sexta-feira, junho 24, 2016

O Ballet

Um dia na vida de um jogador que coxeia: levanta-se a coxear, vai dar um passeio a coxear; enquanto coxeia, atira para o lago o microfone do repórter da estação de televisão mais odiada do país; faz uma assistência para golo; marca dois golos (um deles de calcanhar); põe a humanidade lusófona a postar comentários sobre ele (até eu, que tinha jurado a mim mesmo nunca o fazer); volta para casa a coxear e descobre que foi o modelo de uma das fotos mais belas alguma vez feitas: reparem na poesia do movimento a três, como se cada jogador representasse uma fase diferente do movimento; reparem na poesia da numerologia: 7+10=17; reparem na poesia da sequência 321 [CR: 2 golos + 1 assistência; Nani: 1 golo + 1 assistência; Mário: 1 assistência]; reparem na poesia da hierarquia; reparem na poesia do tempo: CR7 na sua fase descendente; Nani ainda a planar; J. Mário numa carreira em ascendência; reparem na poesia simbólica: por cada jogador um empate; reparem na poesia da negação: vamos em frente para que o desastre seja maior.

Texto de Rui Catalão
Foto : Max Rossi

quinta-feira, junho 23, 2016

A Onça e as Olimpíadas


Dilemas

A Juma já estava morta!
Sim, é isso mesmo: A Juma já estava morta. Não só ela, mas todas aquelas onças que estavam nas mãos dos traficantes de animais quando foram resgatadas pelo Exército Brasileiro.
Geralmente debilitadas pelos maus tratos, pela falta de alimentação e vilipendiadas quando as tiraram do seu habitat natural.
Quantas não já morreram nas mãos desses inescrupulosos e nós nem tomamos conhecimento?
Nunca vi no mundo, uma força estatal, que amasse tanto um ser como a Juma, que a colocasse como seu símbolo para defender uma pátria.
Infelizmente, alguém teve que decidir entre a vida de um soldado e a vida da onça mais querida dessa unidade.
Os Guerreiros do CIGS, com certeza, estão mais tristes que nós. Tiveram que decidir em frações de segundo sobre a vida e a morte de dois seres (o soldado e a juma) no calor dos acontecimentos, enquanto nós, no ar condicionado dos escritórios, no conforto de nossos lares, temos todo o tempo para discutir.
Não sejamos hipócritas!
Muitas Jumas já estão mortas quando vivem nas mãos desses traficantes e não fazemos nada.
Eu bem sei o que esses nobres soldados estão sentindo.
Muitas crianças (que são as Jumas das cidades) já estão mortas pelos traficantes de drogas e quando nós policiais, nos confrontamos num embate armado, quando temos que defender a sociedade, as matamos, somos condenados, mas ninguém aparece antes para agir, nenhum órgão vão resgata-las enquanto podem. Deixam que nós decidamos sobre sua vida e sobre sua morte, quando estão nas ruas, com um fuzil na mão.
Depois...Pobre Juma!
Crucifiquem-no! Crucifiquem-no!


Francisco Issa

quarta-feira, junho 22, 2016

Batalhões da Selva

Estou aqui pensando na onça Juma do CIGS - Centro de Instrução de Guerra na Selva em Manaus. Estou absurdamente triste com a perda!
Não... Ela não é a onça que está comigo nas minhas fotos do Perfil e Capa. Esse é o meu amiguinho Jiquitaia(amo!) do CMA. E ele está muito bem, graças a Deus.
Só pra esclarecer pra um monte de gente que tá esculhambando o CIGS e o Exército por desconhecimento:
Eu estive em Manaus convivendo com essa galera até poucos dias atrás... Posso lhes assegurar que se não fosse pelo Exército nem a Juma nem nenhuma das 8 outras onças, assim como as outras centenas de animais que vivem no zoológico do CIGS estariam mais vivos há muuuito tempo. Porque TO-DOS são animais resgatados de tráfico ilegal e maus tratos na Amazônia. Isso acontece com mais frequência que podemos imaginar. E só ficam ali aqueles que não sobreviveriam na natureza mais. Às vezes a população encontra o animal em situação de risco de vida e larga literalmente na porta do CIGS porque sabe que lá eles vão cuidar bem do bicho. O Exército cuida! Não é o caso desses zoológicos nojentos que tem por aí. A história é muito diferente!
As onças do CIGS convivem com as pessoas da cidade com certa regularidade, participam de eventos, como desfile de 7 de setembro, por exemplo. Estão acostumadas, as onças e as pessoas. Isso faz parte de um projeto de aproximar o ser humano do bicho. Despertando o carinho/intimidade nas pessoas, se cultiva a cultura da preservação... O ser humano precisa ser adestrado, sabe... São animais tratados com dignidade, respeito e amor. O Exército salva a vida desses animais e não o contrário. Dá pra entender?
Hoje, infelizmente, alguma coisa deu errada... O Comando Militar da Amazônia já está investigando. Eu chorei a perda. Eu odiei a tocha olímpica. Mas a verdade é que poderia ter sido em qualquer outra situação. Com certeza os amigos do Exército estão sofrendo, porque eles amam aqueles animais. Não julguem o CIGS, não julguem o Exército. Conheçam o trabalho que fazem (mesmo que não possam visitar). Talvez sintam o respeito, orgulho e emoção que eu sinto.

Vanessa Correia (in Facebook)

Parabéns!

Caro conterrâneo Cristiano Ronaldo,
Tu, melhor que ninguém, sabes que são sistemáticas as violações do código deontológico por parte do Correio da Manhã. Esse tipo jornalismo é um verdadeiro crime e deve ser combatido. Tu fizeste-o com muita classe e só é pena que uma multidão de outros jornalistas, não conhecendo os factos, avente um monte de idiotices aos 4 ventos.
Grande em tudo. Parabéns!

sábado, junho 18, 2016

Alfândegas

Encomendas para pessoas físicas recebidas do exterior com valores abaixo de 100 dólares não podem ser tributadas pela Receita Federal, não importando se o remetente é pessoa física ou jurídica. Foi o que decidiu nesta quinta-feira (16) a Turma Regional de Uniformização (TRU) dos Juizados Especiais Federais da 4ª Região, após uma moradora de Porto Alegre ajuizar ação contra uma cobrança de imposto de importação.
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Segundo a Receita Federal, a Portaria MF nº 156 e a Instrução Normativa SRF nº 96 estabelecem a isenção do imposto de importação para encomendas abaixo de 50 dólares, desde que remetente e destinatário sejam pessoas físicas. Compras de lojas do exterior, portanto, não se enquadrariam nas regras e seriam tributadas, não importando o valor.
No entanto, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que compreende os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, uniformizou o entendimento de que as restrições da Receita Federal não têm respaldo no Decreto-Lei nº 1.804/80, que trata da tributação simplificada das remessas postais internacionais.
Consultado pelo Tecnoblog, o advogado Raphael Rios Chaia, especialista em direito eletrônico, diz que a notícia é boa: “Uniformizar entendimento significa que unificaram a jurisprudência. Significa que essa vai ser a recomendação a todos os tribunais e juízes daqui para frente”, explica.
A uniformização vale apenas para os estados compreendidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, uma vez que somente o Superior Tribunal de Justiça (STJ) teria o poder de uniformizar o entendimento em todo o território brasileiro. Ainda assim, há boas expectativas porque a decisão “tende a se espalhar a outros TRF”, segundo o advogado.
O consumidor que for tributado em encomendas internacionais abaixo de US$ 100 pode entrar na Justiça contra a cobrança do imposto de importação pela Receita Federal. Com a uniformização do entendimento, será mais fácil derrubar a taxa. “É uma recomendação, não uma regra, mas já é um bom começo”, diz Chaia.

quinta-feira, junho 09, 2016

Várzeas de Timor-Leste

A imagem de Timor-Leste, mostra uma das várias várzeas de plantação de arroz, inoperante, abandonada.
Como o arroz é produto básico na alimentação dos timorenses e uma grande maioria tem a sua produção familiar, fica a apreensão quanto ao motivo deste abandono.
Diz o meu amigo António Serra, autor das fotos, que uma pessoa de Vemasse, que é proprietária de várzeas na região, lhe confidenciou que na região de Laleia e de Vemasse não puderam cultivar poque o faziam com água captada na ribeira de Laleia. Como está a li a ser construído um canal de rega oferecido pelo Japão, não puderam captar a água na ribeira e daí não terem plantado arroz. Fica por compreender a situação em Manatuto. E por compreender como vão ser compensadas as pessoas que não vão ter arroz próprio para se alimentarem ao longo do próximo ano. Espera-se que o governo tenha uma solução na manga..

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Dia de Camões

Se pudesse falar, lá do limbo, onde com certeza se encontra, Camões diria, desgostoso:


«Parai, ó (h)omens sem honra! Arrancastes as raízes da Língua, com a qual celebrei os feitos dos Portugueses, e agora só restam palavras alteradas, afastadas das suas origens, para contar as proezas imperfeitas dos que venderam, por baixo preço, o meu País!»

segunda-feira, junho 06, 2016

Memórias

Com o apoio da Câmara Municipal de Évora, realizar-se-á uma exposição de homenagem ao trabalho de Carlos Tojo, sob o lema Évora – 30 anos de Património Mundial.
Este momento especial e de enorme significado terá lugar durante a Feira de S.João, no Palácio D. Manuel, entre os dias 23 e 03 de Julho.

segunda-feira, abril 04, 2016

Uma janela

Um dia, que eu acredito virá, você visitará a minha Évora no Alentejo e vai ficar abismado com tanta monumentalidade e beleza. Verá janelas como esta e ficará postado...

segunda-feira, fevereiro 29, 2016

Amor de Perdição



Algo que sempre me atraíu foi o jogo; o chamado jogo de azar. Porque não jogo de sorte, ou simplesmente “jogo”?...
Como o jogo é proibido no Brasil (liberado em todo o Mundo), um  absurdo num país que insiste em aumentar ou criar novos impostos para atenuar os efeitos da crise, inevitavelmente frequento alguns dos milhares de salões clandestinos. Não vou lá para ganhar ou perder, pois sou consciente que só ganha o “banqueiro”, mas para passar o tempo e me divertir. Sempre tem algumas pessoas interessantes e se come e bebe gratuitamente, pois o pagamento já está incluso no dinheiro que lá deixamos...
Há uma semana a esta parte, enquanto a minha atenção se fixava na tela do caça níqueis perante as mirabolantes composições numéricas, fui surpreendido com a aparição de uma nova funcionária. Uma figura estonteante! A minha atenção desviou-se só para ela, que certamente notou essa minha postura, pois esboçou um sorriso que mexeu com todo o meu sistema nervoso central. Além de uma manifestação de simpatia para comigo, foi, também, um tipo de “sossega leão”...
Mas não tinha como evitar e, sempre que havia oportunidade, o meu olhar se fixava nela. Uma, outra e outras vezes. Havia ali uma reação química entre os seus elementos e os meus. Criou-se, como popularmente se costuma chamar, uma química entre nós. O seu rosto é de uma beleza extrema e todo o seu corpo harmonioso com a delineação perfeita da bunda, do quadril, das coxas.
Mais duas outras vezes visitei o local e, naturalmente, começámos a estar mais próximos, se bem que as únicas palavras que lhe dirigi foi a indagação do seu nome, o pedido de recarga da máquina ou o do recebimento de créditos.
Apesar de tanta formosura e gostosura, jamais passou pela minha cabeça chavecá-la com uma proposta indecente. Norteava-me, sim, a dúvida sobre o porquê dela trabalhar numa casa daquelas e não como atriz ou modelo!?...
Ontem voltei ao casino clandestino e, logo que cheguei, sentei-me na única máquina livre. Bebi algumas cervejas e jantei. Uma hora depois, mais ou menos, entrou ao serviço a Ariana. Sim, este é o nome dela e, quando eu soube disso até me lembrei da Merkel e do Wolfgang Schäuble...
Parei de jogar e, durante alguns minutos, fixei-me na Ariana. Eureka! Descobri a razão de tanta atracção. Estava ali, sem tirar ou pôr qualquer detalhe, a sósia perfeita da Belarmina. As linhas pronunciadas do rosto cândido e alvo numa expressão só dela; o cabelo liso e macio a cair-lhe sobre os ombros; o corpo que já defini e a postura. Principalmente o olhar fulminante...
E, afinal, quem é Belarmina!? --- perguntais vós, certamente.
Belarmina foi a minha verdadeira primeira namorada. Morava nas Galinheiras, um anexo da Ameixoeira, bairro de Lisboa onde se situava o famoso Forte. Ali eu estive destacado até ser mobilizado para cumprir comissão em Timor. Ali, num dia em que estava de Sargento da Guarda, à Porta de Armas, eu e Belarmina trocámos os primeiros olhares e palavras. Ali nasceu um grande e inesquecível amor de perdição. Realmente inesquecível!...

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

Cortiça

Primeiro teste de protótipo de máquina de descortiçar - FILCORK

Publicado por Ansub Associação dos Produtores Florestais do Vale do Sado em Sexta, 18 de julho de 2014

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Rua da Atalaya

Uma rua representativa, plebeia e nobre ao mesmo tempo, mantendo o mesmo nome desde o século XVI, hoje simplesmente popular no Bairro Alto. Tem, ainda, o pitoresco do lugar, no cariz dos edifícios, nos prédios côr de rosa, nos velhos palácios adormecidos e sem fidalgos, com a sua nota de poesia e cor nos canteiros floridos das sacadas.
Tenho algumas histórias incríveis a contar e passadas nessa rua. Tanto assim, que é ponto de romaria sempre que vou a Lisboa.
Todos os dias por lá passava a pé ou de elétrico (como pendura), pois era uma transversal à Calçada do Combro onde ficava a Escola D. Maria II e onde eu passei a estudar aos 15 anos de idade, recém vindo de Évora. 
Não vou na rua da Atalaya há, pelo menos 5 anos, pois na última estadia em Portugal coisas muito importantes me ocuparam na totalidade os 90 dias no Alentejo. Não sei como andam as coisas por lá, mas é natural que tenha havido grandes mudanças.
Com o número 124 na mente, procurei na internet mas não o encontrei. O que será lá agora? Talvez uma pensão, quem sabe? Ou um escritório de advogados, um cabeleireiro, como no 104 (Bar 104), um restaurante do 13 ao 15  (Mascote da Atalaia), no 160 (Bar Janela), no 57 outro restaurante (Papa Açorda) e uma pensão no 150. A relação é longa...
Na próxima vez que for a Lisboa passarei por lá e fotografarei o tal 124 da Rua da Atalaya. Ali, no primeiro andar, era uma acolhedora casa de prostituição com um apreciável número de meninas. Muitas vezes ali lancei âncora para me abrigar do frio e, finalmente, concretizar a minha primeira vez. Outras tantas vezes fui convidado a sair porque a minha timidez não atava e nem desatava e ali era uma casa de negócios. Muitas outras casas do gènero por lá havia, em quase todas as ruas do Bairro. Mas aquela sempre foi especial para mim.
Mantenho até hoje comigo uma daquelas agendas de bolso onde escrevia uma espécie de mini diário. Lá anotava tudo o que eu considerava um acontecimento importante. E o acontecimento desta história está lá...
Com alguns amigos de Évora, estava acampado na Península de Troia em Setúbal. Naquela tarde resolvi dar um pulo a Lisboa e fui directamente ao 124 com 50 escudos, além do dinheiro das passagens. Sentei-me, como habitualmente, naquele banco corrido de madeira e, a certo momento, fiz sinal para uma das profissionais disponíveis, esta aparentando ter, pelo menos, mais 30 anos que eu... 
Era muito grande a ansiedade, algo que sempre acontece na primeira vez de cada um. A coisa foi tipo galo --- vapt e vupt. Naturalmente que eu queria bis, mas para bisar seria pagamento dobrado. E eu estava têso em todos os sentidos...