sábado, março 29, 2008

INIMIGO PÚBLICO

Jean-Marie Balestre morreu!
Claro que como notícia não teria mais valor, pois a velocidade do tempo a sentencia como coisa do passado... Porém, o personagem enraizou-se na memória dos brasileiros e de tal modo que é impossível esquecê-lo. Tudo começou naquele inesquecível GP do Japão em 1989 e jamais deixou de ser um "grande inimigo dos brasileiros".

TAPAS E TAPINHAS

"TAPA NA CARA"
Se ela me pedir...
o que vou fazer...
Meu deus me ajude em mulher não vou bater
Mas ela me pede todo dia toda hora quando a gente faz amor
Pedi o quê?
Se ela me pedir...
o que vou fazer...
Meu deus me ajude em mulher não vou bater
Mas ela me pede todo dia toda hora quando a gente faaaaaaazamooooor
Tá tá tapa na cara, tapa na cara
Tapa na cara, tapa na cara Tapa na cara mamãe, tapa na cara
Na cara mamãe
Se você quiser, ai eu vou te dar
Vem com Pagode Art, venha requebrar
Joga a mão pra cima e bate na palma da mão
Quero ver é balançaaaaaaaaaar
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E vem vem vem vem vem eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar, te dar te dar
E vem vem vem vem vem eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar, te dar te dar
Tá tá tapa na cara, tapa na cara
Tapa na cara, tapa na cara
Tapa na cara mamãe, tapa na cara
Na cara mamãe
Com amor, com amor
Se você quiser, ai eu vou te dar
Vem com Pagode Art, venha requebrar
Joga a mão pra cima e bate na palma da mão Quero ver é balançaaaaaaaaaar
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E dig dig ai ai ai ai ai ai
E vem vem vem vem vem eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar, te dar te dar E vem vem vem vem vem eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar ma ma ma mãe
Eu vou te dar, te dar te dar
Tá tá tapa na cara, tapa na cara
Tapa na cara, tapa na cara
Tapa na cara mamãe, tapa na cara
Na cara mamãe
"TAPINHA"
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha...(2x)
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói...
Em seu cabelo vou tocar
Sua bôca vou beijar
Tô visando tua bundinha
Maluquinho prá apertar...(2x)
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:Dói, um tapinha
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, um tapinha
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, Dói, Dói, Dói
Dói, Dói, Dói, Dói...
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha
Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói...
Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho...(3x)
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho...
Dá uma quebradinha
Dá uma quebradinha
Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:
Só um tapinha!...
Convido todos os que lerem esta postagem a analisar as duas letras de "pagode" que compilei acima e formar uma opinião. Depois comparem as opiniões com as respectivas sentenças da Justiça Federal de Porto Alegre. As sentenças referem-se a uma ação movida pelo Ministério Público Federal a pedido da ONG "Temis" -- Assessoria Jurídica e Estudos de Género, de defesa às mulheres.
Só acrescentarei que a Constituição diz: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. E mais: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.
A realidade, porém, demonstra que a solução não é tão simples assim. É possível encontrar diversos exemplos de composições musicais que foram, de algum modo, censuradas (proibidas), inclusive com o aval do Poder Judiciário, mesmo depois da democratização do país, simbolizada com a Constituição Federal de 5 de outubro de 1988.
Sentenças:-

Tapa na cara: "Ora, a letra musical questionada apenas relata um encontro amoroso entre um homem e uma mulher, que implora ao parceiro para que lhe dê tapas durante o ato sexual. O compositor, por meio da obra musical, apenas relatou a existência de formas variadas de prazer. De forma alguma, a música discrimina ou incentiva a violência contra a mulher". "Na esfera privada, é vedada a quem quer que seja, Estado ou particular, a intromissão sem consentimento".

Tapinha: Esta canção descreve o incentivo, de uma figura supostamente masculina, a determinada dança a ser executada por uma mulher, denominada 'glamourosa' ". "Nessa música, de forma distinta da letra anteriormente analisada, inixiste o exercício de liberdade de escolha por parte da mulher, pois não há o consentimento da figura feminina". "O tapa, ao contrário do afirmado na canção, evidentemente causa dor física na vítima, além do abalo psíquico decorrente da humilhação que o gesto em si constitui".

quinta-feira, março 27, 2008

A VIDA ALÉM DA MORTE

Da energia se fez a vida.
Na guerra pelo progresso, o homem não mede esforços nem a consequência dos seus atos. O importante é avançar. Numa batalha desigual, destroi insanamente os recursos naturais essenciais à sobrevivência. A resposta da Natureza pode até demorar, mas não falha. Às vezes é imediata, intrigante ou mesmo desafiadora. Só precisamos interpretá-la.
Num ato silencioso e inusitado ela respondeu aos afiados machados e às violentas motosserras, maiores formas do desrespeito destruidor. Insistiu e exigiu seu espaço para impor a beleza das suas flores e a generosa sombra da sua copa, numa grande demonstração de energia e desejo de viver.
Derrubado e transformado em poste para sustentação dos fios da rede elétrica, o Ipê amarelo não se entregou. Com uma acção estupenda, recuperou a sua pompa e reinado de árvore símbolo nacional. Rebelou-se à condenação injusta, criou suas raízes no solo e voltou a reinar absoluto, esbanjando alegria e beleza com a sua identidade marcante.
Reconsiderando o seu ato, o homem decidiu transferir a rede elétrica para um poste de concreto instalado ao lado. Agora o Ipê reina livre dos fios. É uma atração pública na cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondónia.
Foto de Leandro Barcellos

terça-feira, março 25, 2008

TIMOR --- SUBSÍDIOS PARA EDUCAÇÃO

Escolas do Timor adotam livro de pesquisador da Unicamp

Livro organizado por Jorge Fernando Hermida, ex-aluno de mestrado e doutorado da Unicamp, acaba de ser adotado pelo Timor Leste, para ser utilizado no programa de formação de professores do ensino infantil daquele país. A obra, intitulada Educação Infantil: Políticas e Fundamentos, reúne textos de 17 especialistas da Região Nordeste. A publicação integra um conjunto de ações culturais quem vem sendo desenvolvido em várias cidades brasileiras sob o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil. A iniciativa consiste na promoção de palestras, oficinas e seminários gratuitos dirigidos a professores de educação infantil da rede pública de ensino. Perto de 3,5 mil pessoas já foram beneficiadas pelo projeto. O livro foi publicado pela editora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde Hermida é professor. De acordo com ele, esta é a primeira vez que uma obra editada pela UFPB é adotada oficialmente por outro.
Nós ficamos muito felizes com a notícia. Penso que estamos cumprindo com a nossa função social ao colaborar para a reconstrução do Timor Leste, afirma. O docente conta que a publicação nasceu a partir de um projeto idealizado por ele. Este, por sua vez, participou de um edital lançado pelo Banco do Nordeste do Brasil voltado ao financiamento de ações culturais.
Fomos contemplados entre mais de 2.200 propostas, lembra. A contrapartida a ser oferecida era a realização de atividades dirigidas a professores de educação infantil da rede pública, com a conseqüente doação do livro. Conforme Hermida, as palestras, seminários e oficinas já foram realizados em cerca de 20 cidades dos estados do Piauí, Tocantins, Maranhão, Pernambuco, Paraíba e Santa Catarina. Cada participante recebe um certificado emitido pela Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Comunitários da UFPB.
Aqui no Brasil, os resultados têm sido excelentes. Os professores estão gostando muito da nossa proposta. Temos tido a chance de oferecer o que as políticas governamentais não oferecem, como subsídios teóricos e metodológicos para melhorar a educação no país, analisa o docente. Entre os temas abordados nas atividades que constituem o programa está a importância do jogo e da brincadeira no processo de aprendizado. Quando deixa o ambiente doméstico e chega à escola, a criança troca uma situação de liberdade e permissividade por um espaço limitado, a sala de aula, onde ficará presa a uma carteira. Além disso, ainda existe a máxima de que, para aprender, ela tem que ficar calada, apenas ouvindo. Nós queremos resgatar a natureza lúdica da criança, por entender que esse é um período importante na vida de uma pessoa. Por que não respeitar a natureza humana para basear uma proposta pedagógica?, questiona Hermida.
A expectativa do professor da UFPB, assim como a dos demais autores, é que o livro possa deflagrar uma ação semelhante no Timor Leste. Hermida relata que a obra chegou até o conhecimento das autoridades daquele país por intermédio de Everaldo José Freire, um dos participantes da coletânea e professor-colaborador na nação do Sudeste Asiático. Assim que o livro chegou por lá, o Ministério da Educação ficou interessado em adotá-lo para o curso de formação de professores de educação infantil. Inicialmente, entretanto, a Pasta queria uma autorização para tirar cópias. Com o avanço dos entendimentos, surgiu a oportunidade de realizarmos um programa mais amplo, nos moldes do que executamos no Brasil, explica Hermida.
A primeira medida do docente foi procurar a Reitoria da UFPB, para falar da importância desse tipo de colaboração, que tem caráter eminentemente humanitário. Graças ao apoio do reitor Rômulo Soares Polari, firmamos um convênio com o Timor Leste. A partir dele, ficou estabelecido que o Banco do Nordeste do Brasil editará mais mil livros para serem doados àquele país. A editora da UFPB também doará três exemplares de cada título publicado por ela, o que soma cerca de 4 mil volumes. Adicionalmente, estamos iniciando entendimentos com o Ministério da Educação do Brasil para facilitarmos o intercâmbio entre alunos brasileiros e timorenses de pós-graduação, enumera.
Como o livro foi escrito a partir de experiências brasileiras, Hermida admite que a obra talvez tenha que sofrer adaptações para ser utilizada no programa de formação de professores de educação infantil do Timor Leste. Obviamente, quando tocamos no aspecto político da educação, falamos de casos genuinamente brasileiros. Entretanto, muitos pontos são comuns aos dois países. Quando abordamos o tema do direito à educação ou quando refletimos sobre a educação infantil na pós-modernidade, estamos raciocinando sobre assuntos mais gerais. Na opinião do ex-aluno de pós-graduação da Unicamp, tanto aqui quanto lá existe uma preocupação acerca do tipo de cidadão que se pretende formar, para que tipo de sociedade e com quais valores.
O convênio com o Timor Leste, continua o professor Hermida, tem tudo para virar uma agradável bola de neve. Ele revela que está em contato com uma organização não-governamental que pretende verter o livro para o inglês. Há, ainda, o desejo de que a obra também possa vir a ser traduzida para o tétum, idioma predominante em Timor Leste. Como essas possibilidades são reais, já estamos formatando uma nova publicação, também voltada para a educação infantil, reunindo autores brasileiros e timorenses, adianta.
Hermida é uruguaio naturalizado brasileiro. Ele realizou o mestrado em Educação Física e o doutorado em Educação na Unicamp. Ainda hoje, colabora com o Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia da Educação (Paidéia), vinculado à Faculdade de Educação (FE). Atualmente, é membro do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPB e do Programa Associado de Pós-graduação em Educação Física UPE/UFPB. A Unicamp foi e continua sendo muito importante na minha formação. Na Faculdade de Educação, vivi experiências enriquecedoras, afirma.
O docente espera embarcar em maio para o Timor Leste, para participar pessoalmente de algumas das ações do programa de formação de professores local, já tendo o livro organizado por ele como um dos materiais pedagógicos.

INVERSÃO DE VALORES

Esta última semana foi muito fértil em casos especiais relatados na imprensa e muitos deles seriam matéria prima abundante para eu escrever uma meia dúzia de crónicas. Todavia, colocarei aqui dois casos sòmente. O primeiro é uma das recomendações que constam de um folheto a ser distribuído pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal brasileiro:
"Fique calmo e não corra"; "deixe suas mãos visíveis"; "não faça movimentos bruscos"
Até então, essa recomendação era feita pela polícia aos cidadãos de bem quando confrontados por marginais... A partir de agora ela servirá para nos instruir sobre o modo como agir quando abordados pela polícia. Deduz-se, assim, que o único referencial diferente somos nós, pois polícia e bandidos seriam iguais.
O folheto referido é distribuído num momento em que se verificam muitos abusos por parte da polícia e devido aos quais muitos inocentes têm morrido. Ao invés de se investir mais na corporação para equipamento, educação, treinamento e melhora salarial, vem-se, uma vez mais, agitar a nossa paciência e confirmar o que todos já sabemos há muito tempo: Não temos proteção!
O segundo caso diz respeito a um trecho da entrevista que o escritor norte-americano, Gay Talese, deu a um jornal de São Paulo sobre os escândalos de políticos:
"Todos nossos bons presidentes tinham amantes"
"Nixon não tinha amantes e foi um presidente ruim"
"Bush é um presidente ruim e não tem amantes"
"Os piores presidentes são os que não tiveram amantes"
Na verdade não sei por onde abordar o conteúdo das frases, pois a coisa pode ser interpretada por prismas diferentes. Tendo como base o último escândalo protagonizado pelo governador de N. York, isso não encaixa na personalidade do indivíduo, uma vez que era um mau governante e tinha um monte de amantes. Noutros casos, talvez as amantes tenham um desempenho diferente do das respectivas esposas quanto a aconselhamentos e discussão de assuntos, até porque estas normalmente ficam mais à margem das questões do que aquelas... Que bases eu tenho para abordar o assunto desse modo? poderão perguntar-me; mas reservo-me o direito de responder...

PELA PAZ

Por la PAZ,

en recuerdo de
RACHEL CORRIE
Hace poco tiempo en Gaza, ha perdido la vida una joven pacifista, Rachel Corrie, de sólo 23 años. Era una estudiante de la Universidad de Olympia (Washington), y pertenecía al movimiento por la justicia y la paz.
Con su asociación pacifista había organizado iniciativas en ocasión del aniversario del 11 de septiembre, en memoria de las víctimas del desastre y de la guerra en Afghanistán.
Este año Rachel había decidido pasar de la teoría a la acción, marchándose a Israel, donde se había unido al grupo palestino Movimiento Internacional de la Solidaridad. Con esta Asociación participaba en acciones, para bloquear las excavadoras israelíes, que intentaban abatir las casas de los kamikazes y de sus familiares, en los territorios palestinos.
A los amigos, en diferentes correos electrónicos, habia escrito: “Abaten la casas aunque haya gente dentro, no tienen respeto por nada y por nadie”.
El 15 de marzo, en un acción en Rafah, en la frontera de Gaza, Rachel se encontraba con sus amigos para intentar oponerse a las demoliciones.
“Estaba sentada en la trayectoria del Bulldozer, el conductor la vió, continuó y le pasó por encima”, ha declarado Joseph Smith, militante pacifista de EEUU. “La excavadora le echó tierra encima y después la aplastó”, ha añadido Nicholas Dure, otro compañero.
Los compañeros intentaron de todas las maneras parar la excavadora, y después prestaron ayuda, pero nada se pudo hacer.
Las autoridades israelíes han dado diferentes versiones del suceso, todas ellas desmintiendo la documentación fotografica y de los testigos. La joven ha sido muerta a sangre fría de forma bárbara, mientras se interponía de forma pacífica. Rachel y sus compañeros, han denunciado: que cada día decenas y decenas de casas vienen siendo destruídas en la frontera de Gaza, que los bombardeos han dañado los pozos de agua dulce en los campos de refugiados de Rafah y que los mismos no podían ser reparados por los trabajadores palestinos sin exponerse a las balas israelianas.
Muchas han sido las iniciativas en Olympia (Washington) y en los Estados Unidos para recordar a Rachel.
Esta presentación quiere ser un testigo para no olvidar a Rachel, una joven pacifista que con su coraje quería parar las injusticias que cada día se dan en Palestina.
En estos días y en estos meses se está moviendo contra la guerra el movimiento pacifista mas grande que la historia haya jamás conocido; Rachel Corrie es seguramente el símbolo de este movimiento y ha sido muerta en la lógica absurda y brutal de la guerra que todos nosotros los pacifistas intentamos parar entre israelíes y palestinos, con muchas víctimas.
Para acordarnos: que todavía está en curso un conflicto entre israelíes y palestinos, con muchas víctimas civiles inocentes en ambos países y que se debe seguir presionando para que se encuentre una solución pacifista y duradera.
Stefano Costa (Verdi Milano) - xawcos@tin.it
Traducido por Giuseppe Iula y Sergi Alvarez (Barcelona)

Enviado por Rafael Alonso Cumplido para este escriba

segunda-feira, março 24, 2008

EPIDEMIAS ---- DENGUE

O golpe foi dado de tal maneira que escolheu a cidade do Rio de Janeiro, como uma espécie de vitrine, para que o país realmente acordasse para a gravidade do problema. Existe realmente uma epidemia de dengue por lá e o aumento do número de mortos vítimas dessa doença começou a confirmar o que todos os governos (municipal, estadual e federal) não admitiam. Agora cada um acusa os outros de irresponsabilidade e descuido e ainda é tímida a vontade de atacar o problema na escala necessária. Revolta-me a mim e a todos os cidadãos honestos e conscientes, o descaso e a infinidade de escândalos que envolvem o desvio do dinheiro público, muito do qual deveria ser empregue em saneamento básico e saúde.
O que é a dengue hemorrágica?

Quando alguém se contamina com o vírus da dengue, desenvolve a doença, que dura uma semana sem outras complicações. Mas, se a pessoa se contaminar outra vez com um outro tipo de vírus da dengue, ela pode desenvolver a forma hemorrágica da doença. Por exemplo, uma pessoa pode se contaminar com o vírus da dengue tipo 1 e depois de um tempo se contaminar pelo vírus tipo 2. Nesse caso, ela pode desenvolver uma forma grave da doença - é a chamada dengue hemorrágica, em que a pessoa doente pode ter sangramentos com choque e morte.
Na dengue hemorrágica, as plaquetas caem muito e a pessoa pode morrer em conseqüência dos sangramentos. Com a disseminação do mosquito, há um risco maior da pessoa se infectar por mais de um vírus e desenvolver a dengue hemorrágica.
O tratamento da dengue é somente de suporte, ou seja, não há um medicamento específico para tratar a doença. O tratamento consiste em deixar o paciente em repouso, hidratado, sem febre e sem dor. Se o paciente apresenta um sangramento grave, ele deve receber tratamento específico em um hospital. Não se deve usar ácido acetilsalicílico (presente em medicamentos como a Aspirina para diminuir a febre ou a dor em pacientes com suspeita de dengue. O ácido acetilsalicílico age sobre as plaquetas, diminuindo a capacidade do corpo de formar coágulos. Por isso, ele deve ser evitado na suspeita de dengue. O Ministério da Saúde recomenda o uso de acetaminofen para o controle da febre e da dor na suspeita de dengue, nunca ultrapassando o limite de 3 g por dia.
Se você acha que pode estar com dengue, procure logo um serviço de saúde. O diagnóstico é feito por exame de sangue. É importante que se confirme que foi realmente um caso de dengue, pois isso serve como um termômetro que vai nos dizer como está o controle da doença no país.
O INHAME LIMPA O SANGUE
É um dos alimentos medicinais mais eficientes que se conhece: faz muitas impurezas do sangue saírem através da pele, dos rins, dos intestinos. No começo do século já se usava elixir de inhame para tratar sífilis.
FORTALECE O SISTEMA IMUNOLÓGICO
Os médicos orientais recomendam comer inhame para fortificar os gânglios linfáticos, que são os postos avançados de defesa do sistema imunológico. Curioso que a forma do inhame seja tão semelhante à dos gânglios...
EVITA MALÁRIA, DENGUE, FEBRE AMARELA
A presença do inhame no sangue permite uma reação imediata à invasão do mosquito, neutralizando o agente causador da doença antes que ele se espalhe pelo corpo. Aldeias inteiras morreram de malária depois que as roças de inhame foram substituídas por outros plantios.
É MAIS PODEROSO QUE A BATATA
E tem a vantagem de ser nativo, enquanto a semente da batata é importada. Inhame dá com fartura em qualquer lugar úmido. Em vez de apodrecer na cesta, como a batata, ele brota e produz mais inhames. Nas mulheres aumenta a fertilidade porque contém fitoestrógenos, hormônios vegetais, importantes na menopausa e após.
MEDICINAL É O PEQUENO, CABELUDO
Marronzinho por fora, com a pele variando de roxo a branco. Existem ainda o inhame do norte e o cará, maiores e mais lisos, que são muito bons para comer mas não têm o mesmo poder curativo do inhaminho (também chamado de inhame chinês).
A FOLHA PARECE COM A TAIOBA
É da mesma família; ao contrário do que se pensa, a folha do inhame também serve para comer, cozida ou refogada. Às vezes pica muito, como a taioba.
Furúnculos, quistos sebáceos, unhas encravadas, verrugas, espinhas insistentes, farpas ou cacos de vidro que entram nas mãos ou nos pés. Desinflama cicatrizes, elimina o sangue pisado de contusões, abcessos e tumores. Pode ser usado imediatamente após fraturas ou queimaduras para evitar inchaço e dor, e também em processos inflamatórios de hemorróidas, apendicites, artrites, reumatismos, sinusites, pleurisias, nevralgias, neurites, eczemas. Em caso de tumor no seio ou em outros lugares junto à pele é ótimo usar o emplastro de inhame durante uma semana antes de operar, pois ele vai aumentar esse tumor atraindo toda substância semelhante que houver no interior do corpo e evitar outros tumores. Serve ainda para baixar febres.
OS OUTROS NOMES DO INHAME
Em latim, infelizmente, é colocasia esculenta. Na África e na América do Norte se chama taro, na América Central é ñame ou otoe, na França é igname, na Índia albi, no Japão sato-imo, no Caribe malanga ou yautia. E cará, em inglês, é yam.

COMA E AME!

Receitas com Inhame em http://www.correcotia.com/inhame/i-cru.htm

sábado, março 22, 2008

"MALAI" NÃO É "DIAK LIU"

Frequentemente tenho lido em alguns blogues informações e protestos a respeito do comportamento desumano por parte das forças militares internacionais de segurança para com os cidadãos timorenses. Tenho lido coisas como estas:
“A maioria dos elementos da PNTL chega a tocar as raias da selvajaria ao agredirem-nos e isso causa traumas e medos a qualquer um.”

“A ONU deveria preocupar-se em constatar a realidade, os espancamentos e sevícias que as forças da ordem nos infligem e puni-los exemplarmente. Em vez disso dá palmadinhas nas costas dos seus comandantes e faz lindos relatórios para o Secretário-Geral Moon.”

“A ONU deveria abrir um gabinete independente, imparcial e protector de identidades, onde recebesse com segurança as denúncias e em paralelo com as autoridades timorenses e comandantes das forças dos países a operar em Timor (porque as forças internacionais também violam os Direitos Humanos) punir os faltosos.”

A propósito dos usos e abusos das forças policiais e militares que espancam e vilipendiam timorenses, cujas denúncias têm sido feitas através da comunicação social, declarou TMR:
“Estamos prontos para receber qualquer relato das vítimas que tenham sido torturadas por soldados, para que os casos possam ser investigados, não apenas os relatados pelos média, ”convidando os timorenses se dirigirem à PNTL e denunciar os casos.
Em resposta a este comunicado há respostas como estas:

“Ir à PNTL denunciar os casos?! Mas desde quando é que não correríamos o risco de sairmos de lá ?”

“Ir à PNTL queixar que tínhamos sido agredidos pela PNTL?”

Já comentei aqui neste espaço algo a respeito de tudo isto e principalmente os elogios da comunidade em relação às forças de segurança portuguesas ali estacionadas (GNR), pois estas comportam-se do mesmo modo que os militares do meu tempo quando Timor era uma Província portuguesa; ou uma colónia, pois que para o efeito tanto faz... Não foram muitas as vezes, mas em duas ou três em que estive de serviço como Sargento de Dia, durante os dois anos em que permaneci em Timor, recebi reclamações de moças timorenses sobre abusos sexual ou mau comportamento. Encaminhava o problema para o Oficial de Dia e este para o Comando e, se comprovadas as denúncias os prevaricadores eram duramente castigados. Nós, portugueses, jamais fomos xenófabos e sempre respeitamos os nativos das colônias como nossos irmãos. Está no nosso sangue.

A LÍNGUA E A MÚSICA

Música para revitalizar o português

Jovens de todo o Brasil vão ajudar na reconstrução do Timor Leste, a mais jovem nação do mundo, principalmente difundindo a língua portuguesa, proibida durante os 24 anos da ocupação indonésia. Os jovens brasileiros não vão dar aulas formais de Português, mas uma formação original que mistura musicas de Leandro e Leonardo e Chico Buarque, Zezé de Camargo e Luciano e Vinicius de Moraes, Roberto Carlos e Caetano Veloso, Teixeirinha e Titãs. Aqueles que já são ídolos dos timorenses com artistas que eles não conhecem.
Estudantes de todas as universidades brasileiras poderão participar do projeto, que foi concebido e será implementado pela Universidade de São Paulo. O objetivo é contribuir para o renascimento do português no Timor, escolhido como língua oficial do país.
O artigo completo, da autoria da jornalista Rosely Forganes, poderá ser lido em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/ipub050220032.htm

sexta-feira, março 21, 2008

CARTÃO POSTAL

Quando há trinta e dois anos esta cidade de Campinas estendeu os braços para me receber como um filho seu, existiam dois lugares que eram os principais cartões postais --- o Parque Portugal, com a sua caravela e o cuidado jardim onde hoje é o Terminal Central. Por incrível que pareça, não possuo fotos de qualquer desses lugares ou as tenho em algum local que não me vem à lembrança; tive que recorrer à internet para ilustrar esta crónica... Todavia, enviei muitos dos postais referidos para os meus amigos nesse mundão afóra.
O jardim que ficava abaixo do viaduto, bem no centro da cidade, desapareceu para dar lugar a um terminal de ônibus urbanos e, consequentemente a um aglomerado de barracos da economia informal que nos dá a visão de uma favela; um lugar feio, desordenado e perigoso. A caravela do Parque Portugal afundou dois metros esta semana e isso exaltou os ânimos com grandes correrrias para achar as causas e os culpados.
Atenho-me ao problema da caravela. Ela é uma réplica exacta da Assumpção que fazia parte da expedição de Pedro Álvares Cabral quando da chegada ao Brasil em 1500. Há una anos atrás já apresentara problemas e adernou. Foi retirada das águas da lagôa, recuperada e fundeada nòvamente. Desta vez o problema parece ser muito mais grave. De imediato se começou a pensar em substituí-la por uma nova e verbas na ordem dos milhões se aventaram... Aqui é o país dos "milhões" roubados daqui, desviados dali e desaparecidos para o além...
Não sou engenheiro naval e jamais trabalhei num estaleiro, mas tenho conhecimentos, adquiridos na curiosidade e na experiência, que me deram a liberdade e autoridade para pensar que essa recuperação não seria um bicho de sete cabeças, principalmente com novos produtos e tecnologia que existem hoje associados, claro, aos ofícios tradicionais. Retirar-se-ía a caravela da água e colocar-se-ía em terra apoiada em cavaletes a exemplo do que se faz em qualquer estaleiro. Então, diagnosticar-se-ía a complexidade da problemática e aplicar-se-ía o receituário inerente.
Alguém haverá, certamente, que ao ler o simplista parágrafo anterior dirá, com sorriso irónico, que as coisas não são assim. Mas na verdade são! Entretanto, veio um engenheiro naval ontem, convidado para o efeito, dizer por outras palavras exactamente o mesmo que eu pensara. Acrescentou sòmente que, nos dias actuais as dificuldades são enormes para a realização dessa tarefa devido à falta de profissionais adequados, principalmente carpinteiros e às grandes dificuldades de adquirir madeira nobre.
Chegou-se ao ponto onde eu queria. Além de carpinteiros eu acrescento "tanoeiros" e sei que a maioria não conhece o termo... E será que não existe mais essa profissão? Ainda existe mas já se contam pelos dedos os profissionais, não pelo facto do aço inoxidável substituir totalmente a madeira na confecção de pipas e talhas para o vinho e as chapas de aço carbono eliminarem totalmente a mesma madeira na construção de pequenos barcos de pesca. Estamos caminhando para esse horizonte.
Muitos cursos técnicos acabaram. Ninguém mais quer aprender um ofício. E o grande buraco negro está exactamente nesse azimute. Por isso, alguns desses profissionais especializados são muito bem pagos e disputados, mesmo que não tenham qualquer "canudo" que só serviria para enfeitar uma das paredes da sala de visitas... No que tange à madeira nobre, ficamos com os cabelos em pé perante as milhares de queimadas e desmatamento ilegal.

ALENTEJO E ALENTEJANOS

ALENTEJO --- Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu da Espanha à porcura do Mar. O Alentejo molda o caracter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade e Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve que refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo o homem consegue ver ao longe. Foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao Reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas sem conseguir ir até à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar o peso de um empreendimento daquele vulto.
Aquilo que para um homem comum fica muito longe, para o alentejano fica logo ali... Para um alentejano não há longe nem distância, prque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi por esta razão que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no Mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: "Não! é logo ali". O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina. Para um alentejano o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se dicide pela quantidade, mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhois e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo como argumento da desproporção numérica: "Vocês são muitos? --- o que interessa isso se os alentejanos estão do nosso lado?".
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente do mais simples prazer da vida. Por isso se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois teve que fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa um alentejano nunca tem pressa. Eva poderia responder a Adão se este, intrigado, lhe perguntasse o que é que um alentejano tinha que ele não tinha: "tem o tempo e tu tens pressa!". Quem anda a correr não chega a lugar algum; e muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque o alentejano e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
Atá nas anedotas os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... Só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso ao mesmo tempo que servem de espelho a quem os ouve. Mas, para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos tôpo de gama. Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem senso de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvive as diminui. Se Hitler e Staline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que fôram. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de sintese notáveis.
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas, há melhor iguaría que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. É o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou ao fim de uma semana. Só quem como o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quante de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de inverno, dou graças a Deus por ser Alentejano. Que maior benção um homem poderia almejar?
Adaptação livre de um texto de Carlos Barreto na Internet.

FELIZ PÁSCOA


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quinta-feira, março 20, 2008

REESCREVENDO A HISTÓRIA - II

(…) Os descolonizadores estavam tão ocupados com a Guiné, Angola e Moçambique que quase se esqueceram de Timor. Mas em Julho de 1974, o lugar-tenente de Mário Soares visita Timor e é surpreendido por um portuguesismo quase fanático. Aquela população era uma miscelânea de povos, cada um com a sua língua e os seus costumes próprios. O que os une, permitindo-lhes viver em paz, é a veneração que nutrem pela Bandeira Portuguesa e por Portugal. Almeida Santos confessa que ficou estarrecido com a devoção daquelas gentes a Portugal. Ainda em Timor, em Julho de 1974, numa conferência de Imprensa, afirmou: “para além dos programas políticos, o que conta são as realidades humanas, e a realidade humana de Timor, que eu pude testemunhar e que os senhores também puderam testemunhar é que existe aqui muito vivo o sentimento de respeito e amor a Portugal. É um fenómeno sociológico que me parece que sai fora das regras normais da sociologia política”.
E Almeida Santos acrescentaria mais tarde que “os timorenses não querem ser descolonizados pela simples razão de que não se sentem colonizados”. Perante a hipótese de uma descolonização recebeu como resposta das forças-vivas de Timor “a nossa resposta ao problema da descolonização é que o que nós precisamos é de mais cultura, mais saúde, mais desenvolvimento agro-pecuário, mais tractores, mais comunicações e mais indústrias”.
O desenvolvimento que teve lugar nos territórios onde grassara a guerra desde 1961, não se verificou em Timor. O pequeno território não foi objecto da cobiça dos imperialistas. Aos EUA agradava o seu actual estatuto e à URSS o seu potencial estratégico ou geo-estratégico não justificava o seu envolvimento, mesmo indirecto.
No acto de posse do novo Governador, ao tempo, Ten-Coronel Lemos Pires, o Ministro Almeida Santos afirmaria:
“Prepare-se V. Ex.ª para o mais espantoso fenómeno de dedicação a Portugal. Quando de lá regressei, rendido a essa heterodoxa sociologia de divinização da Bandeira Portuguesa, que venceu o tempo, a distância e o universalismo político, alguns me terão julgado possesso de romantismo caduco ou de heroicismo carlyleano. Não se trata disso. Apenas relatei, entre atónito e emocionado, factos que sem defesa possível emocionam e espantam”.
Esta era a atitude de Almeida Santos que correspondia à vontade dos timorenses, expressa não em votos, mas em actos e sentimentos. Mas Mário Soares, que de tudo sabe e jamais disse a qualquer questão “Não sei”, e “profundo conhecedor da realidade timorense”, reagiu negativamente à posição do seu lugar-tenente, acabando por afirmar: “É necessário convencer o mundo da intenção sincera de Portugal de abandonar as suas colónias. Manter diversos laços entre os territórios e a Metrópole conduziriam, a meu ver, a formas de neo-colonialismo larvar, que o governo português rejeita em bloco. Nós comprometemo-nos com um trabalho histórico”.
Esta posição do “patrão” da descolonização coloca em xeque a opinião de Almeida Santos que, com o seu grande à-vontade e discernimento, rapidamente faz agulha, acabando por afirmar: “Que independência está em dúvida? Nenhuma. Apenas a de Timor não tem ainda data. Mas tê-la-á em breve”.
Nada havia a fazer. O rei da descolonização não poderia hesitar pois, mo fim, era o seu ego que estava em causa. Para subir ao mais alto pedestal na nova plêiade dos políticos portugueses, teria de começar por realizar algo que o imortalizasse e provasse à sociedade a sua enorme capacidade intelectual, cultural e, principalmente, a sede de poder. (…)
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(…) antes do Ten-Coronel Lemos Pires e do seu grupo de colaboradores ter chegado a Timor, se deu a entrega da Guiné ao PAIGC, o que significou ser o autor moral do fuzilamento de milhares de guineenses; que o então Ministro dos Negócios Estrangeiros (Mário Soares) andou aos abraços a Samora Machel, quando os soldados das nossas FA continuavam a lutar e a morrer na província (Moçambique) em defesa das suas populações; (…)
Trechos do livro "25 de Abril de 1974 --- A Revolução da Perfídia"
Editora Prefácio. 2008

Autor: General Silva Cardoso

Alto Comissário de Angola (1975). Governo Mário Soares.

Ex Presidente do Supremo Tribunal Militar.

terça-feira, março 18, 2008

BOA ESCOLHA

ONU elogia conselheira portuguesa em Timor
Sónia Neto juntou-se ao representante da ONU, como sua Conselheira de topo, em 9 Abril de 2007, por um período inicial de três meses, sucessivamente prolongados, informa a UNMIT em comunicado.
Khare agradeceu ao Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a "vontade generosa" de nomear Sonia Neto como sua Conselheira de topo, assinalando que a presença desta "reforçou significativamente" a sua equipa pessoal, "dado o seu conhecimento íntimo do país e a sua excelente capacidade para trabalhar com a liderança timorense". Sónia Neto exerceu funções de chefe de gabinete de José Ramos Horta entre 2001 e 2006, em Díli. "Sónia representa o melhor que os profissionais da Comissão Europeia têm para oferecer, ao mesmo tempo que segue de maneira persistente os princípios e propósitos da Carta da ONU", concluiu Khare, agradecendo ao mesmo tempo o apoio de Bruxelas à UNMIT e a Timor-Leste, "particularmente a promoção da aplicação da lei, o reforço da governação democrática e do desenvolvimento socio-económico". elogia conselheira portuguesa em Timor.
Informativo-Notícia 2008-03-18 14:34:00 Newletter "Público"

segunda-feira, março 17, 2008

AO DESTINATÁRIO COM CARINHO

De Cavaco Silva para Ramos Horta

"Espero que, em breve, possa regressar a Timor e reassumir a chefia do Estado", escreve o Presidente português na carta dirigida ao seu homólogo timorense e que foi acompanhada por uma garrafa de vinho do Porto de 1949, ano do nascimento de José Ramos-Horta, e pastéis de Belém."Envio-lhe, caro amigo, um contributo para reforço do seu ânimo e prazer do paladar: um Porto de 1949 (ano da sua graça) e pastéis de Belém", adianta ainda Cavaco Silva.
Um vôo de Lisboa a Darwin, com as escalas que forçosamente terá que fazer, não se completará em menos de 20 horas. Acreditando que tenha sido um vôo comercial e presumindo ter havido baldeações, enfim, deve ter demorado ainda mais.
O vinho do Porto com 59 anos de idade, certamente que se trata de um “vintage” e, por isso, poderá manter a sua qualidade inalterada por muito mais tempo. Quanto aos pasteis de Belém...
Em 1968, contava eu seis meses de permanência em Timor, numa das terças-feiras em que recebíamos correspondência através do Serviço Postal Militar (SPM 0036 era o meu endereço...), chegou uma encomenda entre algumas cartas. O conteúdo das cartas já me causava ansiedade e curiosidade; uma encomenda, então, nem se fala. Aquela era remetida pela minha única tia que me considerou sempre como o filho que nunca teve e eu, recìprocamente, a considerava como minha segunda mãe.
A maioria dos meus camaradas abria a correspondência ali mesmo, no SPM de Taibesse. Via as suas expressões de alegria ou tristeza à medida que liam as cartas e acompanhava a troca de idéias entre uns e outros durante o tempo em que esperava a minha vez. Eu levava tudo para abrir em casa, pois morava a cem metros dali, no Bairro dos Sargentos.
Sem sombra de dúvidas que a primeira coisa a ser aberta foi a encomenda. O papel primeiro e depois aquela pequena caixa de papelão. Lembro-me como se fosse hoje que fiquei olhando, incrédulo, para aquele bife empanado...
Por incrível que pareça, não estava putrefacto! Não tinha qualquer cheiro desagradável e até parecia fresco. Claro que o joguei no lixo. Porém, não tive a “obrigação” de explicar aos meus camaradas o motivo da sequência das minhas expressões: ansiedade, perplexidade, acabrunhamento, desânimo, compreensão...

POESIA GAÚCHA

Andava mijando errado
Com as urina em atraso
Era uma gota no vaso
Três ou quatro na lajota
Quando não era nas bota
Na bombacha ou nos carpim
Eu mesmo, mijando em mim
Que tamanha porcaria
E o meu tico parecia
Uma mangueira de jardim
O pensamento mandava
O pau não obedecia
Quando a bexiga se enchia
Eu mijava à prestação
Pro banheiro, em procissão
Uma ida atrás da ôtra
Numa mijada marota
Contrastando com meu zelo
Pra beber, era um camelo
E pra mijar, um conta-gota
Depois de passar um bom tempo
Convivendo com esse horror
Me fui atrás de um doutor
Que atendesse meu pedido
Me desse algum comprimido
Pra mim empurrar goela abaixo
Tenho certeza, não acho
Que bem antes que eu prossiga
É importante que eu diga
Que não deixei de ser macho
Mas buenas, voltando ao causo
Que é natural que eu reclame
Depois de um monte de exame
De urina e ecografia
E até fotografia
Da minha arma de trepá
Me obrigaro desaguá
Ajoelhado num pinico
E me enfiaro um troço no tico
Que me dói só de lembrá
Ainda dei o meu sangue
Pros vampiro diplomado
Pensei que tinha acabado
Só me faltava a receita
Já tinha uma idéia feita
Me trato e adeus, doutor
Recupero o mijador
Nem sonhava em concluir
Que alguém iria invadir
Meu buraco cagador
Fiquei bem contrariado
Tomei um baita dum choque
Quando me falaram em toque
Achei bem desagradável
Pra um macho é coisa impensável
Um dedão campeando vaga
No lugar que a gente caga
Vejam só o meu dilema
O pau é que dá problema
E o meu cú é que paga
Tentei todos argumentos
Me esquivei o quanto pude
Mas se é pra o bem da saúde
Não deve me fazer mal
Expor assim meu anal
Fazer papel de mulher
Nem tudo que a gente quer
Tá de acordo com os planos
Fui derrubando meus panos
E se salve quem puder
De cotovelo na mesa
A bunda véia empinada
No cú não passava nada
Nem piscava de apertado
Mas era um dedo treinado
Acostumado na bosta
E eu, que nunca dei as costa
Pra desaforo de macho
Pensava, de pinto baixo
O pior é se a gente gosta
Pra mim foi mais que um estupro
Aquilo me entrou ardendo
E então eu fiquei sabendo
Como se caga pra dentro
Aquele dedo nojento
Me atolando sem piedade
Me judiou barbaridade
Que alívio quando saiu
Garanto pra quem não viu
Que não vou sentir saudade
Enfiei a roupa ligeiro
Com vergonha e desconfiado
Vai que o doutor abusado
Sem pena das minhas prega
Chamasse um outro colega
Pra uma segunda opinião
Apertei o cinturão
Fiz uma cara de brabo
Dois mexendo no meu rabo
Aí seria diversão
Depois daquela tragédia
Que pior pra mim não tem
Não comentei com ninguém
Pra evitar o falatório
Se alguém fala em consultório
Me bate um pouco de medo
Não faço nenhum segredo
Dessa macheza que eu trago
Mas cada vez que eu cago
Me lembro daquele dedo