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sexta-feira, janeiro 16, 2015

A sombra



“É um momento muito difícil para mim. Estou ciente de que cometi um erro gravíssimo, mas eu mereço mais uma chance, pois todo mundo erra”.
O trecho acima é o início de uma mensagem de áudio gravada por Marco Archer, brasileiro condenado à morte na Indonésia em 2004. A mensagem foi gravada em 13 de janeiro e foi divulgada nesta sexta-feira (16), um dia antes da execução.
O Governo brasileiro tem feito várias tentativas para, junto ao Governo indonésio, tentar reverter a situação. Joko Widodo, presidente da Indonésia deixou de atender vários pedidos de ligação da presidente do Brasil, Dilma Rousseff . Ontem, porém, os dois mandatários conseguiram conversar e manteve-se a condenação.
O Governo brasileiro não gostou do “não” definitivo e diz que isso é uma sombra nas relações dos dois países.
Sombra? --- Pode ser uma coisa muito boa quando à mercê de um sol escaldante... Mas como desabafo, soando a ameaça na linguagem diplomática, é algo impertinente.
Tragamos até nós a recordação dos quarenta e três jovens estudantes mexicanos que fôram assassinados pelos narcotraficantes sem saber o que estava a acontecer. Algo terrível e abominável como as sentenças de morte perpetradas por jihadistas do Estado Islâmico. Lembremo-nos do jovem soldado do exército brasileiro assassinado por traficantes enquanto cumpria missão numa favela carioca.  Até hoje nada de especial foi feito com relação a este último caso e, no meu entender, de imediato o exército brasileiro teria que abandonar as tarefas de polícia e executado uma verdadeira operação de guerra. Ficou uma sombra...
Pensando nestas situações e em tudo o mais que as drogas, negativamente, ocasionam numa comunidade, num país, no mundo, como se pode aceitar que o Governo brasileiro tente interferir na condenação de um traficante num outro país?
Não irei aqui expor a minha opinião sobre a pena de morte, mas lembrarei que uma maioria do povo brasileiro acha que a mesma seria bem vinda e isso porque não sente mais segurança  e a todo o momento se defronta com crimes bárbaros, hediondos, muitos deles executados sob o efeito das drogas.
A verdadeira sombra está aqui e tenta ofuscar algo que a Indonésia faz correctamente.
 

terça-feira, dezembro 29, 2009

Mata e esfola…

O cidadão britânico, um tal de Akmal Shaikh, foi hoje executado na China. Cumpria pena por contrabando e tráfico de drogas.
Dizia-se inocente da mesma maneira que a maioria dos condenados e vários governos e organizações pediram clemência.
Logo esse governo britânico a chiar tanto, quando mata sem dó nem piedade inocentes reais como o do brasileiro Jean Charles. Hipocrisia!
Envieem a sua armada para lá como fizeram nas Malvinas e verão o que é bom para a tosse…
Existem leis e posturas de alguns países que, independentemente das suas orientações religiosas e culturais são condenáveis por todo o mundo civilizado. Mas este tipo de lei que condena à morte traficantes e políticos corruptos só tem que ser respeitada e, digo até, copiada. Isso melhoraria muito a situação em países que nós tão bem conhecemos.
Muitos figurões certamente sentem um certo mal estar  quando tomam conhecimento de notícias como esta. Não é verdade?

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Assalto

Eram quase seis e meia da tarde e a lotérica fecha a essa hora. Saí de casa apressado para dar tempo de fazer a costumeira fezinha na “Lotofácil”.
Ao aproximar-me da loja, seguíam três jovens à minha frente. Dois entraram e o terceiro ficou encostado a um dos ombrais da porta olhando para os lados. Isso despertou-me a atenção e o sexto sentido. Mas logo este também entrou.
Observei o seu jeito, a maneira de vestir, e o percing no lábio inferior. Bem vestidos os três, de cor branca e nada de anormal a não ser o facto de serem três jovens apostando na loteria àquela hora, pois normalmente encostam ali seres mais velhos. Foi a segunda desconfiança.
Entrei na fila, normalmente, apesar de me ser facilitado o atendimento preferencial por causa da minha idade de ancião… E ainda bem que não usei desse benefício.
O jóvem da frenta dirigiu-se ao guichê e, empunhando um revólver, anunciou o assalto. Eu jamais passara por uma situação dessas e, como os demais, fiquei inerte e só observando. Ainda ouvi o cara gritar que iria disparar a arma caso a funcionária não lhe entregassa o dinheiro do caixa.
Naquele momento pensei que os três fariam a limpeza dos clientes, também. O reduzido montante que eu tinha não era o suficiente para me preocupar, mas estava nervoso perante a dúvida em relação ao que mais poderia acontecer.
Despertou-me a atenção o facto de o assaltante apontar a arma para baixo, para aquela bandeja por onde passamos o jogo e o dinheiro e não para a frente em direção da atendente. Mas mais tarde vim a saber que, sendo os vidros blindados, aquele era o único local por onde entraria a bala e, ricocheteando no aço, atingiria a moça.
Alguém no interior se apercebeu do que estava acontecendo e disparou o alarme sonoro. Isso fez com que os três abortassem o assalto e fugissem em disparada. Não atiraram a esmo como vingança, mas poderiam tê-lo feito e, assim, eu poderia não estar mais aqui escrevendo sobre o acontecido.
Foi a minha primeira vez numa situação destas, mas a minha opinião a respeito não se alterou; ela já existe há muito e muito tempo. Os traficantes, por exemplo, não me incomodam, pois jamais usei ou usarei drogas. Mas, um indivíduo que usa uma arma para roubar ou intimidar inocentes desprotegidos, deveria ser julgado sumàriamente e fuzilado. A lei tem que ser modificada.