quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Rua da Atalaya

Uma rua representativa, plebeia e nobre ao mesmo tempo, mantendo o mesmo nome desde o século XVI, hoje simplesmente popular no Bairro Alto. Tem, ainda, o pitoresco do lugar, no cariz dos edifícios, nos prédios côr de rosa, nos velhos palácios adormecidos e sem fidalgos, com a sua nota de poesia e cor nos canteiros floridos das sacadas.
Tenho algumas histórias incríveis a contar e passadas nessa rua. Tanto assim, que é ponto de romaria sempre que vou a Lisboa.
Todos os dias por lá passava a pé ou de elétrico (como pendura), pois era uma transversal à Calçada do Combro onde ficava a Escola D. Maria II e onde eu passei a estudar aos 15 anos de idade, recém vindo de Évora. 
Não vou na rua da Atalaya há, pelo menos 5 anos, pois na última estadia em Portugal coisas muito importantes me ocuparam na totalidade os 90 dias no Alentejo. Não sei como andam as coisas por lá, mas é natural que tenha havido grandes mudanças.
Com o número 124 na mente, procurei na internet mas não o encontrei. O que será lá agora? Talvez uma pensão, quem sabe? Ou um escritório de advogados, um cabeleireiro, como no 104 (Bar 104), um restaurante do 13 ao 15  (Mascote da Atalaia), no 160 (Bar Janela), no 57 outro restaurante (Papa Açorda) e uma pensão no 150. A relação é longa...
Na próxima vez que for a Lisboa passarei por lá e fotografarei o tal 124 da Rua da Atalaya. Ali, no primeiro andar, era uma acolhedora casa de prostituição com um apreciável número de meninas. Muitas vezes ali lancei âncora para me abrigar do frio e, finalmente, concretizar a minha primeira vez. Outras tantas vezes fui convidado a sair porque a minha timidez não atava e nem desatava e ali era uma casa de negócios. Muitas outras casas do gènero por lá havia, em quase todas as ruas do Bairro. Mas aquela sempre foi especial para mim.
Mantenho até hoje comigo uma daquelas agendas de bolso onde escrevia uma espécie de mini diário. Lá anotava tudo o que eu considerava um acontecimento importante. E o acontecimento desta história está lá...
Com alguns amigos de Évora, estava acampado na Península de Troia em Setúbal. Naquela tarde resolvi dar um pulo a Lisboa e fui directamente ao 124 com 50 escudos, além do dinheiro das passagens. Sentei-me, como habitualmente, naquele banco corrido de madeira e, a certo momento, fiz sinal para uma das profissionais disponíveis, esta aparentando ter, pelo menos, mais 30 anos que eu... 
Era muito grande a ansiedade, algo que sempre acontece na primeira vez de cada um. A coisa foi tipo galo --- vapt e vupt. Naturalmente que eu queria bis, mas para bisar seria pagamento dobrado. E eu estava têso em todos os sentidos...
     

1 comentário:

Bernardino Barnabé disse...

Cláudio, recordar é viver.
Também frequentei o Bairro Alto, quando vim para Lisboa em 1974.
O meu Bar preferido era o "MONTALTO", não me lembro se era na Rua da Atalaya ou na Rua da Rosa. Havia lá umas Meninas que gostavam de mim - do meu dinheiro.
Almoçava muitas vezes no Anibal, Papa Açorda, Cocheira e outros, porque trabalhava no Calhariz (CGD) anos 80/90s.
Abraço