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terça-feira, abril 20, 2021

Nova Portugalidade

 Quando acordará o Brasil?

A língua portuguesa, contrariando os mais negros vaticínios, cresceu acompanhando a espantosa ascensão do castelhano. Em África, sobreviveu e cresce enquanto língua veícular, língua de poder e selecção de quadros. Na América do Sul, já se estuda e fala no Uruguai, na Argentina e Paraguai, acompanhando a emergência do Brasil e satelização das economias circunvizinhas. Nos EUA, são tantos os departamentos e leitorados de português que dir-se-ia vivermos uma verdadeira primavera de florescência de vocações. Na Ásia, sobretudo na China e Japão, mas também na Coreia e Índia, o português foi-se afirmando empurrado pelas trocas comerciais entre o Brasil e essas grandes potências económicas e pelo crescente interesse pela cultura brasileira, da mais duvidosa - que conquista sucessivas editoras e milhões de leitores, como é o caso de Paulo Coelho - à mais cativante. O timbre e os ritmos brasileiros inundam a "música enlatada" em supermercados, aeroportos, consultórios médicos, centros comerciais e programas de entretenimento facultados pelas companhias aéreas; o cinema brasileiro ganhou vastos mercados; o estilo brasileiro, com o seu toque de exótico e colorido, prendeu muitos amantes do diferente.
Contudo, o Brasil, inerte e incapaz de projectar o seu grande potencial, continua comodamente a viver do esforço português. É inacreditável que esta inércia continue sem que as nossas autoridades elejam o tema como tópico para uma das habituais cimeiras luso-brasileiras. O Instituto Camões, quase falido, vai trabalhando por esse mundo fora para a diplomacia económica brasileira. O Brasil não tem um leitorado, uma revista cultural, um programa de ensino da língua comum, nem se predispôs enviar mais que 50 míseros professores para Timor-Leste, contrastando com os 150 portugueses que ali desenvolvem verdadeira missionação linguística há mais de quinze anos. É um escândalo que tal gigante se reduza voluntariamente ao papel de colosso sem vontade.
MCB
https://www.facebook.com/jose.barbarabranco





quinta-feira, junho 21, 2012

Portugalidade

Existem muitas opiniões sobre a colonização portuguesa no Mundo. Principalmente sobre o que fôram os últimos 60 anos e durante os quais se desenrolaram as guerras de libertação. Mas não é exactamente esse o ponto do assunto de hoje. O assunto recai sobre essa mesma colonização, mas com relação a Timor-Leste, que foi diferente de tudo o mais.
Foi a Província Ultramarina mais esquecida pela Metrópole e, por incrível que pareça, a mais embebida de lusitanidade.
Ainda há pouco tempo numa das páginas do Facebook dedicadas a Timor-Leste, li uma troca de opiniões (nos comentários) sobre uma postagem. Um dos "contendores", pessoa com elevado grau de conhecimentos sobre a história da permanência portuguesa naquele Território, acabou por me deixar revoltado. E porquê? --- Porque só quem viveu algum tempo em Timor, enquanto território português, poderá pronunciar-se sobre o relacionamento entre nós e eles. Sempre existiu e continúa existindo algo de mágico entre portugueses e timorenses que eu não consigo explicar.
A foto que aqui coloco para ilustar a minha postagem foi tirada em Díli, momentos após o término do jogo de futebol entre Portugal e a República Tcheca, pelos quartos de final da Eurocopa, o qual os portugueses venceram por 1 x 0.
Sem qualquer informação a respeito, o observador que nunca tenha estado em Timor jamais associaria essa foto àquele País. Tenho a certeza que pensaria tratar-se de um ponto qualquer em Portugal.
Está aqui, portanto, uma imagem real a dizer-nos tudo aquilo que não conseguimos explicar...


Foto de Natália Carrascalão Antunes (in Facebook)