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sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Sucata


giacomettiUma das minhas ocupações profissionais, ao longo da minha vida, foi a de sucateiro. Foi na época de grande  crise económica (1980) em que perdi o que foi o meu último emprego e passei a trabalhar por conta própria.
Sempre gostei das coisas direitas e, mesmo sem ter um espaço físico à altura e específico, abri firma com tudo legalizado. Como muita coisa que fiz, entrei de curioso com a força e a vontade e fui conhecendo os meandros dessa actividade. Grandes máfias existem nesse campo…
Aliando o útil ao agradável, fui-me embrenhando e cada vez mais apaixonado ficava por certas peças descartadas como sucata e que eram, na verdade, obras de arte e antiguidades valiosas. Criei gosto pelo ramo.
Eu próprio cheguei a criar agumas obras utilizando pedaços de metais. Algumas eu guardei e a maioria acabou mesmo por voltar a ser sucata depois que passei horas olhando para elas e ter concluído tratar-se de algo horripilante…
Porém, repentinamente e tantos anos depois, mostro-me arrependido desses actos. Quem me garante que alguma dessas muitas obras que fiz, até mesmo esculturas em bronze derretido, não valeria 1 milhão de dólares!?
Não estou voando muito alto quando cito 1 milhão, pois faço uma comparação com os 103 milhões pagos no leilão da Sotheby’s em Londres pela escultura “Homem andando” de Giacometti e que, diga-se de passagem e sinceramente, é uma verdadeira droga de mau gosto.
Não sou mais sucateiro profissional, mas mantenho o hábito de guardar tranqueiras e vendê-las depois. É o caso das latinhas e cerveja que tomo diàriamente. Assim, estou a par dos preços dessas commodities e pasmo quando o cara do ferro velho me paga o bronze a 20 paus o kg e me lembro da escultura do suiço…

segunda-feira, abril 13, 2009

Chico Stockinger

Morreu neste domingo, aos 89 anos, em sua casa na zona sul de Porto Alegre, o escultor Francisco Stockinger.
Austríaco naturalizado brasileiro, ele dormia quando familiares perceberam, por volta das 21h30min, que ele falecera.
O velório teve lugar no Museu de Artes do Rio Grande do Sul (Margs), na manhã desta segunda.
Nascido em Traun, na Áustria, em 1919, Francisco Alexandre Stockinger criou-se em São Paulo e iniciou-se na escultura no Rio de Janeiro.
Conviveu ali com personagens fundamentais na fixação da arte moderna no Brasil: Di Cavalcanti, Milton Dacosta, Maria Leontina, Iberê Camargo.
Transferiu-se para Porto Alegre nos anos 1950.
Estava entre os fundadores do Atelier Livre da prefeitura da capital gaúcha e foi um dos primeiros diretores do Margs.
Depois de ter construído obra importante em xilogravura, ganhou projeção nacional com seus guerreiros em ferro e madeira, que costumam ser associados com a resistência à ditadura militar.
Xico foi aviador, meteorologista e diagramador de grandes veículos da imprensa nacional. Também colecionava cactus e é responsável pela identificação de duas novas spécies.