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domingo, agosto 04, 2019
domingo, maio 29, 2016
terça-feira, abril 08, 2014
A Cortiça e a Ciência
Equipa liderada por cientistas portugueses extraiu da cortiça uma
molécula complexa mantendo as suas propriedades iniciais. Os cientistas
descobriram ainda que essa molécula é antibacteriana e antevêem uma
série de aplicações, como uma nova geração de sacos de plástico.
Uma equipa de
investigadores, liderada por portugueses, acaba de demonstrar que é
possível extrair da cortiça uma película de suberina – uma molécula
vegetal que se encontra em grande quantidade na casca do sobreiro. E
provou ainda que esta película tem propriedades antibacterianas. A
novidade foi publicada na revista Biomacromolecules.
A
suberina é um poliéster, o nome de uma classe de polímeros em que
entram vários tipos de moléculas, como os plásticos (estes provêm do
petróleo). A suberina é naturalmente produzida em árvores como o
sobreiro ou a bétula. É um importante constituinte da parede das células
vegetais – uma estrutura que está à volta da membrana celular, dá
rigidez aos tecidos e não existe nas células animais.A suberina acumula-se na cortiça, onde pode chegar a constituir metade do seu peso. A casca do tronco da bétula também pode conter até 50% desta macromolécula.
Até agora, nunca se tinha conseguido extrair a suberina de modo a manter uma estrutura semelhante à que forma na parede celular. O que os investigadores químicos faziam era cortar as cadeias de moléculas de suberina. Ao estar organizada em grandes cadeias, a suberina cria um efeito de protecção, rigidez e isolamento no interior da parede celular vegetal (que é formada por outras moléculas). Mas estas propriedades perdiam-se quando as reacções químicas utilizadas antes pelos cientistas partiam as cadeias de moléculas de suberina nas suas unidades.
Este obstáculo foi ultrapassado com o trabalho liderado por Cristina Silva Pereira, chefe de um grupo do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), em Oeiras. “Não olhámos para o problema com a abordagem de um químico”, disse a investigadora ao PÚBLICO, referindo-se à ideia de que as moléculas podem ser partidas e reconstruídas dentro de um tubo de ensaio. “Olhámos para o polímero como um todo, tendo presente a função que desempenha na planta. Queríamos aceder a este material mantendo essas funções.”
A equipa começou a trabalhar com a suberina em 2008 e em 2010 conseguiu finalmente extraí-la da cortiça, mantendo parte da estrutura que a molécula forma na parede celular da planta. Para isso, os cientistas usaram um composto que apenas partia certas ligações, e não todas, entre as moléculas.
No artigo agora publicado, os cientistas demonstraram como se pode criar uma película de suberina com esse método. O trabalho teve ainda a colaboração de investigadores de outros grupos do ITQB, da Universidade de Aveiro, da Universidade de Coimbra e ainda da Universidade de Ratisbona, na Alemanha.
“A película tem um aspecto de uma mica”, diz Cristina Silva Pereira, referindo-se às capas de plástico, “com uma cor entre o amarelo-escuro e o acastanhado”. Depois, a equipa analisou as propriedades físicas desta película, como por exemplo o ponto de fusão e a permeabilidade à água. Além de ser impermeável, o material é liso.
Finalmente, os investigadores testaram os efeitos que a película de suberina tem na sobrevivência de duas espécies diferentes de bactérias que pertencem a dois grandes grupos bacterianos (as Gram-positivas e Gram-negativas): constataram que os pedaços de película de suberina matavam a grande maioria dessas bactérias.
Cristina Silva Pereira explica que há várias referências de medicina tradicional sobre o uso de plantas ricas em suberina que induzem a cicatrização de feridas. Por isso, a investigadora defende que esta película de origem biológica poderá vir a ser utilizada para tapar as feridas crónicas, como as que os diabéticos desenvolvem, promovendo a cicatrização e inibindo o desenvolvimento de bactérias. “Estamos a pedir muito a um biomaterial, mas acho que este desempenha todas estas funções.”
Para a produção da película, a equipa utilizou pó de cortiça, um produto que resulta da transformação da cortiça e apenas é aproveitado para produzir energia através da sua queima. Seria possível usar suberina para substituir os sacos de plástico que inundam o mundo? “O uso da cortiça para este fim é limitado”, responde a investigadora.
Mas a equipa está a tentar repetir o mesmo processo para extrair suberina e outros poliésteres naturais da bétula, das cascas do melão, da mandioca, da batata, da maça ou do tomate. “Se este processo for feito com outras fontes, poderá ter todo o tipo de usos, desde os mais mundanos aos mais sofisticados.”
In "Público" --- Nicolau Ferreira 07/04/2014
segunda-feira, dezembro 26, 2011
Velho Artesão
Tinha prometido a mim próprio que iria contar esta vivência no blog e cá estou eu, apesar de quase 3 meses já se terem passado sobre o acontecimento.
Outubro passado, logo nos primeiros dias de estadia em Évora, fui buscar um dos meus netos na Escola de São Mamede. Velha conhecida esta escola pois que, além de eu ter endereço naquela Freguesia (quando em Portugal), um dos filhos brasileiros também estudou lá.
Parece meio confusa esta colocação, não é? Sim, para os que não me conhecem ou pouco sabem a meu respeito, eu sou um cidadão do Mundo e por muitos lugares já assentei arraial com uma ou outra família. Realmente uma verdadeira confusão...
Voltemos ao âmago da questão para eu falar do Sr. Isidro. Velho artesão de 96 anos de idade que tem uma aparência muito semelhante à minha de 66... Parabéns para ele!
A Rua da Mouraria desemboca no Largo de São Mamede e por ela eu ía caminhando desde o seu começo na Rua de Avis. Quase no final, pegado onde outrora morou o falecido grande amigo Gabriel (Lambuça) notei haver ali um grande portão, aberto, e lá dentro um senhor idoso rodeado de inúmeros trabalhos artesanais que ele próprio confecciona. E o que mais me chamou a atenção fôram as esculturas em cortiça pois que, modéstia à parte, era coisa que eu fazia muito bem nas aulas de trabalhos manuais do curso secundário que eu fiz em Évora. Era meu parceiro na confecção dessas esculturas o Sardinha colega que eu não vejo desde antanho e tão pouco sei se vivo será.
Lògicamente que não lhe contei sobre a minha veia artística neste campo, pois conheço muito bem o interior dos alentejanos, principalmente no que diz respeio à sua sensibilidade. Mas outros tipos de trabalho eu verifiquei que aquele artista fazia bem: latoaria com peças perfeitas e funcionais e pintura. Ali eu vi alguns esboços e um retrato do grande toureiro português que foi Manuel dos Santos. Versatilidade!
Mostrou-se muito interessado em me falar sobre o seu trabalho da multidão de turistas que pela sua oficina passa. E eu ía fazendo as minhas perguntas, mais até para que ele mantivesse toda a disponibilidade. E às tantas, apontando para duas fiadas de garrafas perguntou-me se eu sabia do que se tratava. Parece que quase todos erravam na resposta quando indagados como eu. Mas o meu olho de lince viu que a primeira garrafa tinha uma pequena etiqueta com as letras "do" o que ràpidamente me levou a deduzir e afirmar que se tratava de uma escala musical e, portanto um tipo de instrumento. Na môsca!
Acertei e o senhor Isidro ficou feliz por isso. Foi quando ele pegou em duas batutas e começou a tocar Aquarela do Brasil. Eu não queria acreditar no que estava vendo e ouvindo e vocês podem ter a certeza que foi isso mesmo.
quarta-feira, abril 08, 2009
Gato bravo
Esta fêmea não tem o corpo rajado como uma maioria dos exemplares de gato bravo. Pintada, mais se assemelha a uma onça sulamericana. Um belo exemplar, sem dúvida, que adoptou o seu lar numa prancha de cortiça. Como a árvore da cortiça (sobreiro) é nativa do Alentejo, temos aqui uma alentejana com dois alentejaninhos...sexta-feira, março 21, 2008
ALENTEJO E ALENTEJANOS
ALENTEJO --- Palavra mágica que começa no Além e termina no Tejo, o rio da portugalidade. O rio que divide e une Portugal e que à semelhança do Homem Português, fugiu da Espanha à porcura do Mar. O Alentejo molda o caracter de um homem. A solidão e a quietude da planície dão-lhe a espiritualidade, a tranquilidade e a paciência do monge; as amplitudes térmicas e a agressividade da charneca dão-lhe a resistência física, a rusticidade, a coragem e o temperamento do guerreiro. Não é alentejano quem quer. Ser alentejano não é um dote, é um dom. Não se nasce alentejano, é-se alentejano.
Portugal nasceu no Norte, mas foi no Alentejo que se fez Homem. Guimarães é o berço da Nacionalidade e Évora é o berço do Império Português. Não foi por acaso que D. João II se teve que refugiar em Évora para descobrir a Índia. No meio das montanhas e das serras um homem tem as vistas curtas; só no coração do Alentejo o homem consegue ver ao longe. Foi preciso Bartolomeu Dias regressar ao Reino, depois de dobrar o Cabo das Tormentas sem conseguir ir até à Índia, para D. João II perceber que só o costado de um alentejano conseguia suportar o peso de um empreendimento daquele vulto.
Aquilo que para um homem comum fica muito longe, para o alentejano fica logo ali... Para um alentejano não há longe nem distância, prque só um alentejano percebe intuitivamente que a vida não é uma corrida de velocidade, mas uma corrida de resistência onde a tartaruga leva sempre a melhor sobre a lebre.
Foi por esta razão que D. Manuel decidiu entregar a chefia da armada decisiva a Vasco da Gama. Mais de dois anos no Mar... E, quando regressou, ao perguntar-lhe se a Índia era longe, Vasco da Gama respondeu: "Não! é logo ali". O fim do mundo, afinal, ficava ao virar da esquina. Para um alentejano o caminho faz-se caminhando e só é longe o sítio onde não se chega sem parar de andar. E Vasco da Gama limitou-se a continuar a andar onde Bartolomeu Dias tinha parado. O problema de Portugal é precisamente este: muitos Bartolomeu Dias e poucos Vasco da Gama. Demasiada gente que não consegue terminar o que começa, que desiste quando a glória está perto e o mais difícil já foi feito. Ou seja, muitos portugueses e poucos alentejanos.
D. Nuno Álvares Pereira, aliás, já tinha percebido isso. Caso contrário, não teria partido tão confiante para Aljubarrota. D. Nuno sabia bem que uma batalha não se dicide pela quantidade, mas pela qualidade dos combatentes. É certo que o Rei de Castela contava com um poderoso exército composto por espanhois e portugueses, mas o Mestre de Avis tinha a vantagem de contar com meia dúzia de alentejanos. Não se estranha, assim, a resposta de D. Nuno aos seus irmãos, quando o tentaram convencer a mudar de campo como argumento da desproporção numérica: "Vocês são muitos? --- o que interessa isso se os alentejanos estão do nosso lado?".
Mas os alentejanos não servem só as grandes causas, nem servem só para as grandes guerras. Não há como um alentejano para desfrutar plenamente do mais simples prazer da vida. Por isso se diz que Deus fez a mulher para ser a companheira do homem. Mas, depois teve que fazer os alentejanos para que as mulheres também tivessem algum prazer. Na cama e na mesa um alentejano nunca tem pressa. Eva poderia responder a Adão se este, intrigado, lhe perguntasse o que é que um alentejano tinha que ele não tinha: "tem o tempo e tu tens pressa!". Quem anda a correr não chega a lugar algum; e muito menos ao coração de uma mulher. Andar a correr é um problema que os alentejanos, graças a Deus, não têm. Até porque o alentejano e o Alentejo foram feitos ao sétimo dia, precisamente o dia que Deus tirou para descansar.
Atá nas anedotas os alentejanos revelam a sua superioridade humana e intelectual. Os brancos contam anedotas dos pretos, os brasileiros dos portugueses, os franceses dos argelinos... Só os alentejanos contam e inventam anedotas sobre si próprios. E divertem-se imenso ao mesmo tempo que servem de espelho a quem os ouve. Mas, para que uma pessoa se ria de si própria não basta ser ridícula porque ridículos todos somos. É necessário ter sentido de humor. Só que isso é um extra só disponível nos seres humanos tôpo de gama. Não se confunda, no entanto, sentido de humor com alarvice. O sentido de humor é um dom da inteligência; a alarvice é o tique da gente bronca e mesquinha. Enquanto o alarve se diverte com as desgraças alheias, quem tem senso de humor ri-se de si próprio. Não há maior honra do que ser objecto de uma boa gargalhada. O sentido de humor humaniza as pessoas, enquanto a alarvive as diminui. Se Hitler e Staline se rissem de si próprios, nunca teriam sido as bestas que fôram. E as anedotas alentejanas são autênticas pérolas de humor: curtas, incisivas, inteligentes e desconcertantes, revelando um sentido de observação, um sentido crítico e um poder de sintese notáveis.
Como bom alentejano que me prezo de ser, deixei o melhor para o fim. O Alentejo, como todos sabemos, é o único sítio do mundo onde não é castigo uma pessoa ficar a pão e água. Água é aquilo por que qualquer alentejano anseia. E o pão... Mas, há melhor iguaría que o pão alentejano? O pão alentejano come-se com tudo e com nada. É aperitivo, refeição e sobremesa. É o único pão do mundo que não tem pressa de ser comido. É tão bom no primeiro dia como no dia seguinte ou ao fim de uma semana. Só quem como o pão alentejano está habilitado para entender o mistério da fé. Comê-lo faz-nos subir ao Céu!
É por tudo isto que, sempre que passeio pela charneca numa noite quante de verão ou sinto no rosto o frio cortante das manhãs de inverno, dou graças a Deus por ser Alentejano. Que maior benção um homem poderia almejar?
Adaptação livre de um texto de Carlos Barreto na Internet.
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