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quinta-feira, novembro 02, 2017

segunda-feira, março 24, 2014

Gato Bravo

Libertação de linces-ibéricos preocupa proprietários rurais do Vale do Guadiana
 

 
A libertação de exemplares de lince-ibérico até final da primavera em Portugal está em risco por falta de condições, alertou recentemente a Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade (ANPC), que representa a maioria das zonas de caça e dos proprietários rurais da região do Vale do Guadiana, no Baixo Alentejo, a zona onde os animais serão libertados.
Em comunicado, a ANPC refere que ainda não estão reunidas as condições mínimas fundamentais para que a reintrodução do lince-ibérico em Portugal possa acontecer e venha a ser um sucesso. Por isso, a prevista libertação em Portugal de oito linces-ibéricos criados em cativeiro está seriamente em risco, alerta a ANPC. Há aspetos essenciais que têm de ser salvaguardados para que o lince-ibérico possa ser reintroduzido com êxito, como haver coelho-bravo, a principal presa do lince-ibérico, em número suficiente para o felino se poder alimentar, o que não está garantido, disse à Lusa o secretário-geral da ANPC, João Carvalho.
Atualmente, a densidade de coelho-bravo é bastante reduzida, devido a quedas abruptas das populações provocadas por uma nova doença, o que põe em risco a reintrodução do lince-ibérico, que depende quase exclusivamente daquela espécie de coelho para se alimentar, disse.
Se não houver coelho-bravo em número suficiente, os linces-ibéricos terão de percorrer distâncias enormes à procura de alimento, correndo risco de morrerem atropelados, ou virar-se para outras presas, como perdiz, lebre, galinhas e ovelhas. Por outro lado, disse João Carvalho, o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e organizações do setor da caça ainda não subscreveram o convénio para a conservação do lince-ibérico proposto pela ANPC e que é essencial para se poder formalizar acordos com os proprietários e entidades gestoras das zonas de caça situadas na área abrangida pela reintrodução do felino em Portugal.
Em declarações à Lusa, o secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Miguel castro Neto, disse que as questões levantadas pela ANPC são assuntos que estão a ser acompanhados por técnicos do projeto LIFE+ Iberlince para conservação e reintrodução da espécie na península Ibérica. A evolução do estado das populações de coelho-bravo nas zonas potenciais de reintrodução de lince-ibérico está a ser acompanhada em permanência e os atuais números de coelho-bravo não colocam em causa a planeada libertação dos oito exemplares em Portugal até final da primavera, afirmou. Estamos a falar de natureza, de condições que não controlamos, mas estamos convencidos de que, se não houver alguma alteração súbita, a questão do coelho-bravo não será um fator limitante para a libertação dos oito exemplares, frisou o governante.
A Iberlinx - Associação para a conservação do lince-ibérico está no terreno a desenvolver ações de monitorização e de recuperação das condições favoráveis à reprodução de coelho-bravo e, por isso, acredito que haja uma evolução positiva que permita assegurar a libertação dos exemplares até final da primavera, disse.
A libertação em Portugal dos oito exemplares, decidida esta semana pelo comité ibérico do projeto LIFE+ Iberlince, vai decorrer de forma gradual, sendo que primeiro serão libertados três, depois mais três e finalmente dois, disse o governante.
De acordo com Miguel castro Neto, o trabalho relativo ao convénio está em curso e o facto de ainda não estar concluído e subscrito em nada prejudica o projeto de libertação dos oito exemplares de lince-ibérico.
Segundo João Carvalho, a ANPC, após ter pedido um audiência, vai ser recebida hoje, segunda-feira, por Miguel castro Neto, a quem irá transmitir as suas preocupações. 






In Diário do Alentejo - On line

domingo, agosto 12, 2012

Mariano José Trindade

Hoje é comemorado o Dia dos Pais, do mesmo modo que num outro dia do ano se comemora o Dia das Mães. Fiz questão de mencionar os dois dias por causa das rasteiras da língua portuguesa... Dia dos Pais pode entender-se como dia de ambos.
Feche-se a gramática e debrucemo-nos sòmente na prosa fluente sem ter que reparar nessas regras.
Esta é uma daquelas datas que não ocorre ao mesmo tempo em todos os países, pois em muitos é uma diferente entre si. Assim, temos em Portugal o dia 19 de Março que segue o calendário católico por ser dia de São José. No Brasil é o segundo Domingo de Agosto.
Deixei passar a data portuguesa em branco, mas não a brasileira. É natural que poderia ser uma ou outra a data para reverenciar o meu falecido Pai que, se vivo, estaria com 102 anos feitos no pretérito 21 de Julho. A primeira data passou em branco porque eu me esqueci, na verdade. Seria a ideal porque, afinal, meu Pai era português, sempre viveu em Portugal e era carpinteiro-marceneiro, algo a ver com o santo...
Da segunda data me lembrei porque no meu negócio hoje eu vendi alguma mercadoria que os fregueses adquiriram para presentear os seus pais, além do que essas datas são parâmetros de um planeamento de compras e de vendas.
Posso garantir que, se dependesse só dos meus filhos --- 3 em Portugal e 2 no Brasil, esse "Dia dos Pais" passaria em branco. E não se trata de uma reclamação da minha parte, pois eu jamais reclamaria deles por atitudes desse naipe. Eles não ligam para essas datas de cunho mercantil e eu também não. Até me sinto feliz, de certo modo, porque eles saíram a mim...
Tudo bem. Pensei este ano em fazer uma homenagem ao meu Pai quando do aniversário da sua morte ou no próximo dia 24 que é o aniversário do seu nascimento. Iria escrever uma matéria e pedir que fosse publicada no jornal da terrinha, Estremoz, o Brados do Alentejo. Mas passei por cima de tudo isso e vou restringir-me aqui ao meu espaço cibernético.
Fóra da sua profissão em que ele era reconhecidamente um dos maiores, os seus grandes passatempos eram a caça e a pesca desportiva. Mas era muito conhecido pelo apelido de "Mariano Polícia", profissão que também exerceu mas por pouco tempo ou pelo cognome de "Papa Bichos", pois qualquer um destes poderia fazer parte do cardápio dos maravilhosos e saborosos petiscos que cozinhava e partilhava com os amigos nas tabernas de Estremoz.
Poderíamos dizer também e na verdadeira acepção da palavra, que ele era um Palhaço. Ele inventava situações hilariantes, arrancava risadas dos demais e sempre parecia estar feliz. A foto que escolhi para esta crónica mostra o senhor Mariano Trindade no Terreiro do Paço, em Lisboa, regressando de uma pescaria das habituais que fazia numa ou noutra margem do Rio Tejo, com as respectivas canas (varas) e nelas pendurado um coelho bravo. Possìvelmente teria alguns peixes no mengacho na mão direita...
Criou esta situação inusitada e atingiu os seus propósitos quando todos os transeuntes o questionavam sobre o tipo de isca usada para pescar aquele troféu ou com ele trocavam uma prosa alegre. Muitos o conheciam na Baixa de Lisboa porque ali era o seu reduto de trabalho e moradia, depois que havia muitos anos saíra de Estremoz primeiro e de Évora depois. Era o Alentejano da carpintaria dos Correios e apreciador de copos do tinto nas Rua dos Correeiros e Douradores ou no Poço do Borratém.
Vi o meu pai pela última vez quando em 1972 emigrei para o Brasil. Ele viveu mais 12 anos e ainda conheceu três dos seus netos. Sinto muito a sua falta em momentos que poderíamos ter dividido como adultos, em que ele me poderia ter transferido mais da sua experiência de um modo diferente daquele quando ele era adulto e eu criança. Houve muitos vazios na nossa convivência e naturalmente nenhum deles jamais poderá ser preenchido. Tento remediar muita coisa do modo que mais me está à mão como, por exemplo, a respeito dele muito falar com os meus netos e sempre o colocando no ponto mais alto do pedestal. Hoje mesmo eu o estou a homenagear aqui.
Saravá, meu Velho!


sábado, novembro 05, 2011

Carraspana

Em Portugal todos sabem o que é carraspana, o título da minha crónica de hoje. No Brasil não se usa esse termo mas alguns outros que significam a mesma coisa. Aliás, também em Portugal existem  muitos mais.
Quando cheguei a Évora naquele dia 13 de Outubro, as primeiras pessoas a visitar foram, lògicamente, os familiares e de pronto tratei de arrumar a minha hospedagem na casa de minha mãe. No dia seguinte parti para uma pequena digressão pelos recantos da cidade em busca dos amigos. Eu já estava preparado para algumas surpresas, mas não para tantas, pois muitos deles já partiram para outra dimensão. Lamentei as perdas e fui encontrando os ainda vivos.
Nessa tarde de quinta-feira, conversando com o amigo Manata, velho companheiro de caçadas e pescarias, fui convidado para um almoço de lebres assadas na casa de um outro amigo comum na segunda-feira seguinte.
Chegado o dia, como não era muito longe --- uns 6 km apenas, fui andando a caminho da casa do casal Dulce e Prezado. E foi agradável a caminhada, pois passei por locais em que não passava há muitos anos. Como a velha Fábrica dos Leões, outrora uma grande potência no ramo das massas alimentícias e onde mamãe trabalhou por muitos anos com grande sacrifício. Hoje, ali, é uma dependência da Universidade de Évora.
Cheguei ao destino e pela fresta do portão vi o meu amigo com a arma na mão tentando afugentar aqueles pardais que não caíssem com os chumbinhos da pressão; era a veia de caçador em acção...
Fui o primeiro a chegar e o anfitrião tão pouco sabia que eu tinha sido convidado... Mas essas coisas não têm a mínima importância no nosso tipo de relacionamento entre amigos. As lebres estavam a assar. Os demais foram chegando e foram-me apresentados os que não conhecia.
Enquanto as lebres assavam, saboreámos umas deliciosas ameijoas. O vinho, um maravilhoso tinto alentejano, foi correndo goela abaixo de cada um dos presentes e esgotava-se uma garrafa atrás da outra.
Finalmente chegaram as lebres á mesa. O aroma maravilhoso e o sabor divino. Coisa da Deusa romana da caça, a nossa muito conhecida Diana que tem na cidade um grande templo em sua homenagem... Sei que há muitos anos eu não tinha tão grande prazer à mesa, pois caça sòmente aqui.
Comidas as lebres muito bem regadas, tomámos uma maravilhosa aguardente de medronhos que veio directamente do Algarve para nós. Não imaginam a octanagem daquela bebida caseira... E o pessoal não se contentou em saborear um gole e sim o cálice cheio a ser emborcado.
Não satisfeitos, arrematámos com um tradicional Licor Beirão e a desgraça foi assim configurada com dois "estrangeiros" na mesa alentejana --- um algarvio e outro beirão.
Eu vi que os companheiros foram-se retirando aos poucos e quando dei por mim, estava só com os anfitriões. Vim embora também e do mesmo modo que fui regressei. Do mesmo modo? Não! Tudo me pareceu estar fora do lugar naquela noite estrelada. Até mesmo as estrelas me confundiam, se é que eu tinha naquele momento capacidade para distinguir o mapeamento celeste dos dois hemisférios...
Reconheci que estava muito mal e reconheço que há muitos, muitos anos eu não apanhava uma carraspana daquele calibre. Achando-me perdido e incapacitado, ainda tive o descernimento de apertar a tecla no telemóvel para pedir à mãe dos meus filhos (ex esposa) que mandasse um taxi para me pegar. Era a única tábua de salvação. Mas do outro lado ouvi: "Jamais aturei bebedeiras na minha vida e não será hoje que irei aturar!". Interpretei isso como uma incompreensão e falta de solidariedade, achando mesmo que foi desrespeitado um certo Código de Ética que costuma estar afixado nas paredes dos bares.

segunda-feira, novembro 02, 2009

Sabores do Alentejo

 
Organizado pela Turismo do Alentejo, ERT, decorre de 2 a 8 de Novembro, mais uma Semana Gastronómica da Caça, iniciativa que conta com a adesão de mais de 90 restaurantes espalhados por toda a região que vão preparar as mais variadas iguarias, sejam tradicionais ou criativas, mas sempre tendo a caça como ponto comum.
Entre os restaurantes aderentes estão “A Maria”, no Alandroal, que vai disponibilizar perdiz estufada; lebre com feijão, repolho e nabos; coelho frito.
“Herdade dos Barros”, em Terena, com feijoada de lebre; ensopado de lebre; coelho à caçador.
“Os Gémeos”, em Rio de Moinhos, Borba, com javali à casa; feijoada de javali; ensopado de lebre.
“ Pousada Rainha Santa Isabel”, em Estremoz, apresenta perdiz estufada com legumes e alecrim; guisadinho de lebre com feijão branco; lombinhos de javali com mistura de cogumelos selvagens.
“ Pousada de S. Miguel”, em Sousel, perdiz estufada com repolho e cebolinhas; javali à caçador; coelho à alentejana com migalhada de espargos bravos.
“Taverna dos Conjurados”, em Vila Viçosa, apresenta paté de veado com molho de frutos silvestres; favada real de caça à el-Rei D. Carlos I, e perdiz de caça à Infanta D. Maria.
“Os Cucos”, em Vila Viçosa, perna de javali no forno com puré de maçã e geleia de framboesa; ensopado de lebre; coelho à caçador.
“Ouro Branco”, em Vila Viçosa, coelho à caçador; coelho frito com pimento da horta; javali estufado.
“ Pousada D. João IV”, em Vila Viçosa, terrina de veado com molho de groselha; perdiz recheada com puré de castanhas; lebre com feijão encarnado.
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Muitos, como eu, conhecedores dessas iguarias e dos lugares, temos realçadas as saudades e engolimos em sêco... Outros ficarão curiosos e com vontade de conhecer e saborear; a esses eu sugiro incluir o Alentejo numa próxima viagem de férias. Por fim haverá, certamente, os opositores que são defensores da Natureza, contra a caça e, alguns, vegetarianos.
A caça em Portugal não é predatória. É reguladora e cultural.
As imagens são aquarelas do meu amigo e alentejano também, Francisco Charneca.

segunda-feira, abril 14, 2008

RECEITA DE CODORNIZES (ALENTEJO)

Tempos houve em que os literatos se faziam honras de cozinheiros. Dos melhores. Tão excelentes nas lides das letras como nas da gamela. O bom do Fialho de Almeida, se louvava o país das uvas, tinha também artes de culinária que ainda hoje deslumbram tanto como o esplendor da prosa. Disso tive prova em Alvito, em casa de amigos, onde arribei para janta.
Reservaram-me um pitéu: codornizes à Fialho de Almeida. Banzaram-me! Eu digo-vos. Ficaram as avezitas a marinar de um dia para o outro, em marinada heróica: em vinho, alecrim e rosmaninho, azeitona descaroçada. Mas antes de banharem nesta calda, os bichos tiveram trato. Bem esfregadas de alho, sal e pimenta e um tudo muito nada de canela (sem abuso, apenas para lhe dar o cheiro).
Chegado o momento de ir à frigideira de barro, as codornizes foram retiradas da marinada, enxugadas num pano, que deveriam seguir secas à vida. Que essa era a regra antes do assalto final: na frigideira, aqueceram um palmo de azeite, a que lhe acrescentaram uma colher de banha e aí aloiraram alho, para mitigarem a gorduranca com uma colher de sopa de vinho do porto. E foi neste requinte que as codornizes fritaram!
Retiradas para a travessa as codornizes, aproveitaram os despojos da fritada para cozerem a marinada na frigideira: o molho com o qual as codornizes foram regadas. Divino! O senhor Fialho de Almeida tinha arte. Se duvidam, ensaiem. Em verdade vos digo que não sei o que mais adorar: se a truculência azorragante de “Os Gatos”, se a excelência do manjar. E fiquei grato a esses amigos de Alvito.
In "Jardim de urtigas"