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sexta-feira, abril 07, 2017
quinta-feira, agosto 12, 2010
Saúde
Uma imagem perfeita do serviço público de saúde no Brasil. Tem muito e muito mais de absurdos. A esperança é que um dia tudo isso possa mudar com a consciência do eleitor esclarecido e exigente.
terça-feira, agosto 10, 2010
Viva o Amor e a Vida
A minha crónica anterior, subordinada ao título “Extremos” tinha que ser escrita. Hoje tenho vontade de a apagar, excluir, deletar. Mas pensei melhor e concluí que ela faz parte de um todo se bem que também do passado.
Não escrevi nada directamente para a minha família e para alguns dos meus amigos como, por exemplo, um e-mail. Também com ninguém me comuniquei através do Skype ou do MSN, ou mesmo com alguma mensagem no Orkut, Facebook ou Twitter.
A situação para mim estava muito má. A minha cabeça não estava assimilando o que se passava e, além da doença diagnosticada, chegava a pensar, conscientemente, que poderia ficar louco. Apesar de ser um cara forte e de situações extremas ter enfrentado com coragem e abnegação, como um alentejano enfrenta, cheguei a pensar numa das últimas decisões drásticas. Talvez não tenha chegado a esse ponto por pensar nos meus netos, principalmente, e porque amo a vida.
Agradeço de coração --- que não sei se é um coração grande ou um grande coração ---, aos Amigos que me escreveram e-mails dando o maior apoio e acentuando o que há muito tempo eu já sabia, a existência de uma profunda amizade e transbordante carinho.
Hoje não só alertarei os mesmos de ontem, como todos os que constam das minhas listas de contatos. Todos saberão o que aconteceu e, porque um monte de tags colocarei, muita gente por esse mundo afóra tomará conhecimento do que se passou comigo e, certa e infelizmente, se estará passando sabe-se lá com quantos infelizes mais, muitos destes sem o discernimento ou possibilidades de tomar outro rumo. Mas torcerei muito para que as minhas palavras e a minha revolta, aventadas aos quatro cantos do Mundo, encontrem alguns a elas receptivos.
A minha revolta e a minha denúncia não serão encaminhadas à Imprensa. Não pretendo citar nomes. Serei ético, mas consciente de que algo do que aqui escrevo possa vazar por rumos que não tracei. Aí não será um problema em cima do qual alguém me queira encher o saco.
A noite em que eu consegui dormir um pouco mais, nos últimos quinze dias, foi esta última de domingo para segunda-feira. Tomei aquela bateria de comprimidos normalmente, como até então. Procurei um canto no sofá e tentando vencer os pensamentos negativos, dormi das 0 às 2. Tentei na cama, perto da janela para receber ar fresco da madrugada no rôsto e, assim, dormi das 3 às 5. Como não trabalhava na segunda-feira, procurei a cabeceira da cama e dormi das 5:30 às 7. Mais tarde, no sofá outra vez, dormi das 7 às 8. Depois não consegui dormir mais e sentei-me na área abservando os pássaros nas minhas árvores. Eles estavam felizes, como sempre, e parece que me transmitiam algo que eu não decifrava.
Fiquei relutante em tomar a habitual bateria de comprimidos, pois começava a sentir-me bem sem eles. Mas, como o médico me alertara que se eu parasse certamente não viveria muito mais, às 9 horas tomei-os todos. Meia hora depois começou o meu habitual sofrimento de todos os dias. Enfraquecimento das pernas e braços com formigação. Quentura no peito, ânsias de vómito, tontura e um sentimento de vazio no cérebro.
Desta vez decidi que iria ter uma segunda opinião de um cardiologista. Tinha que ser no dia e pagaria o quanto custasse. Entre alguns nomes fiquei voando sem saber a qual me dirigir e nem todos estavam disponíveis. Uma das minhas cunhadas sugeriu-me o dela que, além de ser professor numa renomada Universidade, era seu médico há muitos anos. Isso concorreu para a escolha e lá estava eu às 16 horas.
Uma clínica que transmite boa impressão a quem chega, não só pela organização, como também pela contestação de uma enorme equipe de cardiologistas.
Levei junto comigo as três recentes radiografias do tórax e uma específica do coração, bem como os últimos exames clínicos, mapa da pressão e relatório pessoal do meu estado de saúde, consultas e terapias. O médico apreciou essa minha organização e tudo foi útil.
Foi uma entrevista morosa e ali não ficou esquecido um único detalhe; até alguma coisa que eu jamais imaginaria me ser perguntada o foi. Percebi que tudo concorreria para um perfeito diagnóstico quando associado aos exames ali feitos na hora e os que ficaram programados para estes dias.
Finalmente o médico mandou-me deitar numa maca para fazer um último exame e, antes que eu subisse, disse-me: “o seu coração não está grande; ele é um coração normal!” --- E onde é que eu ouvi dizer que homem que é homem não chora? E foi o que aconteceu. Embargou-se-me a voz e as lágrimas corriam que nem cataratas pelo meu rôsto. Voltaram a correr agora que escrevo estas palavras, mas isso não me inibe e me dá forças.
Eu não tenho excesso de líquidos no corpo. Eu tenho gordura localizada porque sempre fui bom de garfo e colher, gosto de dormir a sesta e pouco ando a pé por aí… A falta de ar que originalmente me levou ao médico do hospital e posteriormente ao primeiro cardiologista, deve-se à pressão do abdómen sobre os pulmões.
Três exames mais terei que fazer e já estão programados. Todos serão particulares e, portanto pagos. Farei um plano de saúde depois; é necessário, pois não se sabe o dia de amanhã…
Anteriormente escrevi uma outra crónica em que abordava essa discrepância de laudos médicos e dei-lhe o título muito sugestivo de “Filhos da Puta”. Na época não achara outro mais ajustável e até hoje acho que está bom.
O título para a crónica de hoje ainda não emergiu. Mas vejamos e pensemos sobre isto. O primeiro médico (clínico geral) que me avaliou na primeira vez que fui no hospital, pelo Sistema Único de Saúde, achou que todos os exames clínicos estavam bons. Perante o raio X do tórax exclamou que os pulmões e o coração estavam bonitos. Sim, foi essa a expressão usada. Levei todo o material ao meu médico do Posto de Saúde com o qual tenho consulta a cada 4 meses. Também clínico geral, teve a mesma opinião sobre todos os exames.
Numa segunda ida ao hospital, nas emergências, por causa dessa fatídica falta de ar nocturna durante o sono, voltei a fazer a mesma bateria de exames e só com a diferença de, além de chapa do tórax, também uma específica do coração. Tudo normal outra vez! Só que fui aconselhado a procurar um cardiologista, pois ali não me encaminhavam e isso seria com o meu médico do Posto.
Como a consulta no Posto só poderia ser marcada para Setembro, fiquei com a cabeça às voltas. Tendo alguém me indicado uma clínica popular com preços módicos e bons profissionais, marquei uma consulta com o cardiologista e dois dias depois lá estava eu. Mostrei todos os exames (sempre os carrego comigo) e, quando ele olhou as chapas, exclamou: “o coração está enorme e já sei o que você tem!”. O resto eu já comentei anteriormente.
Neste última sábado que entrei nas Urgências do hospital, situação que também já relatei anteriormente, lembro que o médico, neuro-cirurgião, apontou-me na chapa de raio X o pedaço enorme da dilatação do coração. Eu nem imaginava que o coração estivesse tão cá em baixo… Depois foi o que também já relatei.
Agora eu pergunto: um médico cardiologista e um outro neuro-cirurgião nunca terão visto um coração quando estudaram? Nunca aprenderam a interpretar as imagens radiológicas? Será que o cardiologista obtém algumas vantagens quando receita, a êsmo, medicamentos caríssimos? --- O que está acontecendo com os nossos médicos e com o nosso sistema de saúde?
Joguei no lixo todos os comprimidos que tomei durante quase um mês. Foi essa a ordem do Professor Doutor. Certamente levará algum tempo para limpar todo o mal que me ocasionaram, mas senti que hoje passei um dia maravilhoso sem eles. Estou até relutante em tomar o segundo faixa preta do total de 20 que ontem me foram receitados para organizar o meu conturbado sono; na última noite dormi maravilhosamente. Não o tomarei, a não ser que sinta falta dele.
Hoje tomei a água que me tinha sido proibida; tomei uma garrafa de vinho alentejano junto com um sashimi que fiz na feira. Fiz de madeira uma rampa de skate para o meu neto. Amanhã passearei com o meu cachorro, pois não mais estou proibido de o fazer. Do mesmo modo passearei em volta da quadra com a minha mulher e colocaremos em dia o papo que há muito estava em stand by. Ela foi uma grande companheira nestes últimos dias de grande sofrimento.
Viva o Amor e a Vida!
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sexta-feira, julho 23, 2010
Filhos da Puta
Muitas vezes quando inicío uma crónica já tenho um título para a mesma, pois nasce naturalmente. Outras vezes, como é o caso desta, fico na dúvida e, assim, vou escrevendo e aguardar até ao final por uma luz que dissipe essa escuridão. Tudo isto porque o assunto é escabroso e me deixa revoltado, o que origina uma lista de títulos raivosos…
Cada um sabe onde lhe doi e tem que dançar conforme a música. Juntei duas metáforas com o mesmo sentido na mesma frase para explicar que durante muitos anos, mais de 15, paguei um Plano Privado de Saúde e jamais usufruí do mesmo. Felizmente que assim foi, pois significou isso que nunca fiquei doente (?). Desisti desse Plano por achar que estava muito caro e pelo resultado de uma matemática que coloquei no bico do lápis.
Além dos 15 anos referidos, fiquei mais 5 sem qualquer tipo de Plano e sem ter tido necessidade de ir ao médico. Porém, a idade descobre coisas que até então estavam cobertas e, devido a alguns sintomas estranhos, procurei inscrever-me no Sistema de Saúde Pública. Foi difícil e, confesso, tive que “meter uma cunha” através de uma enfermeira que eu conhecia só de vê-la passar e que soube trabalhar no Sistema…
Por uma série de factores, descuidos e burrices, virei obeso e, consequentemente, hipertenso. E, se não me tocasse a tempo, talvez não estivesse aqui escrevendo hoje.
Mas a saúde pública é uma merda, aquém e além mar… As consultas não são marcadas consoante as nossas necessidades e tem-se que deitar mão das emergências, verídicas ou fantasiadas.
Além da complicação de um médico receitar determinado medicamento nas emergências, vem o outro que cuida de mim periòdicamente e manda suspender aquele e me receita outro. E nunca qualquer um deles me encaminhou para um especialista.
Pensando ter a pressão sob controle porque as medições o demonstravam, jamais imaginei ter outros problemas correlatos. Mas o corpo avisou-me que sim, que havia outros problemas. Fui nas emergências do hospital público, fiquei lá o dia inteiro e fiz uma bateria de exames. O médico avaliou-os todos e eu estava perfeito. Olhou para as duas radiografias (torax e coração) e disse que estava tudo como novo. Mas que seria bom procurar um cardiologista. Como o meu médico já anteriormente tinha analisado uma outra radiografia (não decorrera muito tempo), dizendo que o coração e o pulmão estavam perfeitos, comecei a ficar preocupado…
Pensei: “faz um sacrifício e procura um médico particular!” E foi o que fiz hoje. Levei aquela última radiografia e quando ele a examinou logo exclamou: “O seu coração está muito mal! Está muito inchado. Por aquilo que me descreveu como sintomas, sei perfeitamente o que o senhor tem” --- Retruquei se deveria ter procurado um cardiologista há mais tempo e a resposta foi positiva e enfática.
Não poderei fazer muito esforço. Tenho que rever o meu trabalho diário e abster-me de levantar aqueles grandes pesos; nem o cachorro devo levar a passear por causa da minha resistência à sua força brutal. Toda a medicação anterior foi suspensa e uma nova (caríssima) passou a vigorar hoje mesmo.
Cheguei no final e lá colocarei o título que não gostaria, mas que se encaixa perfeitamente.
sexta-feira, abril 23, 2010
Saúde
Esta cidade de Campinas onde moro, tem mais de um milhão de habitantes. Estou aqui há 34 anos. Passam-se os anos e, eleição vai, eleição vem, são sempre os mesmos candidatos ou descendentes deles…
É a cidade equivalente ao vale do silício nos EEUU; tem muitas empresas de ponta, alta tecnologia. Porém, em infra estrutura jamais percebi avanços interessantes.
Há muito deixei de pagar o plano particular de saúde que mantive por quase 20 anos. Raríssimas vezes usei os serviços e cheguei à conclusão que a poupança dessa mensalidade engordaria o meu caixa e daria para pagar alguma intervenção de urgência.
Agora que a idade avançou para o chamado estágio crítico, começam a aparecer os problemas de dor daqui e dali, hipertensão, falta de tesão, etc. etc.. Por isso, comecei a usar o serviço único de saúde (SUS) e confesso que nada tenho a reclamar quanto ao atendimento e acompanhamento.
Hoje, depois de já ter efectuado outros exames que compõem o check up, fui tirar um RX do tórax para observar possíveis problemas do coração.
Mais uma vez adentrei naquele que é o principal hospital da cidade. De nome Dr. Mário Gatti, é pau para toda a obra na região. Já conheço os meandros, mas hoje fui num local diferente.
Passei perto da cozinha e até tapei as narinas porque não suportei aquele cheiro de azêdo; depois ambientei-me… Zanzei por aqui e por ali até chegar ao ponto de atendimento que procurava. Ultimada a burocracia, ali fiquei aguardando num corredor com mais uns 50 cidadãos iguais a mim, escutando chiadeira de um lado e do outro…
Os pacientes vão sendo chamados em grupos de 4 mas, no meio deles há os fura-fila. Estes últimos veem em macas, ensanguentados, cagados, mijados, entubados, meio mortos e meio vivos. É uma cena dantesca, se bem que tal não mais me afecta há muitos e muitos anos.
Lembrei-me daquele dia em que, vítima de um corte num dedo, dirigi-me ao Hospital Universitário de Genebra. Estava eu na Suiça. Lá eu nem queria acreditar no que estava vendo. Ali era tudo tão perfeito que até o chão poderia ser lambido. Claro que prefiro lamber outras coisas…
O cara lá do hemisfério norte tocou na tecla ao instituir o serviço público de saúde. E precisava. É claro que é muito difícil navegar nessas águas onde existe o serviço privado de saúde com mão forte e bem apoiado. Porém, o caminho certo é acabar com isso ou com eles… Todo o serviço de saúde, em qualquer país, deverá ser público e de primeira categoria; a única categoria.
Sonho ainda com esta cidade entrando por esse caminho. Talvez até eu venha a morrer num bom hospital público e pensando que estou num hotel 5 estrelas rodeado de belas enfermeiras.
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