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domingo, setembro 21, 2008

Bem-te-vi

Bico afiado, ele insiste em barulhar.
Agora bate palmas na janela, nas portas de vidro; em qualquer espelhado.
Penso que acha que estou dormindo.
Mas quando convido entrar ele cai fora... voa rápido.
Não entendo esse bem-te-vi
Que, embora não saiba, ficou meu amigo.
De manhã que era, ficou diuturno.
E volta quando vagueio meus pensados.
Trituro minhas prosas.
Falo ensimesmado.
Me trouxe lembranças de lá...
De noites turvas
Céus arroxeados
Nuvens de figuras trépidas esburacadas
Mando que leve escritos
Ao joão-de-barro
Forneiro amigo
Construtor de arranha-céus.
(Meu forneiro amigo tem casa de três lages construida numa forquilha de poste na minha rua).
Me traga notícia de uma siriema
Que canta quando entardece
Aqui perto dum banhado
Ou quando o sol se levanta
secando os orvalhos das avencas.
Bença meu bem-te-vi!!!
Me poupe as dores,
Pois és mensageiro dos céus.
Livre dos barbantes do chão.
Cipós da vida.
De um aviso aos outros deuses:
Pra deixar a vida abestalhar
Sonsa
Morna
Maneira.
Bicotelegrafe ao jabuti
O bicho-preguiça
Lagarto teiú
trazer a vagareza do tempo.
Vá meu bem-te-vi, mas volte toda manhã.
Para que eu não precise mais chorar
Nem sentir saudades.
Marcilio C.Freitas

sábado, setembro 22, 2007

SINTO VERGONHA DE MIM

O poema de Rui Barbosa, transcrito a seguir, é de uma impressionante atualidade. Poderia ter sido escrito hoje sem mudar uma palavra...
SINTO VERGONHA DE MIM
Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.
Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar atos criminosos,
a tanta relutância em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atráse mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo
que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...
Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação
de nacionalidade.
Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!
"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto".

sexta-feira, agosto 03, 2007

CULTURA ALENTEJANA

Cheguei à conclusão que o meu blog tem andado muito nas nuvens ùltimamente, mercê de tantos aviões e assuntos com eles relacionados.
Está na hora de firmar os pés no chão e caminhar ao sabor das coisas boas para o espírito. Porque não conhecer ou relembrar as maravilhas da cultura Alentejana? Então, faço-vos o convite para acessarem o site http://www.memoriamedia.net/alentejo.htm onde encontrarão vasto material relacionado com Contos Tradicionais, Poesia Popular e Cante
Alentejano.

quinta-feira, maio 03, 2007

O MAR DE TIMOR

No pretérito dia 8 de Março postei aqui uma matéria divulgando o livro "O Último Voo sobre Timor" da autoria do meu amigo Cap. Abílio Ferreira, transcrevendo algumas partes do mesmo. Trata-se de um relato dos últimos acontecimentos antes da invasão por parte da Indonésia.
O teor integral desse livro poderá ser lido e baixado em www.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=40523
A última página do livro tem o seguinte poema:
NO MAR DE TIMOR
ONDE A PAZ CONHECI,
QUIS VOLTAR UM DIA
P'RA REENCONTRAR.
JÁ NÃO EXISTIA.
PERGUNTEI AO MAR,
AO MAR DE TIMOR
E NEM ELE SABIA
ONDE A PROCURAR.
CHORAVA DE DOR,
TALVEZ DE SAUDADE,
MAS NEM PAZ, NEM VERDADE
AGORA EXISTIA
NO MAR DE TIMOR.
PERDI A ALEGRIA,
PERDI O MEU AMOR,
O MAR DE TIMOR!