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domingo, julho 31, 2022
domingo, março 11, 2012
Herois Esquecidos
No passado dia 29 de Fevereiro faleceu em Odivelas
(Portugal) o sr. José Aldeia Soares, que teria entre 65 a 67 anos. Não consegui
obter a sua data de nascimento mas, pela época que entrou no exército,
enquadro-o na minha faixa etária que é essa.
Afinal, quem foi José Aldeia Soares? --- Ele foi um
soldado de Cavalaria mobilizado para cumprir uma comissão de dois anos na então
Província Ultramarina da Guiné.
A Companhia de Cavalaria 1748 a que pertencia,
embarcou para a Guiné em 20 de Julho de 1967 onde chegou no dia 25, ficando
instalada em Bissau, com a missão de protecção e segurança das instalações e
das populações da área.
Entre 12 e 20 de Setembro desse ano, escalonadamente,
seguiu para Bula, afim de efectuar o treino operacional, tomando parte de patrulhamentos,
emboscadas e batidas nas regiões de Inquida, Quitamo, Blequisse e Bofe,
recolhendo a Bissau em 6 de Outubro de 1967.
Em 8 desse mês a companhia assume a responsabilidade
pelo subsector de Contubuel, destacando pelotões para Sare Bacar e Sumbungo,
sendo este deslocado para Geba e posteriormente para Dulo-Gengele.
Em 18 de Fevereiro de 1969 a subunidade é rendida,
fica transitoriamente em Bissau e segue mais tarde para Farim, onde assume a
responsabilidade deste subsector, integrado no dipositivo do Comando
Operacional nº 3, até 1 de Julho de 1969. Regressa à Metrópole em 7 de Junho
desse mesmo ano.
Na foto aqui publicada, José está à nossa direita e a
seu lado o seu irmão António que foi combatente em Angola.
Gostaria de ter uma foto dos dois, daquele tempo em
que foram valorosos soldados, mas não consegui e acredito que seja uma tarefa
muito difícil. Cavalaria, por exemplo, era uma Arma de elite e à qual eu também
pertenci. O José certamente que estaria imponente e galhardo numa foto
contemporãnea. Infelizmente, a exemplo de outros meios de comunicação, a foto
disponível é esta e mostra uma terrível realidade --- a dos Antigos Combatentes
Sem-Abrigo.
São algumas centenas de camaradas que preambulam por
esse país fóra (Portugal) ou que vivem em praças e jardins ou sob as marquizes
dos prédios. Encontramo-los fàcilmente. Se um indivíduo nessa condição
aparentar ser sexagenário, podemos ter a certeza de que se trata de um antigo
combatente que acreditou estar defendendo o território pátrio num qualquer dos
5 continentes... Ninguém escapava a uma dessas missões.
Os sucessivos governos jamais se preocuparam em
providenciar os vários tipos de assistência a que esses antigos soldados têm
direito e de muito precisam. Uma "pensão de guerra" deveria ser atribuída
a cada um de todos nós que démos 4 anos das nossas vidas no serviço militar com
todas as consequências pessoais negativas. Uma assistência médica gabaritada e
constante, principalmente aos traumatizados, seria mais importante ainda.
Infelizmente não temos nada disso e mostraram essa realidade estes dois irmãos
da foto.
Num apêndice, lembro aqui que muitas vezes, na minha
idade de criança, via andar pelas ruas de Estremoz um senhor mal cuidado a que
todos chamavam de "gaseado". Era como uma alcunha e a maioria,
como eu, não fazia a mínima ideia do porquê da mesma. Anos mais tarde, juntando
todas as peças, descobri que aquele senhor fôra um dos soldados portugueses que
combateram na França e, devido às bombas de gás ficou gaseado. Vê-se aqui a
ausência da devida assistência por parte do governo de antanho e leva-nos a
confirmar que todos fôram e continúam sendo omissos.
Agora o António continúa sózinho lá em Odivelas
aguardando o momento de se juntar nòvamente ao seu irmão José.
Quem sabe se um dia um governo decente olha para essas
mazelas e imita os de outros países que também tiveram as suas guerras e tratam
os seus antigos combatentes como herois e com dignidade.
Um grande abraço ao camarada José Aldeia Soares com o
desejo que, finalmente, descanse em paz.
sábado, outubro 24, 2009
Gindungo
Não conheço a planta; só conheço o molho do fruto...
Consegui algumas sementes, oriundas de Angola, através de um amigo de Portugal. Plantei-as em vasos aqui no Brasil, em Janeiro passado (Verão).
Depois de terem nascido algumas ervas que eu descartei por me parecer não ser o gindungo, finalmente nasceu essa folhagem nos pontos em que coloquei as sementes. Na internet não consigo achar foto da planta; só dos frutos. Assim, pergunto a quem saiba: isso é gindungo?segunda-feira, julho 20, 2009
África -- Pós colonialismo
Entrevista com Mia Couto - Julho 2009
João Fellet 07/07/2009
Não contei aqui sobre um dos pontos mais altos da minha viagem: quando, em março, em Maputo, entrevistei o escritor Mia Couto cuja obra costuma ser comparada, no Brasil, à do Guimarães Rosa.
Por uma hora, conversei com ele, entre outros temas, sobre a relação da África com o mundo, o cinismo que houve na comemoração da eleição do Obama no continente africano, o falatório gerado pelo acordo ortográfico nos países lusófonos e como moçambicanos e angolanos lidam com a sua antiga metrópole, Portugal.
Editar esse material provou-se quase impossível, já que, como notarão, em momento algum o Mia deixa de apresentar pontos de vista instigantes e originais sobre os assuntos propostos.
***
O continente africano está vivendo o ciclo de crescimento econômico mais vigoroso desde o fim da era colonial. Entretanto, há casos notáveis de retrocesso, como o do Zimbábue, e vários outros países, como o Congo Democrático e o Sudão, vivem grande instabilidade política e social. No geral, a África está avançando?
MIA - Sim, o problema é que não se sabe para onde, qual é a direção desse progresso – progresso entre aspas. A África tem 30, 40 anos de independência e, feito um balanço, não se sabe se houve um crescimento. No conjunto, provavelmente sim, não sou da tribo dos “afropessimistas”.
Mas vive-se hoje em grande parte do continente africano pior do que se vivia no tempo colonial!?
MIA-A relação da África com o mundo não mudou e continua sendo uma relação colonial – nem sequer vale a pena chamá-la de neocolonial. A África não pode mais se entregar às mãos dessas elites que são predadoras e vorazes no consumo da riqueza, no que também não houve uma mudança. A África sempre teve uma relação em que elites minoritárias vendiam todos os recursos para o exterior. O que houve foi uma espécie de passagem de testemunho, uma mudança de turno, e só.
Como contrapor essas elites num continente em que praticamente não há classe média?
MIA - Imagino que surgirá uma pequena classe média a partir de conflitos internos. A África não é diferente do resto e sempre evoluiu por motores internos. São conflitos que estão surgindo hoje e são visíveis por exemplo aqui, em Moçambique, e na África do Sul, onde, além daquilo que são as forças históricas de contraposição política, estão surgindo outras. Há qualquer coisa nova no panorama em que a divisão não é mais aquela herdada do pós-independência, em que há os heróis libertadores de um lado, intocáveis, e do outro aqueles tidos como saudosistas do passado colonial.
Os confrontos em Maputo no ano passado causados pelo aumento do preço dos transportes e que resultaram em quatro mortes mostram que o país tem uma bomba-relógio nas mãos?
MIA – Sim. Para explicar o que houve, o governo recorre à teoria da conspiração: há uma mão organizou aquele movimento com intenções malévolas. Do ponto de vista da realidade social, isso corresponde a uma profunda insatisfação. As pessoas entraram em choque de incompatibilidade com esse sistema de funcionamento, de administração da sociedade.
Como fazer com que o país mantenha o ritmo de crescimento e reduza as tensões sociais?
MIA – Darei a pior resposta, porque, sendo escritor, tenho muito pouco a dizer sobre o assunto. Mas acho que o que mais falta faz é criar um pensamento produtivo. Perceber que esse discurso de culpabilização do outro, de invenção de inimigos, está gasto, sem perceber que é preciso encontrar caminhos novos, que é preciso encontrar uma outra maneira de construir a economia. Esse é o grande desafio.
Com a crise econômica mundial, o discurso sobre a importância do Estado na economia ganhou força no mundo todo, e em Moçambique o presidente Armando Guebuza disse que é preciso evitar que Moçambique se globalize. Isso não é nocivo para um país que, aos poucos e com sucesso, vinha abrindo a sua economia?
MIA – Acho que Moçambique não notou grande diferença porque nunca saiu desse discurso dirigista. Passou de um socialismo para um capitalismo de Estado, digamos assim, em que há uma enorme promiscuidade entre assuntos do Estado e negócios pessoais.
Moçambique tem sido considerado um “caso de sucesso” por muitos organismos internacionais, por ter conseguido conciliar abertura política com desenvolvimento econômico. Esses elogios não fazem mal ao país?
MIA – Fazem muito mal. Enquanto não houver razões endógenas para estarmos felizes conosco próprios e sermos confrontados com o modelo que nós próprios criamos, seremos os bons rapazes, mas da festa dos outros.
Na reunião da União Africana (UA) em fevereiro, o ditador líbio Muammar Gaddafi foi mais uma vez o centro das atenções com a sua defesa da unificação política imediata do continente. Qual o mal que atitudes e lideranças como essas causam ao continente?
MIA - Acho que isso tudo é uma obra de fachada. Nenhum país africano tem crença na UA a ponto de abrir mão da sua posição no mundo. A UA serve como um patamar para que a maior parte das elites dirigentes da África possa ter alguma posição de consenso, algum ponto de força, mas, de resto, ninguém acredita nela. É mais uma obra de teatro a que eu, como escritor, tiro o chapéu.
E a complacência em relação ao ditador do Zimbábue, Robert Mugabe? Até onde vai a lealdade da classe política dos países vizinhos, Moçambique incluído?
MIA – É preciso que novas gerações, como em Botsuana, surjam. Pessoas que não estejam ligadas a esse tipo de laços históricos, a compromissos pessoais que prejudicam todo o resto. Essa gente se conhece toda, são amigos, fazem parte de um clube. E mesmo que tenham divergências políticas, nunca vão o declarar publicamente. Há aqui uma espécie de sabedoria palaciana. Alguns terão vontade de criticar, porque acham que a posição do Mugabe é insustentável, mas há outros que o admiram, embora não tenham a coragem de dizer, como alguém que teve coragem de bater o pé contra os ricos, o Ocidente. E há um grande desconhecimento sobre a situação interna no Zimbábue. A ideia é que tudo isso que chega é terrível, mas não é verdade, foi fabricado pelo Ocidente.
E Moçambique? Aqui ainda é forte o discurso de atribuir aos outros o atraso do país?
MIA – Moçambique teve um percurso diverso. O discurso de demagogia está presente, mas não é predominante. Hoje já há uma apreciação de que é preciso buscar as responsabilidades dentro. Mas isso foi fruto de muita briga na sociedade civil, para que os dedos que estavam apontados para fora fossem apontados para dentro.
Como é a relação de Moçambique com Portugal?
Em Angola, a outra grande ex-colônia portuguesa na África, jornalistas portugueses foram impedidos de cobrir as últimas eleições, em 2008, acusados de participar de um complô contra o país…
MIA – Isso tem a ver com questões que não são só políticas. Lembro-me de uma vez em que estive em Angola e, numa mesa de 20 angolanos, todos negros, perguntei como se dizia feiticeiro numa língua nacional angolana – queria saber as semelhanças com as palavras usadas nas línguas moçambicanas. Ficou um silêncio gelado. Nenhum deles sabia falar uma língua de Angola, exceto o português, que também é uma língua angolana. Aquele silêncio congelou-me e de repente começaram todos a explicar que não se sentiam verdadeiramente africanos. Era uma coisa quase, digamos assim, psicanalítica. Era preciso encontrar uma explicação de sua angolanidade. E isso tinha a ver com a necessidade de marcar Portugal por uma via ainda de briga, de afirmação.
E em Moçambique, isso não ocorre?
MIA - Não. A relação da língua que citei não é inócua. A língua é uma forma de estar no mundo, é uma relação consigo própria. Grande parte dos dirigentes angolanos não fala nenhuma língua bantu. Já os dirigentes moçambicanos sabem e têm uma relação diferente com isso, resolvida. Resolver essa relação com o português enquanto língua passa muito por resolver a relação com o português enquanto povo. Aqui, a questão não está completamente resolvida, claro, mas os portugueses são para nós como os franceses, os ingleses…
Lembro-me de amigos brasileiros cá em Moçambique que foram ver um jogo entre Brasil e Portugal. Eles esperavam que os moçambicanos fossem torcer pelo Brasil, afinal Portugal foi o colonizador. Mas não, torceram para Portugal. Não acho que seja nem bom bem mau, mas há uma relação livre com isso.
No Brasil, muito pouco se sabe sobre Moçambique. A recíproca vale?
MIA - Não. Os moçambicanos têm aquele complexo de ilhéu, como se vivessem numa ilha, e portanto voltam-se ao mundo. O moçambicano médio, que tem escolarização baixa, sabe do Brasil o que os brasileiros não sabem sobre Moçambique, mesmo os brasileiros acima da média.
Embora a relação do Brasil com os outros países lusófonos seja distante, com a exceção talvez de Portugal, o acordo ortográfico teve uma repercussão enorme no país. Como acompanhou a questão?
MIA - Faz parte da nossa cultura, enquanto países lusófonos, enquanto família, celebrar as coisas dessa maneira: ou em carnaval, em grandes festas, ou em dramas existenciais, coisa que nem os francófonos, nem os anglófonos têm. Estamos sempre a indagar: será que existe a lusofonia? É uma coisa quase paradoxal: existimos na medida em que duvidamos da nossa própria existência e investimos nessa polêmica. O que vale é que, para além disso que é o lado oficial da lusofonia, há outras coisas que acontecem e que estamos a discutir aqui, como o como o fato de os moçambicanos se informarem sobre o Brasil, a ligação histórica entre os países…
Acho que essa polêmica em relação ao acordo foi muito insuflada pela parte portuguesa – os países africanos nunca fizeram grandes questionamentos. Também acho que é preciso justificar tão intensamente a razão de ser desse acordo ortográfico que, logo à partida, já tenho dúvidas se algo que precisa ser tão justificado tem alguma razão de ser. O triste é que se deu tanta importância a essa discussão e outros debates essenciais e que têm a ver com a nossa ligação mais profunda ficaram à margem, e assim vão continuar.
Depois de irem para Angola, as empresas brasileiras começam a chegar a Moçambique – a Vale e a Odebrecht recentemente anunciaram investimentos no país. Será que essas relações comerciais podem aproximar os dois países?
MIA – Acho que sim. Essas companhias vêm para cá para fazer negócios, mas elas se apresentam como tal, não têm uma fachada de cooperação, de troca de amizade. São relações comerciais, empresariais, mas que por arrasto trazem outras coisas, como brasileiros trabalhando em Moçambique ou em Angola, moçambicanos trabalhando nessas companhias, e assim surgem coisas em paralelo.
Acredito mais nesse tipo de relação do que em qualquer outra. O resto é sabotado por intenções políticas, é fabricado como uma bola de sabão.
Qual a sua opinião sobre a crescente presença chinesa na África?
MIA - Não vejo isso como um problema. Devia era haver chineses, indianos, brasileiros, vários povos cumprir a nossa vocação. Já que temos de ser colonizados por uns, seremos por todos.
Mas não acha que a troca com a China, em particular, é nociva na medida em que não resulta em transferência de tecnologia?
MIA – Isso, sim. Os chineses têm dessas atitudes. Na área ambiental, que é a minha, não existe nenhum cuidado nem pressuposto… é um paradigma que está ausente. Existe também uma dificuldade, que faz parte da história dos chineses – os chineses nunca tiveram esse tipo de relação com outros povos –, e com eles troca-se muito pouco. Há outra coisa perigosa, que é a posição mais pragmática em relação regimes políticos. Não lhes interessa o regime político que há em África. Mas, na verdade, a posição seletiva do Ocidente sobre quem são os bons e os maus é um critério muito falível. Achavam maus os dirigentes da Guiné Equatorial até se encontrar petróleo – de repente, já eram bons rapazes. Mas, de resto, os chineses têm uma cultura de trabalho que pode nos ser útil.
Quando o Obama venceu a eleição nos EUA, você escreveu um artigo dizendo que ele jamais seria eleito num país africano (porque, entre outros motivos, ele não seria considerado um “africano autêntico”, por ser mulato e filho de imigrantes). Acha então que a vitória dele foi exageradamente comemorada no continente?
MIA - O artigo que escrevi para um jornal em Moçambique não estava a falar do Obama em si, mas dos regimes africanos, e contra esse cinismo de celebração do Obama. O principal fator pelo que o Obama é celebrado – a questão racial – foi construída.
De repente, o Obama aqui já era negro. Em Moçambique, e na maior parte dos países africanos, na rua, ele seria um mulato. Mas havia uma necessidade de construir um ídolo. Obviamente ele vai desencantar esse tipo de pessoa que investiu nele – como fez até o Mugabe, ao dizer que “finalmente um irmão chega ao poder”. Para essas pessoas, ele vai passar de herói a vilão num clique de dedos.
A identidade de alguém é definida pela cor da pele, por relações de natureza genética, ou pela sua própria história individual? No caso do Obama, todos sabemos que ele é muito pouco ligado à África. Ele é filho de um africano que se desligou, de um imigrante americano. Isso foi esquecido, posto à margem para a celebração, o que também mostra que há um sentimento de falta de auto-estima, uma necessidade de ter projeção em pessoas, ídolos, que continua a ser muito forte na África.
A África é provavelmente o lugar do mundo em que a telefonia celular mais transformou a sociedade até porque, em muitos lugares do continente, ela chegou antes que a telefonia fixa. E em países como o Quênia e a Tanzânia, os celulares já são usados para fazer transferência de dinheiro, mesmo por camponeses. Você acompanha essa revolução tecnológica?
MIA – Tenho uma relação muito difícil com o celular – fui o último da família a tê-lo, porque achava que perderia a minha privacidade e não queria depender de uma máquina. Mas percebo que, do ponto de vista social, é uma espécie de instrumento de democratização, que de fato mudou a vida de muita gente. É preciso pensar que num país onde as pessoas não se comunicam, onde tudo é distante, de repente tudo se tornou mais próximo. Há aqui uma porta, um canal de unificação, que coloca o rico e o pobre em pé de igualdade perante essa possibilidade de se comunicar. É fantástico.
Fonte: http://candongueiro.wordpress.com/2009/07/07/mia/
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domingo, março 08, 2009
Catana: ferramenta ou arma?
Catana. Nestes dias tem-se lido bastante na imprensa sobre acontecimentos em que esse utensílio, ou ferramenta, é protagonista de peso. Mas, afinal, não seria uma arma?!
Resolvi escrever alguma coisa a respeito e pensei, como quase sempre faço, em procurar uma imagem para ilustrar a postagem. Por incrível que pareça, tive muitas dificuldades em achar na internet e o que mais aparecia era a versão japonesa "katana" que, sendo da mesma família e que até poderá ter dado o nome à outra, a que está em questão, é bem diferente e mais sofisticada.
Pensando e repensando, de repente acendeu-se uma luz. Na bandeira de Angola tem uma catana no símbolo e é essa exactamente a figura que eu procurava. Só teria que trabalhar a imagem no paint e foi o que fiz. Desenhar uma e digitalizar, seria muito mais trabalhoso...
E já que Angola apareceu aqui, quase do nada, só por causa da procura de uma imagem, o meu pensamento acabou por voar para os primeiros anos da década de 60 quando começaram os distúrbios no norte daquela então Província Ultramarina Portuguesa. Foram momentos muito trágicos e a "catana" era a grande e principal arma.
Cheguei ao cerne da questão: desde aqueles tempos até aos nossos dias, a catana deixou de ser um utensílio ou ferramenta e passou a ser, realmente, uma arma de ataque bárbaro. Nino Vieira na Guiné e quatro elementos da Guarda Nacional Republicana (portuguesa), servindo em Timor-Leste, fôram vítimas dos seus golpes.
Hoje não irei abordar os acontecimentos em si. Possívelmente meterei a minha colher nos de Timor amanhã. Só pretendia escrever um pouco sobre a catana e acho que consegui.
segunda-feira, outubro 27, 2008
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