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terça-feira, abril 01, 2014

45º Encontro Nacional


18 de Maio de 2014 (Domingo) 10 horas

 
Fazendas de Almeirim, Almeirim, Quinta da Feteira
Distrito de Santarém
GPS: N:39º 11'28" - W 8º 35'52"
 
Comissão Organizadora do XLV Encontro Nacional de Expedicionários a Timor: Avenida António dos Santos - lote 2 - 1º dto, 2000-074 - Santarém.
Telef. 919730200 - 962435705 - 967571398 e 919227007  manuel.martinho.santarem@gmail.com.
Responsáveis: Manuel Martinho, Herminio Jorge, Victor Murteira e José Lage



 

domingo, julho 24, 2011

Ramal Lisboa - Évora

Esta é uma notícia publicada no jornal da minha terra "Brados do Alentejo". Ela diz o seguinte:

"A CP vai lançar no próximo domingo, 24, uma nova oferta de Lisboa para Évora com quatro "intercidades" diários em cada sentido (dois de manhã e dois à tarde) que vão demorar apenas uma hora e vinte e um minutos entre Sete Rios e Évora, segundo anunciou o jornal "Público" na sua edição de terça-feira, dia 19.
De acordo com aquele diário, os "Intercidades" para a capital alentejana serão compostos por locomotivas 5600 (aptas a circular a 200 km/h) e três carruagens. O jornal adianta ainda que não haverá serviço de bar e que os comboios partem da Estação do Oriente, com paragens em Entrecampos, Sete Rios, Pragal, Pinhal Novo, Vendas Novas e Casa Branca. Mas um em cada sentido terá paragem em mais estações para assegurar algum serviço regional (demorando mais 10 minutos na viagem).".

Tenho 66 anos e fui usuário contumaz dos comboios daquele trajecto em toda a minha juventude e mais esporàdicamente na idade adulta. Sempre tive preferência pelos comboios porque me ofereciam mais tranquilidade e segurança, mesmo sabendo que poderia demorar o dobro do tempo ou até mais nas minhas idas de Lisboa a Évora e vice versa.
Durante o período do serviço militar que cumpri nas cidades de Santarém, Sacavém e Lisboa, por imperativo da ultra frágil situação económica pessoal, o meio de locomoção mais usual era a tradicional boleia (carona), mesmo sendo imprevisível o sucesso e horário de chegada ao destino. Muitas vezes dormi na estrada... Porém, "viciado" que me tornei nas boleias, vez ou outra usava o comboio.
Nas boleias a variedade de personalidades que encontrava era impressionante e, porque assim, gradativamente fui-me formando em psicologia nas verdadeiras estradas da vida. Para todo o tipo de assunto puxado à conversa, eu acabava por vencer a minha natural e exacerbada timidez e surfava, entendido, por uma multiplicidade de temas.
Nos comboios era muito diferente. Não havia pròpriamente a obrigatoriedade ou necessidade de entabular uma conversação com quem quer que fosse. Principalmente por se tratar de uma viagem maçadora e demorada, a maioria dos passageiros cochilava, fingia que dormia ou dormia mesmo, alguns até ao ponto de passar o destino sem acordar...
Para mim a viagem já era aproveitada de maneira diferente. Por ser "chata" para a maioria, sempre havia uma explosão de reclamações, algumas com e outras sem fundamento. Pela vagareza e quando de dia, a paisagem oferecia mil mistérios a desvendar. As paragens nas estações com embarques, desembarques e baldeações, estas últimas sempre na Estação de Casa Branca atendendo passageiros que íam ou vinham do Baixo Alentejo e Algarve, eram um verdadeiro maná de detalhes que eu guardava na cachola e muito me divertiam. Muitos eram militares e os assuntos por eles tratados eram para mim de suma importância, principalmente os que íam ou vinham de Tavira. Claro que isto quando eu também era militar...
A última vez que usei essa linha ferroviária, já lá vão alguns anos, oi numa ida a Portugal e coincidiu com uma greve geral nesse tipo de transporte. A travessia do Tejo num do barcos da CP já foi um pouco conturbada, mas completou-se até ao Barreiro. Ali o embarque no comboio já foi complicado e a partida demorou horas. Em todas as estações ficava parado por tempo sem fim, numa verdadeira afronta aos utentes. Sempre achei que jamais deveria haver greve nos serviços essenciais, apesar das minhas preferências esquerdistas...
Muito bom saber que no momento em que escrevo esta crónica já terá sido inaugurado esse novo serviço ferroviário. Nem preciso dizer que já estou ansioso por embarcar num desses comboios quando agora for a Portugal. Colherei muitos detalhes e imagens para poder colocar aqui depois. Posso até já adiantar que, mesmo ainda não ter conhecido tudo isso, seria uma boa ideia as autoridades estudarem a possibilidade do prolongamento do trecho até à fronteira com a Espanha em Elvas.
Muitas das linhas e belas estações estão desactivadas por esse país afóra. Que maravilha seria este ser um exemplo a seguir, pois ajudaria até na superação da actual e futuras crises. Os transportes mais baratos, seguros e gostosos. Afinal, em toda a Europa sempre foi e é assim.



sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Tropa

Não sou e nunca fui chegado a gays. Também não gosto desse termo e prefiro usar os nossos castiços como paneleiros, viados, bichas, maricas, bambis.Uns usados em Portugal e outros no Brasil. Acrescento ainda que só estou abordando o assunto e chafurdando no pântano porque um dos verdinhos falou coisa que vai dar muito pano para mangas.
Antigamente sabía-se que fulano era maricas por se ouvir falar ou por testemunho de alguém que provou a fruta. Tudo confidenciado. A própria postura em público era discreta e se se denunciava alguma anomalia pelo jeitinho, nada ía além de comentários sem afrontas. Assim, todos eram obrigados a prestar serviço militar e o desempenhavam por igual. Lógicamente que me atenho à realidade portuguesa da qual tenho total conhecimento, mas os fundamentos são universais.
Nos tempos modernos essa classe foi ganhando atenção e privilégios, atropelando a constitucionalidade do “somos todos iguais”. Por isso, eles desmunhecam em público e têm postura escandalosa. Soltam a franga com a maior facilidade. Perante isto, acho eu ser a explicação para os bichinhos e temores deste e de , quiçá, outros Generais.
Mas eles não podem formar uma opinião desse calibre, porque dentro dos quarteis o buraco é mais em baixo. Lá eles, comandantes, têm todo um arsenal de regulamentos e punições para os que os desrespeitem. Se o indivíduo chegou a sargento ou oficial é porque tem estudos e competência para tal. Sei que tem muitos bambis lá dentro e jamais tive conhecimento de excessos nesse campo.
Durante o meu curso de Sargentos Milicianos em Portugal, passei 3 meses da primeira fase na Escola Prática de Cavalaria --- Santarém. Ali percebi que era tudo macho; a tropa e os poucos cavalos, pois estes fôram substituídos por carros de combate. Porém, na segunda fase do curso, desta vez na Escola Prática do Serviço de Material --- Sacavém, já notei estranhos no ninho… Tinha uma bichinha endinheirada que pagava todos os serviços de escala e jamais dormiu na caserna. Tinha um alferes miliciano, este sim paneleiro.
Lembro-me que este alferes nos dava aulas e tinha o hábito de provocar alguns de nós com um jeitinho diferente. E daí? Eu ficava furioso, acredito que os demais também, mas jamais tirámos algum tipo de sarro ou desobedecêmos a ordens. Era um alvo a ser abatido por bala perdida se porventura a nós reunido na guerra de África mas, mesmo isso teria que ser muito bem feito…
Num teatro de guerra não existe essa coisa de desvairos. Ali são todos iguais na percepção,responsabilidade, universalidade e bravura. Quem comanda sabe o que está fazendo e nem tempo tem para pensar que é diferente. Ali não há diferenças. Conheço e posso afirmar!

domingo, novembro 01, 2009

Amigos

“Eu quero ter um milhão de amigos…” é um trecho de canção cantada por Roberto Carlos. Não sei se o título também é esse, bem como também não sei se o cantor é, ao mesmo tempo o compositor e se alguém tem um milhão de amigos. Parece que sei muito pouco, mas acho que é mais porque nunca fui muito admirador do citado…
Um milhão de amigos eu tenho a certeza que jamais teria na minha vida e não tanto pelo meu caracter, mas naturalmente, pelo tempo que vivemos e pelo espaço que é exíguo em relação ao número. Além de tudo, amigo é um grau difícil de alcançar nas triagens a que submetemos as pessoas com quem nos relacionamos. Daí que muitos confundem conhecidos como amigos.
Amigo, como diz outra canção, “é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito”. E eu guardo no meu alguns de quem me lembro do nome ou não. O nome vamos esquecendo com o decorrer do tempo, mas a imagem de todos ou algumas passagens em que fôram protagonistas permanecem.
Sou uma pessoa que jamais perdeu o hábito de tentar reencontrar muitos desses amigos, senão todos, que há muito deixaram de conviver comigo. Nem que seja só para um cumprimento ou uma troca rápida de palavras conforme as circunstâncias. Aqui mesmo, neste espaço, já coloquei alguns nomes na esperança de encontrar alguém, tipo um apêlo, bem como outras histórias já escrevi e subordinadas ao mesmo tema.
Uma época que muito marcou a minha vida e a da maioria dos então jovens portugueses, foi a dos anos 60. Devido à situação de guerra que o Portugal travava nas colónias.
Naquele tempo poucos escapavam de vir a transformar-se em carne para canhão e, por isso mesmo, desde o primeiro dia em que nos alinhávamos, compulsóriamente, nas fileiras castrenses, até ao dia da passagem à reserva, processava-se no meio um relacionamento com sulcos profundos de amizade e solidariedade.
Por isso, são frequentes os encontros de confraternização de ex combatentes ou simplesmente  ex expedicionários, pois é grande essa força mobilizadora em cada um. Por isso, também, existe grande grande número de sites e blogues na Internet inerentes a essa época e circunstâncias.
Tenho participação interactiva em algumas dessas páginas e até já encontrei alguns ex camaradas. Poucos, mas encontrei…
Há tempos atrás, reconheci um deles através de uma foto recente e esta mostrava os mesmos traços de há 40 anos… O indivíduo não mudara nada e logo identifiquei ali o “Malveira”, apelido pelo qual era tratado na tropa.
O “Malveira” era companheiro de pelotão na recruta que fizémos na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, no Curso de Sargentos Milicianos. Ele acabou por ir para a especialidade de Intendência e eu para a de Serviço de Material. Ele para Moçambique e eu para Timor.
Enquanto em Santarém, todos os fins de semana em que íamos para as nossas cidades para os passar com a família, nós dois ficávamos num ponto da estrada que levava a Lisboa e ali pedíamos boleia (carona) aos veículos que passavam. O dinheiro era curto ou simplesmente inexistente para pagar passagens. E até pulávamos o muro de alguma quinta para conseguir colher alguma fruta, principalmente laranjas, quando a fome apertava.
E foi essa história das laranjas que eu citei num e-mail que enviei ao “Malveira”, quando o descobri naquele site, como ponto de referência para que ele se lembrasse de mim. Tinha a certeza que se iria lembrar! Mas a minha surpresa e decepção foram muito grandes quando, simplesmente, respondeu serem aqueles actos de surrupiu da coisa alheia algo reprovável e dos quais não se lembrava. Assim mesmo. Curto e grosso.
Hoje, mais uma vez, naveguei na Internet e visitei alguns desses sites que referi. Encontrei o do Batalhão de Caçadores 1916 e lá estavam algumas fotos do meu camarada quando da sua estadia em Mueda, Moçambique.
Como as fotos estavam abertas a comentários, numa delas deixei o meu referindo-me às laranjas… E fiquei pensando que nem a mil amigos eu chegarei, quanto mais a um milhão…

sexta-feira, outubro 09, 2009

Colegas de Timor

Vitor Murteira fez um comentário numa das minhas postagens dizendo ter estado em Timor na mesma época que eu, e que actualmente reside em Santarém. Pediu para que eu entrasse em contacto, mas não deixou um endereço válido.
Amigo Murteira, envie-me um e-mail para que eu lhe possa responder. Obrigado.