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sexta-feira, setembro 26, 2008

Campo minado

Em 1974, após a invasão da fronteira com a Turquia, por parte de tropas deste país que entraram a partir do norte de Chipre, a Grécia resolveu minar toda aquela área. Uma atitude condenável. As minas são armas dos covardes e jamais deveriam ser usadas onde quer que seja e em que tipo de guerra fôr; nem mesmo nas guerrilhas. As grandes e muitas vezes as únicas vítimas são civis inocentes.
Há 5 anos atrás a Grécia ratificou a Convenção de Otava sobre a eliminação de minas terrestres e comprometeu-se a desminar as suas fronteiras até 2011. Isso dá um total de 8 anos o que, na verdade, é muito tempo. Em comparação com o tempo que foi gasto para a colocação das minas é, até mesmo, uma eternidade. Portanto, configura-se aqui a má fé e falta de vontade.
Grécia e Suiça são dois países encravados num continente que se diz civilizado e de primeiro mundo. E porque razão eu mencionei aqui a Suiça, uma vez que este país não tem nada a ver com a situação?! --- Tem, sim! A indústria bélica suiça é uma das maiores produtoras mundiais de minas e isto quando conhecida pela sua eterna neutralidade em conflitos; imagine-se se assim o não fôsse...
Em Angola e Moçambique já morreram milhares de civis inocentes e outros mais têm membros amputados. É difícil prever quando esses países conseguirão desminar os seus campos ainda encharcados pelos artefatos, na sua maioria helvéticos. Esta semana foi a vez de mais 4 cidadãos do leste europeu encontrarem a morte na minada fronteira grega, o que vem aumentar uma extensa lista. Só espero que não seja este o método grego para controlar a imigração ilegal, de acordo com a nova política da União Europeia...

quinta-feira, março 13, 2008

FRONTEIRAS DA LIBERDADE

Sempre tive preferência em gozar férias no final do Verão; Setembro em Portugal e Fevereiro no Brasil. Era mais fácil marcá-las para essa época, pois a maioria abespinhava-se para escolher os períodos de alta estação, enquanto eu podia fazê-lo com tranqüilidade e sempre com a certeza da satisfação dos meus desejos.
Chegava o tão esperado dia e a minha mochila já estava pronta com tudo o que entendia ser o indispensável. Dinheiro nunca era muito; algumas vezes, não o suficiente para acompanhar a amplitude da programação, esta nem sempre cumprida ao pé da letra pois que, repentinamente um outro rumo era seguido.
Pé na estrada. Parando um pouco aqui e ali para descansar. Tanto na caminhada como nos momentos de pausa, o dedão da mão direita de imediato se erguia para pedir boleia (carona) quando da aproximação de um carro ou caminhão. Nem tanto pelo preço de uma passagem que até poderia ser irrisório e sujeito a demorar o dobro ou o triplo do tempo para chegar ao destino, a verdade é que eu adorava deslocar-me dessa maneira --- “sem lenço e sem documento” revestido de total liberdade.
Um cacho de uvas colhido naquela vinha beirando a estrada e o matar da sede mergulhando a cabeça no caldeiro de um poço adiava por mais algumas horas uma refeição normal. Muitas vezes dormi ao relento ou num daqueles celeiros de palha de trigo quando de mim se apoderava o cansaço e resolvia continuar no dia seguinte.
Finalmente chegava ao final da primeira etapa e, como em todos os pontos de destino, sempre procurava uma área livre de campismo para armar a minha barraca. Só em última instância me instalava num parque oficial... De qualquer modo, a segurança era total. Sendo um lugar que visitava pela primeira vez, a primeira tarefa era reconhecer o terreno e inteirar-me sobre tudo com o que poderia contar para satisfação das necessidades básicas da minha permanência.
Dois ou três dias passados, arrumação da tralha e começo da caminhada para o destino seguinte que tanto poderia ser uma praia, uma montanha ou até mesmo um centro histórico interessante. Novas amizades sempre se faziam, mas nem sempre constituíam motivo para me fixar neste ou naquele lugar. E assim decorria o período de trinta dias das minhas férias.
Tentando montar um cenário semelhante para os dias atuais, levando em conta que as caminhadas nas estradas e as caronas são coisas ultrapassadas tanto pela insegurança como por um espaço mais global, é impossível imaginar que aquele jóvem de antanho não seja barrado na primeira fronteira em que apresentar o seu passaporte...

segunda-feira, março 03, 2008

FRASES DE EFEITO...

"Ordeno que a aviação militar se coloque. Não queremos a guerra mas não vamos permitir ao império nem ao seu cachorro que nos enfraqueça", adiantou Chavez, referindo-se aos Estados Unidos e ao Presidente colombiano Álvaro Uribe.

domingo, março 02, 2008

ABUSOS NAS FRONTEIRAS

Antes de pròpriamente entrar no âmago da questão, traçarei em linhas gerais o que é o Acervo de Schengen. Uma série de medidas para compensar a abolição do controle nas fronteiras internas com o reforço da segurança nas fronteiras externas da União Europeia. A principal destas medidas é o requisito de que os Estados Membros com uma fronteira externa têm a responsabilidade de garantir controles apropriados e vigilância eficaz nas fronteiras externas da UE. Qualquer pessoa que já esteja dentro do Espaço Schengen tem a liberdade para circular por onde quiser durante curto período. Por conseguinte, é vital que as verificações e os controles nas fronteiras externas da UE sejam suficientemente rigorosos para impedir a imigração ilegal, o contrabando de estupefacientes e outras actividades ilegais.
Frequentemente ocorrem casos esdrúxulos no controle das fronteiras de alguns dos países que perimetram o Espaço de Schengen e debruçar-me-ei sobre dois deles --- Espanha e Reino Unido. Não quero dizer que não ocorram também nos demais, pois que, no que diz respeito a Portugal eu já abordei o assunto em crónica anterior.
Um dos últimos casos foi o da brasileira Patrícia Magalhães, 23 anos, pós graduanda em física na Universidade de São Paulo. O seu destino era Portugal onde participaria de um congresso. Como desembarcara na Espanha para uma conexão de vôo, este país actuou como executor do preceituado no Acervo de Schengen. Não havia nada de ilegal com a cidadã brasileira e uma análise consciente e não xenófoba ter-lhe-ía dado passagem, o que não aconteceu. Ela foi muito humilhada. As autoridades agem adotando critérios na base de conclusões pessoais dos elementos fiscalizadores. Se o agente achar que a cidadã tem cara de "puta", para ele é "puta"! Com quantas cidadãs e cidadãos problemas desse naipe ocorrem todos os dias?
Esta semana o Embaixador no Brasil do Reino Unido veio à imprensa com uma nota reprovando o artigo publicado por renomado jornalista e escritor brasileiro, porque este sugerira que aqui se pagasse na mesma moeda, em relação aos súbditos de Sua Majestade que visitam o país, aquilo porque passam os brasileiros. Amparou-se nas leis do seu país, uma vez que este não faz parte do Tratado de Schengen, as quais deverão ser de conhecimento prévio de todos os que se proponham a viajar para a União Europeia e tendo como porta de entrada aquele.
Na verdade não sei que critérios possam ser os que fornecem a um agente de fronteira a indicação de que A ou B possa ser isto ou aquilo que se enquadre nos ditames que impeçam a sua entrada no país, quando a sua documentação e demais exigências estão em ordem!? Afinal, ninguém tem um sinal na testa. E deduzo que a reciprocidade iria montar um grande circo... Aliás, esse problema de reciprocidade é coisa muito complicada, grave e abominável, apesar de se sugerir em situações de exaltação dos ânimos quando do ferimento da dignidade de cada um de nós. Pessoalmente já passei por uma situação dessas no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, abordada sumàriamente em crónica anterior. Não quero voltar ao assunto.
Infelizmente muitos cidadãos brasileiros, de ambos os sexos, vivem na ilegalidade e praticam actividades pouco abonatórias nos vários países da UE. E sabemos que muitos dos que pretendem lá ingressar já vão com essas intenções, porém devidamente documentados e cumprindo todas as exigências. Então, a fiscalização terá que ser feita durante a estadia e principalmente em lugares específicos, o que não é nada difícil. É mais trabalhoso e mais onoroso para os cofres dos Estados? É um risco a assumir.
Na Espanha, nos subúrbios da cidade de Badajoz, conheço uma grande boate e confesso que o único prazer que lá usufrui foi o de ingerir algumas bebidas em companhia de amigos quando do final de alguma caçada nas tapadas do Alentejo que são fronteiriças. Eles sempre me convidavam e eu ía. Naquele local de diversão tem mais ou menos 100 mulheres de programa e 50% são brasileiras. Uma parte de outros países do leste europeu e poucas espanholas. Como não podia deixar e ser, conheci algumas bem de perto e cheguei até a fazer amizade. Lembro-me de uma mineira de Uberaba que me confidenciou jamais terem sido interpeladas pelas autoridades... Todo o mundo sabe. Só as autoridades desconhecem.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

FUNDO DA FOSSA

Optei por não colocar o nome e tão pouco a foto do energúmeno, pois que, apesar de ser réu confesso, nunca se sabe se um dia sobra chumbo grosso para o meu lado. Por coisa menor, o caso dos dentistas brasileiros em Portugal, na década passada, a Polícia Federal do Brasil apertou-me os calos quando de um desembarque no aeroporto de Cumbica e eu nem dentista sou e deles me afasto o quanto possível... São aquelas retaliações bestas onde sobra para todo o mundo. Só imagino como seria hoje se o então Chanceler brasileiro estivesse no cargo...
Um funcionário do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) aproveitava-se sexualmente de cidadãs brasileiras, imigrantes ilegais no país, numa troca de favores. Outros já fizeram o mesmo e é possível que mais venham a usar os mesmos meios. Assim, um país que deveria estar progredindo, está regredindo. Voltando aos tempos de governos obscuros e ditatoriais ou seguindo o exemplo de alguns que ainda por aí proliferam.
Quando este país se lança numa campanha de "moralização" afim de se nivelar com os demais da UE, fazendo até com que engulamos muitos sapos difíceis de digerir, como poderemos reagir defronte de barbaridades deste calibre? Medidas duras deverão ser tomadas pois que, em caso contrário, nós que vivemos em países cujos cidadãos são mal tratados, selvàticamente até, poderemos sofrer represálias ou ser tratados com desdém. Sempre tive orgulho das gentes do meu país e o bradava aos quatro cantos. Hoje, por causa de meia dúzia de selvagens, começo a movimentar-me mais discretamente.