domingo, fevereiro 28, 2010


Temporais, aluviões e inundações

Naquele ano de 1967 eu estava alocado no Forte da Ameixoeira aguardando a mobilização para o Ultramar. Tinha ali a minha namoradinha, Belarmina, das Galinheiras. Desde que iniciámos o namoro acabaram-se as passagens de fins de semana em Évora, pois sempre estávamos juntos, ou se lá tivesse que ir, para lá íamos os dois. Era unha com carne…
Naquela sexta-feira o programa de fim de semana começou com a nossa hospedagem num daqueles hoteis baratos perto da estação ferroviária de Vila Franca de Xira. No dia seguinte passearíamos pela região e no domingo também.
Essa noite de sexta deve ter sido uma daquelas ferventes de paixões que não conseguimos explicar e, também inexplicável por tantos anos já se terem passado. Só me lembro e disso jamais me esquecerei, que ao tentarmos sair do hotel de manhã a rua estava tomada por meio metro de lama e passavam caminhões carregando corpos humanos.
Ali, naquele momento, o nosso fim de semana terminou. Soubemos que muita coisa descera pelas encostas daquela serra próxima, devido a terrível temporal e que a extensão do problema era enorme; chegava aos arredores de Lisboa. Voltei para o Quartel e ali me juntei aos demais para fazermos parte de equipes de socorro nas povoações vizinhas.
Sei que há alguns anos atrás essa cena se repetiu e eu soube disso aqui no Brasil. Hoje deparo-me com notícia na imprensa sobre os mesmos problemas, se bem que menos graves no que se refere a perdas humanas, e originados do rio Tejo e não da serra (foto).
O que me trouxe a escrever sobre o assunto foi o eterno problema das mancadas que o bicho homem sempre deu e continúa dando. São os problemas de Angra dos Reis, da Ilha da Madeira e da zona saloia em Portugal. As coisas são denunciadas desde há muito. Os ouvidos são moucos e os grandes interesses prevalecem.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Infalível


Fidel: “La historia no te absolverá”

 

orlandozapata-240 No consigo evitar la comparación de vuestra historia inicial, la tuya, la de Raúl y la de tantos otros, con la de los que disienten en la Cuba de hoy. Un incruento golpe de Estado de Batista, en 1952, te empujó a alzarte en armas contra el dictador que violentaba la Constitución. El 26 de julio de 1953, era domingo y doscientos hombres bajo tu mando se disponían a asaltar el Cuartel Moncada de Santiago de Cuba aprovechando que buen número de soldados andaban bebidos por las fiestas del apóstol, patrón de Santiago de Cuba. Hubo muertes por ambos lados y el asalto terminó en un fracaso. Los supervivientes quedaron en manos de Batista. En el juicio proclamaste que “la Historia te absolvería”.  Ahora, existen serias dudas.
El ataque a un cuartel, por parte de dos centenares de civiles,  con soldados muertos, fue un bombazo en medio del indolente Caribe. Es lo que buscabas para atraer la atención sobre la usurpación del poder y el atentado a las libertades por parte del ex-sargento, Fulgencio Batista Zaldívar. Te defendiste tu mismo como abogado y la intervención de Monseñor Pérez Serantes, Arzobispo de Santiago, que te había bautizado, te salvó la vida. Tuviste un juez imparcial, Manuel Urrutia Lleo, que nombrarías Presidente de la República en enero de 1958.
Orlando Zapata Tamayo, de 42 años, murió tras 86 días de ayuno en protesta por el trato que se da en en la prisión de Kilo 8 de Camagüey a los presos de conciencia, muchos de los cuales cayeron en las redadas de 2003 y que, como en el caso de Orlando, sumaban hasta 25 años de cárcel por expresar opiniones diferentes de las del régimen. Recuerdo que en 1953, los supervivientes fuisteis encarcelado en Isla de Pinos donde no pasasteis más de 19 meses tu y unos cuantos más tus compañeros del Moncada. Hay que recordar que produjisteis muertes entre los soldados. Vuestras condiciones de vida no fueron tan malas cuando creaste la Academia Abel Santamarí en la que, como único profesor, adiestrabas a los hombres llamados a seguirte al exilio mexicano en Mayo 1955.
Con aquellos antecedentes, deberíais haber sido más magnánimos con los presos de la Primavera Negra a la que quisisteis dar un escarmiento. Fundador de Alternativa Republicana, el albañil Orlando Zapata Tamayo se convertía en un enemigo del pueblo por no plegarse a las consignas del régimen y querer pensar por sí mismo. ¿Por qué no expulsasteis a los presos de conciencia como hizo Batista con vosotros? Le habéis dejado morir en su huelga de hambre de 86 días. En todo país civilizado, “es un delito no prestar asistencia a persona en peligro de muerte”. Os dije que hicisteis mal en no dejar salir a Yoani Sánchez  para recibir su Premio Ortega y Gasset. Ahora habéis rizado el rizo. Muchos creíamos en la posibilidad de una Transición pacífica. Hoy dudo que sea posible. En cualquier caso, otro ilustre gallego, Francisco Franco, que afirmaba haber dejado todo “atado y bien atado”, no creáis que vuestros nudos van a ser más fuertes y duraderos.

sábado, fevereiro 20, 2010

Frutas Tropicais - Durian

Durian (Durião)--- Do sudeste asiático, o durião é uma das frutas símbolo da região e famosa por seu odor. Adorado por muitos e considerado “o rei das frutas” o durião foi banido de aeroportos, estações de trem e hotéis por causa de seu intenso mau cheiro, parecido com carne podre, esgoto e algumas outras coisas desagradáveis. Quem consegue superar a barreira do odor, garante que é recompensado com um sabor delicioso, lembrando uma mistura de creme aromatizado com amêndoas. A fruta tem presença marcante na cultura de alguns países asiáticos e é consumida normalmente no dia-a-dia, influenciando até a arquitetura de construções e monumentos.
Mas diz-se que após um bom tempo depois que é retirada da árvore, o cheiro da fruta torna-se quase imperceptível. Extrair sua polpa também é difícil e exige técnica: a casca é dura e espinhosa, enquanto que o interior é delicado.
Não sei quem um dia teve a peregrina ideia de comer algo que tanto fede, mas há quem considere o durian "o rei das frutas", devido ao seu elevado teor vitamínico.
Existem cerca de 30 espécies diferentes de Durio, mas apenas a Durio zibethinus está disponível no mercado internacional, as demais espécies são encontradas apenas no local onde elas são nativas: no sudeste da Ásia.
Além do tamanho que pode ser de até 30 centímetros de comprimento e 15 centímentros de largura.
Os filipinos têm por hábito comer o fruto embebido em vinagre de arroz. Dentre as razões do sucesso da fruta-budum estão a atribuição de poderes medicinais e afrodisíacos.

Sou Benfiquista


Amor próprio

mail.google.comSe um inglês ao passar me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: -- Pois bem! Se tens agora o mar e a tua esquadra ingente, fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente. Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa, fui eu que t'a cedi num dote de princesa. E para te ensinar a ser correcto já, coloquei-te na mão a xícara de chá...
E se for um francês que me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: -- Pois bem! Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa de ter sido cigarra antes da Provença. Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei. Antes de Montgolfier, um século, voei .E do teu Imperador as águias vitoriosas fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas o Encoberto as levou, enxotando-as no ar, por essa Espanha acima, até casa a coxear.
E se um Yankee for que me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: -- Pois bem! Quando um dia arribei á orla da floresta, Wilson estava nu e de penas na testa. Olhava para mim o vermelho doutor, -- eu era então o João Fernandes Labrador... E o rumo que seguiste a caminho da guerra fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.
Se for um Alemão que me olhar com desdém, num sorriso de dó eu pensarei: -- Pois bem! Eras ainda a horda e eu orgulho divino, tinha em veias azuis gentil sangue latino. Siguefredo esse herói, afinal é um tenor... Siguefredos hei mil, mas de real valor. Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória! Os Nibelungos meus estão vivos na História.
Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: -- Pois bem! Vê no museu Guimet um painel que lá brilha! Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha! Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça belicosa do mundo e do futuro ameaça. Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus; vejo no firmamento as estrelas de Deus, e penso que não são oceanos, continentes, as pérolas em monte e os diamantes ardentes, que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo: -- São estrelas no céu que o meu olhar, subindo, extasiado fixou pela primeira vez... Estrelas coroai meu sonho Português!
P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: -- Pois bem! Não concebo sequer que me olhe com desdém.
Por Afonso Lopes Vieira 1878-1946

Parabéns!


sexta-feira, fevereiro 19, 2010

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Díli, o Cão

Muitos de vocês á ouviram falar do meu cão por um ou outro motivo, mas sem muita importância. É um Dálmata muito bonito, de pintas pretas e muito bem distribuídas. Perfeitamente dentro dos requisitos que lhe conferem aprovação na raça quanto ao visual. No que respeita a postura, aí já a porca torce o rabo, pois é impossível adestrá-lo ao ponto de obedecer e caminhar civilizadamente junto com o dono. Atrevo-me a afirmar estas coisas porque montei um canil em 1976 --- Canil Carcavelos --- e por muitos anos só criei essa raça. Tenho muita experiência em Dálmatas.
Às vezes, achando que essa experiência me dá todo o conhecimento, chego à conclusão que na vida jamais chegamos a essa perfeição no que quer que seja.
Díli, assim se chama o meu cão, é senhor absoluto do quintal de minha casa. Antigamente não tanto, pois dividia o espaço com os falecidos Madona, Takinho e Marafisa; uma cadela e casal de gatos. Convivência perfeita e respeito mútuo.
Na situação actual eu estava crente que conhecia os porquês de todas as manifestações do Díli, principalmente quando os gatos vadios o aporrinham do telhado do rancho.
O vizinho do lado já me havia confidenciado que estava numa boa com uma viúva que conhecera e que talvez esta viesse a ocupar o lugar vazio de sua última companheira que o abandonara. Coisas do coração e da tesão… Esse dia chegou, pois vi grande movimentação de mudança e, também, o aumento da vizinhança, pois a nova companheira do meu vizinho trouxe na trouxa os filhos grandes…
E notei que o Díli estava desesperado de um lado para o outro do quintal e com várias ameaças de pular o muro para o lado do vizinho. Cheguei a encontrá-lo escarranchado de peito e patas dianteiras, tendo corrido até lá para o retirar e acalmar. Senti haver uma certa preocupação do lado de lá e conversei com o vizinho garantindo-he que tudo não era mais que o facto de ter pessoas novas e que não passaria daquele dia.
Ontem, porém, tive a oportunidade de verificar que o novo pessoal da casa trouxe consigo um gato. Não deu para ver se um gato ou uma gata. Sei só que é um belo animal. Foi aí que compreendi todo o comportamento atípico do Díli. E se realmente é gata, as coisas complicar-se-ão porque ele é capaz de querer quebrar o cabaço nela e destroncá-la depois…

Piada do dia

A Lurdes era muito religiosa e cumpria os mandamentos de Deus.
Casou-se e teve 11 filhos. Depois o marido morreu.
Passado pouco tempo, voltou a casar. Teve mais 17 filhos. Depois o segundo marido morre.

Cinco semanas mais tarde, a Lurdes morre.

No funeral, o padre, olhando a defunta no caixão, comenta:

'Ah.. finalmente juntos.'

Uma velhota que se encontrava perto perguntou:

- 'Desculpe, padre.. mas quando diz finalmente juntos, refere-se à defunta e o seu primeiro marido, ou à defunta e o seu segundo marido ?'

- 'Refiro-me aos joelhos da Lurdes... '

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Força!

 
Força, Hulk! --- Não és feirante, mas aguentas!...

Nú e crú (2)

Uma vez pensei em pedir a alguém que filmasse um dia da rotina da minha ocupação profissional actual. Muitas oportunidades eu deixei passar em ocupações anteriores e, agora, não tem volta...
Esta oportunidade surgiu agora quando da visita a Campinas de um dos meus filhos residente em Portugal. Juntou-se o meu desejo de ter uma recordação e testemunho, ao facto desse meu filho ter o mesmo gosto do pai: registar em imagens tudo o que vislumbre e ache ser digno de registo. Uma maneira, também, de mostrar aos que da nossa família lá vivem e desconhecem certos detalhes interessantes que vão além da ideia básica.
Pela limitação de recursos, uma vez que usou a filmadora do telefone celular (telemóvel), o filme ficou muito bom. Reconheço que contribuíu para o sucesso, a sua capacidade e gosto pela arte. Tudo ficou a preceito e os meus leitores podem certificar-se disso vendo o vídeo abaixo nesta página. Esse é o trabalho do meu Fellini...
O que escrevi até aqui é um alinhavo e não pròpriamente a costura da matéria de hoje, pois esta alavanca-se noutro fulcro.
Dos meus amigos virtuais, cibernéticos, pouquíssimos sabem da minha actividade profissional e até mesmo muitos pensarão que eu sou um ancião aposentado de bem com a vida; um doutor ou mais sei lá o quê numa dessas escalas burras de valores. Culpa minha que, sem motivo, não me abro tanto e culpa dos que nada me perguntaram, pois eu sou na realidade um livro aberto. Na verdade, nestes contactos na internet a limitação é a troca de simples e-mails com pps e vídeos ou curtas mensagens pessoais sem muitos agregados. E para quem tem mais de 200 desses amigos já nem tudo isso se observa em relação a todos. Li algures não sei onde, que a nossa memória não retém mais que 150...
Quando recebi já editado o vídeo, postado também no Youtube (decisão do filho...), encaminhei-o a umas dez pessoas mais chegadas a mim. Porém, mais tarde resolvi enviá-lo a todos e assim o fiz com esta mensagem introdutória:
"Aqueles para quem eu já enviei por outros meios, desprezem este e-mail.
Aqui estou enviando para a maioria dos meus amigos e amigas o link de um vídeo do Youtube. Esse é o meu passatempo diário. É uma forma de me dar a conhecer melhor quando compartilho estes detalhes com vocês. Aqui, como sempre, não existem segredos.
Beijos para elas e abraços para eles."
Recebi muitos e-mails por causa desse vídeo. Uns com rasgados elogios, outros com uma pitada de gozação e outros ainda com demonstração de surpresa e incredulidade. Um destes últimos dizia entre outras coisas:
"...Fiquei muito admirada......não sabia que era feirante. Não leve a mal por o que vou dizer......aqui em Portugal, feirante é analfabeto ou semi-analfabeto".
Conheço bem Portugal, como não poderia deixar e ser. Conheço muitos que por lá fôram feirantes e que, ao contrário de mim, já se reformaram. Todos enriqueceram. Eu ainda não!... Certos tipos são englobados num todo. É o caso dos tendeiros. Estes parecem-se muito com o feirante daqui quando se trata do meu ramo de negócio. Mas é muito diferente na essência e chegam a ser rebaixados em relação aos ciganos. Reconheço que contribuem para essa discriminação.
O feirante aqui no Brasil jamais pode significar algo abaixo na escala de ocupações. Não só eu, mas muitos também têm curso superior e optaram por esta actividade que acaba por ser muito mais rentável que a profissão a que se refere o seu curso de 4 ou 5 anos perdidos... De que adianta eu ser gerente num setor de grande multinacional (como fui, entre outros cargos), ter que andar de terno e gravata, engolir sapos às vezes e ganhar infinitamente menos que o que ganho aqui, voltando mais cêdo para casa, andando de bermudas e senhor do meu nariz!? Só não tenho férias, mas isso faz parte...







Nú e crú (1)

domingo, fevereiro 14, 2010

Bananas

Portugal: Primeiro Ministro do país e o Governador da Ilha da Madeira

Piadinha


Berço invadido

O município de Rio Claro, no interior paulista, tomou um susto neste começo de ano. Seu maior patrimônio ecológico, o antigo Horto, foi invadido por um grupo de sem-terra. Barracas de lona preta ergueram-se em meio ao verde da vegetação protegida. Um acinte ambiental.
A responsabilidade pelo absurdo coube a uma suposta dissidência do MST, acobertada sob o pomposo, e desconhecido, nome de Associação Brasileira do Uso Social da Terra (Abust). O esbulho segue o ritual que já cansou a sociedade: os justiceiros de araque argumentam que tal área está ociosa, rompem suas cercas e exigem sua distribuição. Na marra.
Vem de longe a história da atual Floresta Estadual "Edmundo Navarro de Andrade". Sua área foi adquirida pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro em 1909, destinada a produzir espécies florestais. A ideia era revolucionária: substituir o uso das toras surrupiadas da floresta atlântica por árvores plantadas. Isso há um século!
Coube ao lendário Edmundo Navarro de Andrade a responsabilidade pela condução da ousadia, visando a produzir a madeira - dormentes, lenha, postes - demandada pela expansão das ferrovias. Formado em Portugal, o jovem agrônomo recebeu do conselheiro Antonio Prado, então presidente da companhia, a incumbência de implantar os hortos florestais da Paulista. Era 1904. Várias fazendas foram adquiridas com a nobre finalidade, sediando em Rio Claro as atividades centrais do projeto florestal. Surgia o berço do eucalipto no País.
Após 19 anos de plantios experimentais, utilizando espécies nativas e exóticas, Navarro de Andrade concluiu pela supremacia do eucalipto, gigante árvore de origem australiana. Entre as 150 espécies de eucalipto testadas, algumas demonstravam por aqui uma rapidez de crescimento impressionante. Bastavam 15 anos para oferecer boa densidade e dureza do lenho, mesmo plantadas em solos mais fracos, arenosos, como aqueles presentes nas manchas do cerrado paulista onde normalmente se instalaram os antigos hortos florestais.
Consciente da necessidade de valorizar as espécies locais, Navarro de Andrade implantou também uma coleção experimental com 86 espécies distintas de essências florestais "indígenas", como eram chamadas na época. Mas, em face dos objetivos de seu trabalho na ferrovia, nenhuma delas sobrepujou a precocidade do exótico eucalipto. As árvores nativas pau-jacaré e angico ficaram nos honrosos segundo e terceiro lugares. Perdem por décadas na competição.
Essa importante história - que reflete os primórdios da silvicultura nacional - se conta no Museu do Eucalipto, inaugurado em 1918, ali mesmo no Horto de Rio Claro, pelo próprio protagonista desse sucesso. Único no mundo, até seu incrível assoalho espelha, nas pranchas lustrosas que o compõem, a riqueza da madeira cujas perfumadas folhas, na Austrália, alimentam os dóceis coalas. Monteiro Lobato visitou-o em 1920.
Hoje o velho Horto está transformado em Floresta Estadual, unidade de conservação administrada pela Fundação Florestal, ligada ao governo paulista. Seus 2.230 hectares de florestas plantadas e naturais representam uma dádiva incrustada em meio aos canaviais da região. Local de paz e harmonia com a natureza.
Aos olhos dos invasores de terras, entretanto, aquela mancha verde carregada de história expressa uma gleba ociosa, inaproveitada, abandonada. Parece piada, de mau gosto. Mas é verdade. Tal percepção equivocada ocorre há tempos no processo da reforma agrária brasileira. Imensas e ricas áreas com remanescentes da floresta atlântica, dos cerrados ou da Amazônia viraram pobres assentamentos rurais, surrupiando a mata virgem em nome da ênfase produtiva. Uma lástima.
Pelo Brasil afora, a sanha dos invasores de terras invariavelmente avança contra a preservação ambiental. Vide o emblemático caso da Fazenda Araupel, em Rio Bonito do Iguaçu (PR), ou da Fazenda Zabelê, no litoral de Touros (RN). Recentemente a Fazenda Teijin, no Pontal do Paranapanema paulista, ofereceu lamentável exemplo dessa insensibilidade ecológica da questão agrária. Desapropriada pelo Incra em 2004, sua enorme reserva florestal acabou rapidamente devastada por centenas de famílias lá assentadas. Reportagem de José Maria Tomazela, aqui, no Estadão (27/9/2009), descreve como a biodiversidade naquele rincão cheio de onças e veados pantaneiros virou carvão e comida na panela do MST. Uma tragédia.
Esse atraso no campo das ideias, que enxerga floresta como terra improdutiva, embasa a última decisão do Incra, de querer tomar do Itesp, o Instituto de Terras do Estado, todos os antigos hortos florestais que da velha Companhia Paulista passaram a pertencer à extinta Fepasa. A maioria deles já contempla miseráveis assentamentos, cuja renda esteve razoável apenas durante a pilhagem das toras de eucalipto que cresceram seguindo a receita de Navarro de Andrade. Finalizado o saque florestal, restaram a pobreza e, consequentemente, o abandono, o arrendamento ou a venda ilegal dos lotes. Triste situação.
Felizmente, em poucos dias a Justiça deferiu o pedido de reintegração de posse, solicitada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), em favor da Floresta Estadual de Rio Claro. Para alívio dos ambientalistas, os invasores mequetrefes foram bagunçar noutra parada, quiçá já devastada. Que prevaleça, sempre, o Estado de Direito.
O Brasil precisa construir um novo modelo de reforma agrária. Estabelecer um processo planejado, democrático, sustentável, moderno. Nele a invasão deixará de ser o passaporte para a conquista do lote. E a floresta jamais será considerada área improdutiva, mas, sim, reserva de biodiversidade. Tarefa urgente.
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O artigo foi publicado em  09 de Fevereiro, em minha coluna no jornal O Estado de S. Paulo. A relação completa das publicações pode ser encontrada em www.agrobrasil.agr.br.

Xico Graziano (AgroBrasil)

sábado, fevereiro 13, 2010

Frutas Tropicais - Banana

A banana é uma pseudobaga da bananeira, uma planta herbácea, vivaz,  acaule da família  Musaceae. Constitui o quarto produto alimentar mais produzido no mundo, a seguir ao arroz, trigo e milho. Cultivada em 130 países, é um fruto originário  do sudeste asiático.
As bananas formam-se em cachos na parte superior dos " pseudocaules" que nascem de um verdadeiro caule subterrâneo (rizoma ou cormo) que chega a ter uma longevidade de 15 anos ou mais. Depois da maturação e colheita do cacho de bananas, o pseudocaule morre (ou é cortado), dando origem, posteriormente, a um novo pseudocaule.
Contendo três açúcares naturais: sacarose, frutose e glucose, combinados com fibras, a banana dá uma reserva instantânea de energia. Pesquisas provam que somente 2 bananas dão energia para 90 minutos de trabalho pesado. É o fruto mais consumido entre os atletas. Mas energia não é o único benefício que a banana nos traz, ela ajuda-nos a prevenir um substancial número de doenças:
Depressão: a banana contém um tipo de proteína que o corpo converte em serotonina, substância que se sabe que ajuda a relaxar e nos faz sentir melhor.
Anemia: Fortes em ferro, as bananas estimulam a produção de hemoglobinas e ajudam em caso de anemia.
Pressão Arterial: Este fruto tropical é muito rico em potássio e pobre em sal sendo perfeito para descer a pressão arterial.
Cérebro: o potássio presente no fruto ajuda a melhorar a  concentração.
Obstipação: Ricas em fibras, a inclusão de bananas nas dietas ajuda a normalizar o trânsito intestinal, permitindo debelar os problemas sem o uso de laxantes.
Dor de cabeça: Uma das maneiras mais rápidas de curar uma dor de cabeça é fazer um batido de banana com mel. A banana acalma o estômago e com a ajuda do mel aumenta os níveis de açúcar no sangue enquanto o leite acalma e hidrata todo o sistema.
Cansaço matinal: Comer uma banana entre as refeições ajuda a manter os níveis de açúcar no sangue elevados, combatendo o cansaço.
Picadas de insectos: Quando picado por um insecto, experimentar esfregar a zona afectada com a parte de dentro de uma casca de banana. A irritação vai acalmar.
Nervos: Bananas são ricas em vitamina B, que acalmam o sistema nervoso.
Úlceras: A banana é usada nas dietas contra as desordens intestinais pela sua textura suave e por causa de ser um fruto muito macio. É o único fruto que pode ser comido sem causar distúrbios mesmo nos casos mais graves. Ela também neutraliza a acidez excessiva e reduz a irritabilidade criando uma camada nas paredes do estômago.
Controlo de temperatura: Muitas culturas vêm a banana como um fruto 'calmante' porque consegue baixar a temperatura, quer física quer emocional, nas mulheres grávidas. Na Tailândia, por exemplo, é hábito as mulheres grávidas comerem bananas para se assegurarem de que o seu filho nasce com a temperatura correcta.
Fumar: As bananas podem ajudar quem quer deixar de fumar. As vitaminas B6 e B12, o potássio e o magnésio que contêm, ajudam o corpo a recuperar dos efeitos da falta de nicotina.
Stress: O potássio é um mineral vital que ajuda a normalizar o batimento cardíaco, que auxilia a ida do oxigénio para o cérebro e que regula a repartição de água pelo corpo. Quando estamos 'stressados' o nosso metabolismo altera-se reduzindo os níveis de potássio. Podemos ajustá-los com a ajuda deste fruto, rico em potássio.
Comparando-a com a maçã, tem o quádruplo das proteínas, o dobro dos hidratos de carbono, três vezes mais fósforo, cinco vezes mais vitamina A e ferro e o dobro das outras vitaminas e minerais. É um fruto rico em potássio e uma das mais saudáveis comidas existentes.
A bananeira é considerada a árvore dos sábios. Por isso seu nome científico é Musa sapientum.
Uma dica interessante: ao adquirir uma penca de bananas, separe cada uma delas da base cortando com uma faca. O fruto durará muito mais tempo e não se aglomeram aquelas mosquinhas chatas.
Alguns tipos de bananas:
· banana-nanica (conhecida também como banana-dágua, banana-da-china, banana-anã ou banana-chorona) - tem casca fina e amarelo-esverdeada (mesmo na fruta madura) e polpa doce, macia e de aroma agradável. Cada cacho tem por volta de duzentas bananas. Banana Nanica
· banana-prata (ou banana-anã-grande) - tem fruto reto, de até 15 cm de comprimento, casca amarelo-esverdeada, de cinco facetas, polpa menos doce que a da banana-nanica, mais consistente e indicada para fritarBanana Prata .
· banana-da-terra (banana-chifre-de-boi, banana-comprida ou pacovan) - são as maiores bananas conhecidas, chegando a pesar 500 g cada fruta e a ter comprimento de 30 cm. É achatada num dos lados, tem casca amarelo-escura, com grandes manchas pretas quando maduras, e polpa bem consistente, de cor rosada e textura macia e compacta, sendo mais rica em amido do que açúcar, o que a torna ideal para cozinhar, assar ou fritar. Banana da Terra
· banana-maçã (ou banana-branca) - de tamanho variado, pode atingir, no máximo, 15 cm e pesar 160 g. É ligeiramente curva, tem casca fina, amarelo-clara, e polpa branca, bem aromática, de sabor muito apreciado. Recomendada como alimento para bebês, fica muito gostosa amassada e misturada com aveia, biscoito ralado ou farinhas enriquecidas.Banana Maçã

· banana-de-são-tomé (banana-curta ou banana-do-paraíso) - existem dois tipos, que se diferenciam apenas na cor da casca - roxa ou amarela. São pouco apreciadas, devido à polpa amarela e ao cheiro muito forte. Banana São Tomé Recomenda-se consumí-las cozidas, fritas ou assadas.
· banana-ouro (inajá, banana-dedo-de-moça, banana-mosquito ou banana-imperador) - é a menor de todas as bananas, medindo no máximo 10 cm. Tem forma cilíndrica, casca fina de cor amarelo-ouro, polpa doce, de sabor e cheiro agradáveis. É muito usada para fazer croquetes. Banana Ouro
· banana-sapo - fruto curto, grosso e anguloso, com casca espessa e dura, e polpa pouco delicada, mais usada como alimento de animais domésticos.Banana sapo
A banana verde ainda é pouco explorada, apesar de seu potencial. Seus derivados possuem 0% de colesterol, são ricos em cálcio, potássio, fibras e vitaminas. Pode ser utilizada em diversos tipos de alimentos, rendendo receitas altamente saudáveis e nutritivas para o consumo de pessoas de todas as idades.

Meu Blog

Não sei precisar a data de aniversário do meu blog neste momento, se bem que poderia procurar saber isso com exactidão. Não é o caso. Sei que escrevo aqui há 6 anos e tenho uma noção exacta de como o blog está situado neste grande universo; muito rente à linha dágua...
Acredito que não vá afundar, pois a sua navegabilidade propõe-se a circundar um reduto onde descarrego os meus pensamentos, críticas, olhares, análises e informação, independentemente da quantidade de visitantes e leitores. É o meu espaço, o meu canto.
Tenho uma noção precisa das postagens mais lidas e isso acaba por ser um indicador daquilo que aqui é mais interessante. Concluí ser o assunto principal "frutas tropicais". Todos os dias alguém acessa uma das postagens sobre esse tema.
Como acontece comigo, acredito que aconteça com outras pessoas que por aqui passam. Visito um blog no clik de um link e acabo por tomar conhecimento de mais conteúdo além do proposto inicialmente. Assim, vou matar dois coelhos com uma cajadada só. Vou escrever uma série de artigos sobre frutas tropicais e equatoriais e com uma de cada vez. Amanhã começarei pela banana que é a mais conhecida dessas frutas e um dos principais alimentos do planeta.
Não sou um expert no assunto. Sou curioso e apaixonado por essas frutas. Conheço e já saboreei muitas delas e assim juntarei essa experiência a rudimentos de pesquisas numa montagem de informação. Facilitarei um pouco o trabalho àqueles que procuram essa informação ou têm curiosidade sobre o assunto. Espero ser útil.











































Carnaval

Os europeus estão-se destacando mais que os brasileiros na impetuosidade da crítica de factos actuais. Os carros alegóricos do Carnaval mostram isso. (Colónia - Alemanha) - Foto Reuters

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Churrasco

O filhão veio de Portugal para rever a família dispersa por este Brasil imenso. Não chega a um mês a sua estadia e, por isso mesmo, pouco vai poder ver, recordar e comparar com o que vivenciava há mais de 30 anos atrás.
Aqui em Campinas ficou 3 curtíssimos dias e, mesmo assim, dividindo-os com outras pessoas das amizades de sua mãe que também veio nessa romaria. Não teve oportunidade de ver algo mais que eu gostaria de lhe mostrar e presenciar cenas inusitadas que também são uma realidade.
Como vegetariano que é, jamais participaria de um churrasco e eu não o levaria a nenhum. Porém, certamente estaria junto comigo hoje ali no barzinho da esquina acompanhando-me na cervejinha do cair da tarde. Certamente filmaria algumas cenas com o seu telemóvel.
Ali comparecem todos os dias os amigos de sempre. Hoje, porém, começou a aparecer muita gente de outras paradas e outros bares. Mesmo assim, conheço-os todos --- os daqui,  os de lá e acolá… Ainda tirei uma palhinha com alguns, mas não me responderam com sinceridade sobre o motivo de estarem no meu território e longe do deles…
A certa altura o dono do bar colocou na calçada uma churrasqueira e começou a fazer o churrasco. Vez ou outra faz isso e não cobra nada de ninguém, além da bebida. É a sua maneira de fazer marketing… Logo eu contei ali mais de 100 pessoas e alguns nem bebiam nada…
Foi quando entendi o motivo daquelas visitas inesperadas e isso iria dar pano pra mangas num papo gostoso e esclarecedor com o filhão se ele aqui tivesse passado mais um dia comigo. Há tanta coisa para desvendar por aqui. Ficará para a próxima vez se uma próxima vez houver.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Sucata


giacomettiUma das minhas ocupações profissionais, ao longo da minha vida, foi a de sucateiro. Foi na época de grande  crise económica (1980) em que perdi o que foi o meu último emprego e passei a trabalhar por conta própria.
Sempre gostei das coisas direitas e, mesmo sem ter um espaço físico à altura e específico, abri firma com tudo legalizado. Como muita coisa que fiz, entrei de curioso com a força e a vontade e fui conhecendo os meandros dessa actividade. Grandes máfias existem nesse campo…
Aliando o útil ao agradável, fui-me embrenhando e cada vez mais apaixonado ficava por certas peças descartadas como sucata e que eram, na verdade, obras de arte e antiguidades valiosas. Criei gosto pelo ramo.
Eu próprio cheguei a criar agumas obras utilizando pedaços de metais. Algumas eu guardei e a maioria acabou mesmo por voltar a ser sucata depois que passei horas olhando para elas e ter concluído tratar-se de algo horripilante…
Porém, repentinamente e tantos anos depois, mostro-me arrependido desses actos. Quem me garante que alguma dessas muitas obras que fiz, até mesmo esculturas em bronze derretido, não valeria 1 milhão de dólares!?
Não estou voando muito alto quando cito 1 milhão, pois faço uma comparação com os 103 milhões pagos no leilão da Sotheby’s em Londres pela escultura “Homem andando” de Giacometti e que, diga-se de passagem e sinceramente, é uma verdadeira droga de mau gosto.
Não sou mais sucateiro profissional, mas mantenho o hábito de guardar tranqueiras e vendê-las depois. É o caso das latinhas e cerveja que tomo diàriamente. Assim, estou a par dos preços dessas commodities e pasmo quando o cara do ferro velho me paga o bronze a 20 paus o kg e me lembro da escultura do suiço…

Tropa

Não sou e nunca fui chegado a gays. Também não gosto desse termo e prefiro usar os nossos castiços como paneleiros, viados, bichas, maricas, bambis.Uns usados em Portugal e outros no Brasil. Acrescento ainda que só estou abordando o assunto e chafurdando no pântano porque um dos verdinhos falou coisa que vai dar muito pano para mangas.
Antigamente sabía-se que fulano era maricas por se ouvir falar ou por testemunho de alguém que provou a fruta. Tudo confidenciado. A própria postura em público era discreta e se se denunciava alguma anomalia pelo jeitinho, nada ía além de comentários sem afrontas. Assim, todos eram obrigados a prestar serviço militar e o desempenhavam por igual. Lógicamente que me atenho à realidade portuguesa da qual tenho total conhecimento, mas os fundamentos são universais.
Nos tempos modernos essa classe foi ganhando atenção e privilégios, atropelando a constitucionalidade do “somos todos iguais”. Por isso, eles desmunhecam em público e têm postura escandalosa. Soltam a franga com a maior facilidade. Perante isto, acho eu ser a explicação para os bichinhos e temores deste e de , quiçá, outros Generais.
Mas eles não podem formar uma opinião desse calibre, porque dentro dos quarteis o buraco é mais em baixo. Lá eles, comandantes, têm todo um arsenal de regulamentos e punições para os que os desrespeitem. Se o indivíduo chegou a sargento ou oficial é porque tem estudos e competência para tal. Sei que tem muitos bambis lá dentro e jamais tive conhecimento de excessos nesse campo.
Durante o meu curso de Sargentos Milicianos em Portugal, passei 3 meses da primeira fase na Escola Prática de Cavalaria --- Santarém. Ali percebi que era tudo macho; a tropa e os poucos cavalos, pois estes fôram substituídos por carros de combate. Porém, na segunda fase do curso, desta vez na Escola Prática do Serviço de Material --- Sacavém, já notei estranhos no ninho… Tinha uma bichinha endinheirada que pagava todos os serviços de escala e jamais dormiu na caserna. Tinha um alferes miliciano, este sim paneleiro.
Lembro-me que este alferes nos dava aulas e tinha o hábito de provocar alguns de nós com um jeitinho diferente. E daí? Eu ficava furioso, acredito que os demais também, mas jamais tirámos algum tipo de sarro ou desobedecêmos a ordens. Era um alvo a ser abatido por bala perdida se porventura a nós reunido na guerra de África mas, mesmo isso teria que ser muito bem feito…
Num teatro de guerra não existe essa coisa de desvairos. Ali são todos iguais na percepção,responsabilidade, universalidade e bravura. Quem comanda sabe o que está fazendo e nem tempo tem para pensar que é diferente. Ali não há diferenças. Conheço e posso afirmar!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Certidão de Nascimento

Não é tarefa de todos os dias e, por isso, nem todos poderão responder à minha pergunta: “quanto custa tirar uma certidão de nascimento no Cartório?”
Na verdade, há muito tempo que eu também não recorro a esse tipo de serviço, mas agora precisei. Não só comentarei sobre o custo, mas também sobre o inusitado e o castiço.
Um dos meus filhos nascidos no Brasil e residente em Portugal há muitos anos (dupla nacionalidade), está prestes a chegar aqui para passar férias e visitar a família basileira. Como não tem documentação brasileira em ordem, vai aproveitar para regularizar essa situação. O primeiro passo é retirar uma Certidão de Nascimento no Cartório onde foi registado.
Sou uma pessoa organizada e, por isso, guardo nos meus arquivos documentos dos filhos e dos netos, coisa que os próprios não têm o hábito de fazer… Assim, abri a pasta do filho em questão e lá estava a primeira Certidão de Nascimento  dactilografada e expedida quando do evento em si.
A partir daí foi-me fácil encontrar o Cartório na Internet e de imediato telefonei pedindo o envio de uma certidão com data actualizada. Forneci todos os dados como numero de Livro, fls., etc..
Se fôsse para retirar lá (Canoas – RS), custaria 17,80 reais. Se fosse para expedir para o meu endereço por Sedex, custaria 47,55. E, além disso, o pagamento seria através de transferência bancária para a conta da proprietária do Cartório; isto custou 14,00 reais. Um total de 79,35, desprezando as ligações telefónicas interurbanas, tempo de fila e outro…
Noutros tempos eu tería a opção de pedir que me fosse enviado o documento por carta simples ou registada e daria no mesmo. Hoje temos que nos sujeitar à logística deles e aos interesses envolvidos.
Quando tudo já tinha sido cumprido e só aguardava a Certidão em minha casa, eis que recebo um e-mail do Cartório com os dizeres: “Sua certidão já esta pronta, porém como o Livro de Nascimento é manuscrito ficamos em duvida em relação ao nome de sua avó materna, se é ednorges ou edwiges marcgyldoski ou marczyldoski, favor confirmar para que possamos remeter vossa certidão.”.
Fiquei estupefacto! Então, não poderia estar pronta… Em todos os Cartórios pelos quais na minha vida passei, sempre constatei que os livros de registos eram manuscritos por pessoas com boa caligrafia. Jamais vi qualquer assento feito com rabiscos ou letra de médico. Além disso, deduzindo que queriam a informação para dactilografar ou digitar a Certidão, também é estranho que esses livros não tenham sido digitalizados ainda para, a partir daí, gerar cópias.
Esta foi a minha resposta: Manoel Rodrigues Pereira e
Edwiges Marczykoski. Estes são os nomes que constam de certidão datilografada nesse Cartório em 15/06/1973.
Atenção que o nome do avô materno é Manoel com "o". E Portalegre nada tem a ver com PortoAlegre. Se desejarem, enviarei fax desta v/ certidão datilografada; é só indicarem o número do respectivo tel/fax.”
.
Quando eu pensei que tudo já estaria resolvido, recebi outro e-mail: “Vamos realmente necessitar deste seu documento via fax, por favor queira remeter a  51-3426-2012 , a/c de xxxxxxx- Cartório da 1ª Zona de Canoas, este fax não é aqui no Cartório e sim no CRVA, porém da mesma Oficial, a dúvida é só em relação ao nome de sua avó como eu mencionei anteriormente, no mais tudo esta correto. Aguardo seu fax. xxxxxxx.”.
Na noite de anteontem e ontem tentei passar o fax por 6 vezes e não consegui. Só depois me lembrei que o dia 2 de Fevereiro é feriado em Porto Alegre e região e, talvez por isso, o aparelho não estivesse programado. Lembrei-me que poderia fazer isso digitalizando a minha certidão e enviá-la como anexo de e-mail. Fiz isso e expliquei que eu, requerente, sou o pai do interessado.
Hoje recebi o que parece ser o último acto da peça: “Estou lhe enviando a certidão de nascimento, conforme solicitado, sem mais custas, apenas o autorizado pela Corregedoria, quanto a dúvida em relação ao nome da avó, já esta solucionado, como eu havia lhe dito o cartório não tem fax, e apenas lhe informei aquele número,  pois foi sua sugestão mandar um fax, não duvidamos de sua palavra, não é em todos os livros que a grafia esta correta ou legível, tentamos esclarecer com o senhor para evitar equívoco ou certidão errada, também não será necessário nos ligar novamente, pois a certidão já foi enviada hoje, ontem dia 02.02.2010, era feriado e nosso telefone esta em manutenção. Espero que em breve o Sr. esteja recebendo sua certidão. Grata pela compreensão. xxxxxxx.”.
A moral desta história é que parece que eu fui mais Cartório que o próprio Cartório. E não cobrei um centavo por isso. Ainda falta conferir a Certidão, pois ainda não chegou aqui. Espero que venha tudo certinho e até estou curioso quanto ao tipo de escrita e aspecto. Tenho pena de todos aqueles que venham a solicitar esse tipo de serviço e não tenham o seu próprio Cartório em casa…

terça-feira, fevereiro 02, 2010

BBB

BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através DA Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo DA ilusão.

Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe DA realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente Grande
Para Dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa DA Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que Ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mau exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É Grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção DA Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes DA educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador DA ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos OS culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal…

FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.