, que foi perseguida, encurralada e xingada por um grande grupo de alunos nos corredores da instituição, no câmpus de São Bernardo, porque usava um vestido curto. Ela saiu do local escoltada pela polícia. O tumulto ocorreu no dia 22 de outubro e ganhou repercussão, gerando debates sobre intolerância na sociedade, após vídeos terem sido colocados do Youtube.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Tem coisas que não entendo, se bem que algumas talvez sejam pertinentes, mas este acontecimento em São Paulo ultrapassou todos os limites. Vejam nos, vídeos acima, a saída da escola de uma aluna, escoltada pela Polícia Militar, ao mesmo tempo que era apupada pelos colegas com adjectivo de baixíssimo calão e, claro, inaceitável. Uma lindíssima moça loira de olhos verdes, foi para a escola, como faz todos os dias, mas desta vez usando um mini vestido. Os colegas "machos" acharam que aquilo era um escândalo, um atentado ao pudor. As colegas "fêmeas" fôram no embalo mas, aqui, talvez por inveja. Nos tempos actuais em que observamos situações muito mais liberais e muitas até deprimentes, protagonizadas por essa juventude na qual se englobam esses protestantes, há espaço para perguntar se ali não estaria um monte de "bichas" e "lésbicas"!?

quarta-feira, setembro 23, 2009

Sapatos

“Meu sapato já furou/Minha roupa já rasgou/E não tenho onde morar…”
Lembrei-me, agora, dessa modinha da MPB e também da filipina Imelda Marcos. E o que tem uma coisa a ver com a outra ou o que o quê tem a ver com quem, etc. e tal? --- Tudo a ver!
Há poucos momentos postei um comentário no blog de uma grande amiga, em matéria que abordava a vida depois dos sessenta. E porque eu já passei essa linha do tempo e, também, se antes já era um tanto ou quanto desleixado, passei a ser muito mais e conscientemente.
Normalmente, ando sempre de bermudas, sandálias ou até mesmo descalço, dependendo de como me sinta melhor e pouco ligando para a torcida. É o meu jeito de ser…
A última vez que tinha calçado um par de sapatos, se bem me lembro, foi há oito anos atrás, quando duma viagem a Portugal. De há uns dias para cá comecei a usar um par novo tipo mocassino e sem meias, usufruindo ainda assim daquela liberdade e informalidade.
Fui forçado a quebrar a rotina porque comecei a ter aquele problema de calcanhar rachado, não só por culpa das sandálias, mas também por causa da idade que começa a oferecer-nos essas e outras novidades…
Logo a seguir ao comentário acima referido, também escrevi no Twitter algo sobre os meus sapatos. É que hoje de manhã, enquanto trabalhava (trabalho ao ar livre), um pequeno tornado, com chuva forte, apanhou-me de surpresa e eu virei um verdadeiro pinto calçudo.
Coloquei os meus sapatos para secar, mas não vai dar tempo. Os outros dois ou três pares que tenho guardados, não me servem mais e o mesmo teria acontecido se milhares de pares tivesse como Imelda tinha.
Amanhã calçarei as minhas franciscanas nòvamente. Parece, mas não é uma miséria franciscana…

sexta-feira, abril 10, 2009

Dois Países; uma só alma

Bem que eu tento evitar recordar ou, pelo menos, citar coisas do passado. Parece que devemos viver e arreigarmo-nos ao presente e desvincularmo-nos de passado e futuro... Mas, sem querer, a memória vai lá atrás quando me confronto com certas novidades e, assim, recordo a incisiva e martelada frase quando da visita a Portugal ou ao Brasil de mandatário de um ou outro país: "duas nações e uma só alma". E não é que as coisas parecem ser mesmo assim!?
Aqui no Brasil, a grande pérola do momento é a Lei antitabagista no Estado de São Paulo; proibe-se fumar em quase todos os lugares possíveis e imaginários. Não sou contra em que se proíba o fumo em lugares públicos, principalmente em recintos fechados, mas entendo que deve prevalecer o princípio democrático, citando como exemplo os bares, em que cada comerciante proiba ou franqueie o acesso de fumantes. Proibir que o indivíduo fume no seu quarto de hotel é alcançar os píncaros da comicidade...
Navegando para o lado de lá, temos esta notícia: "O uso, em serviço, de blusas decotadas, saias muito curtas, gangas, perfumes com cheiro agressivo, roupa interior escura, saltos altos e sapatilhas, é proibido às funcionárias da Loja do Cidadão de 2ª geração de Faro, inaugurada no passado dia 3, com a presença do primeiro-ministro."
Cacetada!... Será que o autor desta barbaridade de lei a arquitetou sentado naquele mesmo banco da Avenida da Liberdade, onde um dia Jânio Quadros ( ex-presidente do Brasil) foi fotografado logo após a sua partida para o exílio, e se contaminou? Ou é paneleirice pura e simples?
Infelizmente as coisas são assim, do lado de cá e do lado de lá; tantos problemas sérios a serem abordados e solucionados e essa cambada promiscuindo-se no campo das frivolidades.

quinta-feira, março 19, 2009

Chupins e Cucos

Gosto de me sentar num banco de jardim ou de qualquer outra área arborizada e ali ler o jornal do dia, quando o ainda não tenha feito antes de sair de casa, ou algumas páginas de um livro, pois é frequente carregar um comigo. Hábitos que estão caindo em desuso, mas que eu ainda cultivo com grande paixão.
Outros momentos existem em que sou igual à maioria dos que se sentam no banco sem nada para ler e tão sòmente para pensar na vida ou admirar a Natureza. E foi exactamente o que aconteceu na manhã de hoje.
Entre um e outro relance de olhares, sempre surge algo que nos chama a atenção, por mais insignificante que seja; pode ser a movimentação das formigas, o vôo de uma borboleta ou o chilrear dos pássaros.
Pássaros!? --- foram dois que me despertaram a curiosidade. Era um Bem Te Vi (assim chamado devido à sua linguagem onomatopaica) carregando no bico uma minhoca e pipocando o seu voar de modo a sempre pousar na frente de um Chupim que pelo solo se movimentava, oferecendo-lhe a suculenta refeição. Isso causou-me muita admiração, pois o Bem Te Vi é um pássaro pouco sociável entre os demais e chega até a ser sanguinário; já presenciei ataques a outros pássaros só pelo prazer de matar.
Sempre ouvi dizer que esse comportamento, esse acto de amor e carinho, a preocupação com a alimentação de um filhote de espécie diferente, só acontecia com o Tico Tico em relação ao Chupim e nunca imaginei o Bem Te Vi nessa cena e contexto.
Na análise do acontecimento, imediatamente me lembrei do Cuco, pássaro muito parecido com o Chupim em tudo. Mas este, habitante da Europa e Norte da África e aquele do Brasil.
O Chupim alimenta-se nas plantações de arroz e por isso é conhecido também como papa-arroz. Costuma enganar o Tico Tico e, pelo vistos outras espécies.
O Cuco alimenta-se principalmente de insectos e larvas. No entanto, ocasionalmente come também frutos, sementes e mesmo pequenos répteis ou anfíbios.
O Chupim bota os ovos dentro do ninho do Tico-Tico e a fêmea deste chocá-los-á junto com os seus. Os filhotes de Chupim nascem em prazo menor e assumem o controle do ninho, chegando a jogar fora os ovos da proprietária...
Na maioria das vezes as fêmeas de cuco procuram ninhos de outras espécies que já estejam feitos, com ou sem ovos. Se houver ovos, um deles é retirado do ninho da ave hospedeira para a mãe cuco depositar lá o seu. Em relação às duas espécies, as outras aves alimentam as suas crias. Foi o que eu presenciei hoje.
Não consegui evitar uma comparação com os seres humanos. Não própriamente nessa dança de ninhos e ovos, mas em relação ao comportamento de muitos e os quais poderei chamar de “gigolôs” ou “chulos”, citando os usuais termos daquém e dalém mar, respectivamente.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

segunda-feira, agosto 04, 2008

O Bigode

Hoje a minha principal ocupação profissional é a comercialização de moda feminina. É um meio muito agitado por causa dos gostos e dos modismos e, por isso, tenho que estar sempre actualizado no que tange às tendências da moda.
Ontem uma moça perguntou-me se era verdade que essa actual moda das calças com cós baixo estaria em decadência!? --- ela nunca aderira por achar que o seu corpo era desprovido de linhas harmoniosas e apropriadas, com o que eu, na verdade, não concordei, mas sem me manifestar...
Particularmente não sou fã de modismos e a minha opção é muito mais pela comodidade que pelo visual pois que, se me sinto bem usando diàriamente um bermudão e sandálias, só em caso extremo de formalidade eu enfio calças e sapatos...
E já que o assunto é moda e todos os modismos vão e voltam, estamos defronte do regresso de mais um e este relacionado com os homens: o bigode.
A juventude de agora, aquela em que já nascem pelos nas ventas, resolveu utilizar esse adereço
muito difundido nos portugueses em todos os tempos e traço visível nos latinos em geral. Alguns ainda estão um tanto ou quanto renitentes, pois o bigode lhes dá ares mais sóbrios com acentuação de um pseudo envelhecimento.
Mas um bigode bem aparado, tenha o traço que tiver, transmite uma personalidade forte. Alguns de nós, bigodudos, chegamos a ficar ciosos do mesmo até quando os dedos finos das nossas amadas não resistem a acariciá-lo...

sábado, julho 26, 2008

Gente estranha

ALEMÃES, UMA GENTE MUITO “ESTRANHA…”
Após 40 dias cruzando este país de norte a sul e de leste a oeste, temos uma constatação a fazer: os alemães são, hoje, um povo muito estranho. Listei algumas atitudes “escandalosas e irresponsáveis” que eles adotam.
Não queremos gente assim no Rio de Janeiro e São Paulo, para atrapalhar o nosso cotidiano animado de paz e harmonia:
- O metrô daqui da Alemanha não tem catraca [torniquete de controle], o povo compra o bilhete, mas não tem ninguém a quem mostrar esse bilhete;
- As bicicletas ficam soltas nas ruas, com cadeado, mas sem estarem amarradas a nenhum suporte. E eles ainda desperdiçam um monte de espaço com ciclovias, e nem deixam os pedestres andarem nelas, como acontece nas nossas;
- Incrível: os estranhos alemães param nos sinais vermelhos a qualquer hora, mesmo de madrugada, quando não há qualquer chance de vir um carro no sentido contrário;
- Os pedestres não atravessam, de jeito nenhum, uma rua, enquanto o sinal para eles não ficar verde, mesmo que não venha nenhum único carro; eles ficam ali perdendo tempo, esperando abrir o sinal;
- Não há limite de velocidade nas estradas (apenas uma recomendação para não ultrapassar 130km/h, nunca seguida);
- Nesse país “esquisito”, um jovem, para conseguir a carteira de motorista, leva quatro anos de escola. As aulas são feitas em conjunto com as do colégio;
- Nas estradas, todos os carros andam nas pistas da direita e as pistas da esquerda ficam vazias para os carros mais velozes, um contra-senso de desperdício;
- A gente saía à meia noite para passear na praça, e não via nenhum assaltante para quebrar a nossa monotonia;
- Outra “atitude escandalosa” é que nas plantações de morangos, aspargos e flores, ao redor da cidade, a gente entra na plantação com um cesto que, na entrada, está à disposição dos compradores, colhe o que deseja, faz a pesagem e coloca em uma embalagem [trazida de casa]. E então deixa o dinheiro numa caixinha e vai embora, sem ver o agricultor dono da plantação. (Mas eu tenho certeza de que de tarde um trombadinha vai lá e rouba todo aquele dinheiro da caixinha);
- E como lá não se usa agrotóxico, eles protegem os sapos, que fazem o controle do ecossistema, fazendo cercas; e ainda tem gente “esquisita” que pega o sapo e o atravessa de um lado para o outro da pista (na época do acasalamento), para ele não ser atropelado...
- Ahhh... essa é engraçada: em algumas boates tem telefone em todas as mesas e a gente convida uma jovem para dançar, pelo telefone, mesmo que a mesa dela esteja do lado da nossa...
- O governo que essa gente estranha elege, não cobra pedágio nessas estradas esquisitas. E eles estão sempre fazendo obras, modernizando mais ainda as rodovias, não se sabe para quê, nem com que dinheiro;
- A periferia das grandes cidades desperdiça todas as áreas com campos verdes e florestas, ao invés de deixar pessoas usarem de forma mais racional os espaços, com favelas ou lixões, por exemplo;
- Os caras fabricam uns carrões, tipo BMW, Mercedes, Audi e VW, e nem blindam. E ainda deixam nas ruas à noite. Tem um monte de maluco que, além disso, ainda tem coragem de andar de carro conversível. Certamente eles têm o hábito de andar com revólver no porta-luvas para se defender;
- Esta é incrível: os caixas automáticos dos bancos e de cigarros ficam nas ruas, em plena calçada! E não tem ninguém tomando conta. E ainda funcionam a noite inteira. Não falo alemão, mas aposto que os jornais estão “cheios de notícias” sobre assaltos nesses caixas automáticos;
- As calçadas [passeios] têm espaços livres que são desperdiçados com pessoas ao invés de deixar o elemento mais importante de uma cidade – os carros – tomarem conta delas. E aí, para resolver esse contra-senso, os alemães constroem um monte de garagens subterrâneas;
- E ainda essa gente esquisita pode entrar em lojas e restaurantes com seus cães de estimação, ao invés de deixá-los amarrados aos postes;
- Em engarrafamentos, eles desperdiçam aquela pistona do acostamento [a berma] e não ultrapassam ninguém por ali. Se fossem mais espertos, teriam um trânsito mais legal, como o nosso, que ultrapassa por qualquer lado, até pelo acostamento;
- Os Jornais do dia ficam empilhados, e tem uma caixinha do lado onde se coloca uma moeda e leva um jornal; e não tem ninguém ali para cobrar; mas o gozado é que são tão esquisitos, que ninguém leva um jornal sem pagar;
- No Inverno, ainda eles fazem casinhas de madeira para os passarinhos e colocam nas árvores e em pedestais, com comida todo dia, pois nessa época os passarinhos não têm onde buscar seu alimento... Ainda bem que o passeio acabou e estamos voltando para a nossa civilização.

domingo, janeiro 20, 2008

FRASES

“Admitir ver o ‘Big Brother Brasil’ significa cada vez mais confessar uma falha de escolaridade, passar recibo de fútil, solitário, imaturo, ‘low class’. Nunca deu status para ninguém acompanhar esse programa. Só queima o filme. Fuja de gente viciada nisso.”

In "Folha de S. Paulo"

segunda-feira, janeiro 14, 2008

CAMPINAS E CAMPINEIROS

Já lá vão 31 anos desde o dia em que cheguei a Campinas para aqui me fixar. Desde já adianto que não foi tarefa fácil a tentativa de adaptação a esta grande cidade. Porém, jeitinho daqui, jeitinho dali, fui-me acomodando e aqui permaneço. Ainda hoje tento analisar tudo e todos e vou construindo a minha idéia definitiva sobre o reduto. Enquanto isso, transcrevo uma crônica de autor desconhecido, muito atual, enviada pelo amigo Marcílio. As reticências em cada frase, omitidas, subentendem-se...

SER CAMPINEIRO É....

Estar devendo dinheiro a meio mundo, mas ter carro importado para ”desfilar" pela Norte-Sul, no domingo.

Ir trocar roupa na C&A do Iguatemi, levando a roupa na sacola da Márcia Mello.

Achar mais bonito ficar do lado de fora em bares pequenos como o saudoso Maria Bonjour ou o Cleso, por mais ótimos bares e casas noturnas que existam para ficar do lado de dentro. E ainda chamar de “mano” o pessoal que faz exatamente a mesma coisa no Shopping Unimart.

Encaixar um "véio" no final de cada frase.

Sendo mulher, achar a coisa mais linda do mundo poder dizer às amigas que ficou com aquele cara que é "animarrrrrrrrrr"!

Sendo homem, ter que dizer a alguém de outra cidade, quando perguntado, que é de Campinas, mas não bebe a água de lá; manda buscar em Jaguariúna ou Indaiatuba.

Chegar para conversar com a menina na balada, na hora que ela está indo embora.

Ser apresentado 10 vezes para mesma pessoa e, mesmo assim, na enésima vez dizer que não conhece.

Ficar saindo com o ex da melhor amiga, sob o argumento e convicção que ele também é seu amigo. (Bem típico das campineiras falsas e não confiáveis).

Correr na Lagoa do Taquaral pelo lado de fora porque só os "mano" gostam de ver os bichinhos que tem lá dentro. Achar que sabe andar em São Paulo porque conhece a marginal Pinheiros para pegar a Imigrantes!

Ir à missa em Nova Campinas por “se achar”.

Levar 4 horas para ir pra Ubatuba e ainda achar perto.

Jamais andar de ônibus, mesmo que não tenha grana.

Ter a certeza que conhece, mas não cumprimentar.

Nunca saber se chove ou se faz sol, porque está sempre enfiado dentro de um shopping nas horas vagas

Não ter idéia de beleza natural a não ser pela naturalíssima Lagoa do Taquaral.

Ter o saudável hábito de dormir cedo, até mesmo nos fins de semana, pela impossibilidade de tomar choppinho até depois de 1h da manhã na maioria dos botecos.

Não ter um tostão no bolso e, mesmo assim, achar que é milionário por ser sócio do Tenis Clube de Campinas.

Ter uma garrafa de whisky no “Coronel” e no “Seo Rosa” para ser vip. Ser criado no Castelo, Marieta, Botafogo, Jardim Leonor, Bela Vista, Taquaral e achar que é de classe média alta. Sobretudo, não achar que é do interior Put'z!

domingo, dezembro 30, 2007

TEM GENTE QUE...

Tem gente que se envergonha de um monte de coisas...

Sempre uma interrogação sobre quanto custa; como é feito; como é esse prato; se pode trocar a guarnição; estou perdido; pode me informar o melhor caminho. E outras situações diversas.

Já vi pataquadas de fazer rir e chorar. Amigo meu, que nem vou citar nome, comeu um "engasga-gatos" daqueles, simplesmente por não perguntar que molho era aquele do menu. Pagou caro e não desfrutou do almoço.

Outro ficou perdido em São Paulo e perdeu a hora da entrevista porque não teve a simplicidade de perguntar onde era o prédio daquela empresa. Chegou lá e foi barrado. Atrasado! Isso falando de coisas simples.

Tem gente que perde a grande oportunidade da vida por falta de ousadia. De fazer o que poucos fazem e se dão bem. Depois ficam reclamando que Deus não ajuda. Que não tem sorte. Que não tiveram chances e outras ladainhas e terços rezados e cantados.

Outro dia saquei um cara de fazer dó de tão feio que o coitado aparentava. Mas estava com uma moça linda, de parar o trânsito, no maior pega. E não tinha pinta de caixa alta não. Li um estudo de uma revista que são comuns esses casos. Simplesmente o sujeito é ousado e ataca as criaturas e se dá bem. É um bom papo, um bom sujeito, uma formação diferente; algo que encanta de primeira e vai ficando.

Tem um outro tanto de pessoas que falam que estão na pior porque não tiveram oportunidade de estudar. Quando? Na infância? Porque os pais não puderam pagar? Tudo balela. Quem quer faz. Quem se habilita consegue. Hoje existem oportunidades infinitas

.

Gente que fica reclamando e ainda por cima com sequelas psicológicas. Muitos com inveja, inseguranças, desqualificados para a vida te batendo olho gordo. Malucos que secam pimenteiras. Uma energia complicada que ninguém aguenta meia hora de prosa. E os que ficam esperando milagres da vida? Gente que não dá o primeiro passo? Culpam os amigos, os irmãos, os pais e depois os filhos.

Pessoas que viveram a vida toda de subempregos, casas alugadas, carros velhos caindo os pedaços, nunca fizeram uma viagem de lazer; enfim, não desfrutaram a vida.

Está cheio de pessoas assim. Esperando, esperando... Esperando que alguém ofereça o bilhete premiado. Ou o bilhete numerado com direito a paisagem da janela rumo a Passárgada. Esperando a sorte que não chega. Esperando o grande amor. Esperando o emprego dos sonhos. E pior, sonhando com tudo isso.

Nos dias de hoje é bom que se proteja; como na antiga canção do Ivan Lins. Não a proteção de Deus que existe de todo e sempre e quase ninguém entende!... Mas a proteção da alegria, do bom humor, da boa formação, da fé baseada no conhecimento, do bom ânimo e, sobretudo, a proteção das virtudes desenvolvidas quando se troca informação uns com outros. Trocas de experiências.

Como dizem os especialistas: o tempo urge. Não existe vaga grátis na garagem. Almoço na aba dos que usam chapéu já era. Aliás; até a cachaça que qualquer um oferecia nos botequins ficou escassa. Poucos fazem aquele gesto de levantar o copo em sua direção compartilhando o gole ou mesmo por educação. Fica então o velho refrão: Nada é de graça; nem o pão e nem a cachaça.

Portanto, hoje em dia temos que aprender o caminho das pedras. Saber pelo menos o endereço do alambique. Ou que em qual esquina existe uma padaria. Comer um pão ou tomar um trago?

É bom que se proteja!...

Crónica de Marcílio C. Freitas

Adaptação autorizada

segunda-feira, agosto 06, 2007

PAI DESCONHECIDO

Antigamente era comum observar que no documento de identidade de algumas pessoas constava o termo "Icógnito" no lugar reservado ao nome do pai ou, até mesmo, esse substitutivo no lugar dos dois progenitores. Pelo menos aqui no Brasil, hoje, isso não é mais permitido por lei e, mesmo que não sejam os nomes dos pais biológicos, alguns terão que constar. Claro que essa exigência não irá, de todo, eliminar um problema de ética e moralidade e será sempre uma "fachada" que o utente, inocente, carregará por toda a vida. Chega a ser terrível o impacto quando um dia mais tarde se vier a desvendar o artifício. Todavia, não sofrerá no dia a dia a discriminação que o "icógnito" alavancava...
Abordo este tema hoje devido a algo que comigo aconteceu esta semana que passou. Quando da navegação pelas páginas da internet, entrei numa das comunidades constantes de uma das minhas páginas de relacionamento e fui ler os tópicos do fórum. Aqui, num dos tópicos que eu tinha colocado, inerente a procura de antigos colegas da empresa onde trabalhei há trinta anos atrás, uma pessoa perguntava-me se eu conhecera seu pai, pois o mesmo teria sido meu contemporâneo, adiantando-me sòmente os dois primeiros nomes.
Movido pelo espírito de tentar ajudar, já contactei outro companheiro, amigo de sempre e colega de então. Solicitei dados mais concretos mas, infelizmente, nada mais obtive do que um resumo dos acontecimentos de antanho.
A mãe da pessoa em questão envolvera-se num relacionamento amoroso com aquele que certamente foi meu colega de empresa e, passados seis meses, certificou-se que estava grávida. Simplesmente tomou a decisão de abandonar a cidade e voltar para casa de seus pais, sem quaisquer explicações a quem quer que fôsse. Resultado: a criança nasceu e passou os quase trinta anos de sua vida com raiva do pai que jamais vira e do qual nem o sobrenome sabe.
Agora, que também teve uma filha e ciente do que tal significa, "caíu na real". Concluíu que, afinal, o seu pai não mereceu o ódio e raiva que lhe dispensou e luta para tentar encontrá-lo. Vai ser muito difícil, mas tem esperanças.
Não sei o que consta nos campos de preenchimento do seu documento de identidade. Mas, que esse documento poderia ser naturalmente fidedigno, lá isso poderia.