O Mercado Municipal de Évora, nas suas instalações originais, era um belo e funcional lugar. Principalmente aos Sábados. Ali me desloquei muitas e muitas vezes, se não para comprar algo, pelo menos para passear, observar e tomar um copo num dos tradicionais bares internos. Sempre achei muito interessante, principalmente a área das bancas de venda de peixe.
Quando da minha última estada em Évora, há dez anos atrás, todo aquele espaço estava a passar por grandes transformações e reformas. Lembro-me, até mesmo, de se terem encontrado inúmeras ossadas em toda a cercania, o que me parece ter sido uma continuidade do antigo cemitério franciscano que deu origem à mundialmente famosa Capela dos Ossos, anexa à Igreja de São Francisco.
Hoje voltei àquele local, mas mais embuído de curiosidade e a tentar fazer uma comparação dos produtos ali à venda com os do mesmo género que se comercializam nas feiras e mercados do Brasil. Afinal, eu trabalho no ramo...
Houve grandes mudanças arquitetónicas e de lay out, se bem que se tenha mantido a sua estrutura básica original nas paredes externas e cobertura. Mas perdeu-se muito espaço útil e perdeu-se principalmente aquela comunhão de freguês com comerciante.
Ao adentrar a parte coberta, comecei pelos boxes de frutas. Parei ali em frente dos de número 2 e 4 que são acopolados. A numeração é par de um lado e ímpar do outro. Comecei a comparar as frutas dali com as que vendemos nas feiras no Brasil e fiquei impressionado com a gritante diferença de qualidade e apresentação. As do Brasil são infinitamente melhores e eu, como filho aqui da terrinha portuguesa, tenho que dar a mão à palmatória...
Enquanto eu estava nas minhas observações e conjecturas, percebi que a vendedora, uma loira espampanante, dirigia-se à vendedora da banca ao lado com a frase "Eh pá! paraste de comer?". Duas vezes fez a pergunta e eu, pelo canto do olho, percebi que a coisa era a meu respeito. A outra, percebendo que eu tinha captado a mensagem, ficou um pouco encabulada e nada respondeu. É lógico que eu entendi, pois ùltimamente tenho-me relacionado muito com os amigos alentejanos e comecei a relembrar muitos dos ditos e frases típicas no seu jeito cantado. Ela simplesmente estava gozando com o meu barrigão. Deve ter percebido que eu ainda sou aquele cara gostosão, mas barrigudo...
Claro que eu não iria dizer nada. Tranquilamente me afastei e fui visitar outros pontos, principalmente as bancas de venda de peixe noutro pavilhão. Lògicamente que dali já fui articulando tudo para poder vir a escrevar algo relacionado com o acontecimento. Tudo eu ando a aproveitar para matéria do meu blog e, a par deste assunto de agora, já tenho um punhado de outros para desenvolver. São a continuação das minhas impressões de viagem.
Todas as matérias que aqui posto têm uma ilustração condigna e, por isso, eu teria que fotografar aquela banca de fruta... E lá voltei eu com a minha máquina fotográfica em punho. Fui fazendo algumas fotos antes de lá chegar perto e, quando me preparava para tirar a derradeira foto, a loira me interpelou dizendo: "o senhor não pode tirar fotografias aqui!" O meu esperneio foi imediato e contestei. Respondi que talvez não pudesse tirar foto das pessoas sem autorização das mesmas, mas mesmo isso dependia do quanto o cenário fôsse ou não público, etc., etc., mas o local eu poderia fotografar com toda certeza. A certa altura da discussão alertei-a que eu tinha entendido o que ela estava querendo dizer à vizinha quando eu ali parara pela primeira vez e, como ela não esperava isso, só faltou vomitar fogo... Como a coisa começou a descambar para a baixaria, eu me afastei. Ainda pensei em fazer uma reclamação oficial, mas desisti.
Por portas e travessas eu até descobri o nome da loira e consegui informações sobre o proprietário antigo e o actual. E, mais importante, que a mãe dos meus filhos daqui é freguesa daquela banca...
Na linguagem castiça alentejana e se se tratasse de homem, o desabafo soaria, mesmo no plural, mais ou menos assim: "são uns cabrões"...
sábado, outubro 29, 2011
quinta-feira, outubro 27, 2011
Encontros e Reencontros
No pretérito dia 22, sábado, comemomorava-se em Estremoz os 151 anos da fundação da SAE --- Sociedade de Artistas Estremocense. Sinceramente, causa-me um certo embaraço o nome da Instituição, ou mais exactamente a discordância do nome em si. Acho que deveria ser Sociedade Estremocense de Artistas ou Sociedade de Artistas Estremocenses, algo mais arreigado ao bairrismo da urbe. Mas são 151 anos e por ali já passaram pessoas mais evoluídas e letradas que eu e isso não me dá oportunidade a discussão desse tipo.
Criticas à parte, até porque não é minha intenção criticar nada e ninguém, atenho-me ao motivo que me trouxe a escrever estas linhas de hoje.
Conheço a Sociedade desde que nasci, claro, mas jamais lá tinha entrado; até mesmo durante os anos rebeldes da infância e durante os quais se entrava em qualquer lugar sem convite... Ali, no Lago do Gadanha, eu remei muito nos barcos de recreio que todos os Verões lá eram colocados. Nunca nadei nas suas águas porque nadar eu não sabia. Hoje nem navegação nem natação ali há mais e só lá permanece Neptuno com a sua gadanha impávido e sereno no centro do Lago rodeado de repuxos. Cartão postal da cidade, é deveras um lugar bonito. Ali brinquei muito na infância e ali também passava todos os dias a caminho e na volta da Escola do Caldeiro onde completei o ensino primário na década de 50.
Acabei por me desviar da Sociedade que fica bem ali ao lado do Lago do Gadanha, mas à mesma estou voltando. No passado sábado, como referi, teve uma cerimónia com comes e bebes a comemorar o aniversário. O meu cunhado é sócio antigo e convidou-me a acompanhá-lo a ele e minha irmã, depois que solicitou autorização à directoria.
Salão grande longitunalmente e em toda a sua extensão uma enorme mesa farta de acepipes, vinhos e aguardentes. Também havia água para uma minoria... Lembro-me que ali eu comi ameijoas com carne de porco, bacalhau espiritual, croquetes, bolinhos, queijinhos, presunto, etc., etc... O vinho sempre alentejano da própria terra...
Naturalmente que, mesmo estando fóra das minhas águas, sentia-me como peixe... Não reconheci ninguém do meu tempo, até porque as fisionomias não são as mesmas e a falta de contacto supera os 50 anos, mas isso não me inibiu.
Às tantas ouvi no meu redor dois rapazes comentarem entre si se eu não seria "aquele senhor do blog"!? --- Claro que não poderia resistir a isso e de imediato aquiesci apresentando-me formalmente. Eram amigos da internet, das páginas sociais. Joaquim Mira e um seu amigo que, sendo amigo do meu amigo, meu amigo é...
Às tantas a minha irmã alertou-me sobre a presença de dois amigos da infância: o Ludgero e o Rato. A eles me dirigi e assim vi aumentado o meu círculo de amigos no recinto.
Não demorou muito e eu já estava conversando com o Sr. Presidente da Câmara Muniipal de Estremoz. Senti que à sua volta o grupo que o acompanhava, vereadores e outros, nutriam uma certa curiosidade sobre quem eu seria. Dirigi-me à rodinha e, estendendo a mão ao Presidente, apresentei-me e cumprimentei, na sua pessoa, todos os meus conterrâneos. Acho que, não sendo eu político e a tal não ter pretensões, saí-me bem... Senti-me ali ainda mais entrosado na festa e acho que deixei de ser um desconhecido.
Foi uma noite muito especial para mim e eu jamais esperaria ter um momento desses na minha terra. Será uma eterna e grata lembrança.
Criticas à parte, até porque não é minha intenção criticar nada e ninguém, atenho-me ao motivo que me trouxe a escrever estas linhas de hoje.
Conheço a Sociedade desde que nasci, claro, mas jamais lá tinha entrado; até mesmo durante os anos rebeldes da infância e durante os quais se entrava em qualquer lugar sem convite... Ali, no Lago do Gadanha, eu remei muito nos barcos de recreio que todos os Verões lá eram colocados. Nunca nadei nas suas águas porque nadar eu não sabia. Hoje nem navegação nem natação ali há mais e só lá permanece Neptuno com a sua gadanha impávido e sereno no centro do Lago rodeado de repuxos. Cartão postal da cidade, é deveras um lugar bonito. Ali brinquei muito na infância e ali também passava todos os dias a caminho e na volta da Escola do Caldeiro onde completei o ensino primário na década de 50.
Acabei por me desviar da Sociedade que fica bem ali ao lado do Lago do Gadanha, mas à mesma estou voltando. No passado sábado, como referi, teve uma cerimónia com comes e bebes a comemorar o aniversário. O meu cunhado é sócio antigo e convidou-me a acompanhá-lo a ele e minha irmã, depois que solicitou autorização à directoria.
Salão grande longitunalmente e em toda a sua extensão uma enorme mesa farta de acepipes, vinhos e aguardentes. Também havia água para uma minoria... Lembro-me que ali eu comi ameijoas com carne de porco, bacalhau espiritual, croquetes, bolinhos, queijinhos, presunto, etc., etc... O vinho sempre alentejano da própria terra...
Naturalmente que, mesmo estando fóra das minhas águas, sentia-me como peixe... Não reconheci ninguém do meu tempo, até porque as fisionomias não são as mesmas e a falta de contacto supera os 50 anos, mas isso não me inibiu.
Às tantas ouvi no meu redor dois rapazes comentarem entre si se eu não seria "aquele senhor do blog"!? --- Claro que não poderia resistir a isso e de imediato aquiesci apresentando-me formalmente. Eram amigos da internet, das páginas sociais. Joaquim Mira e um seu amigo que, sendo amigo do meu amigo, meu amigo é...
Às tantas a minha irmã alertou-me sobre a presença de dois amigos da infância: o Ludgero e o Rato. A eles me dirigi e assim vi aumentado o meu círculo de amigos no recinto.
Não demorou muito e eu já estava conversando com o Sr. Presidente da Câmara Muniipal de Estremoz. Senti que à sua volta o grupo que o acompanhava, vereadores e outros, nutriam uma certa curiosidade sobre quem eu seria. Dirigi-me à rodinha e, estendendo a mão ao Presidente, apresentei-me e cumprimentei, na sua pessoa, todos os meus conterrâneos. Acho que, não sendo eu político e a tal não ter pretensões, saí-me bem... Senti-me ali ainda mais entrosado na festa e acho que deixei de ser um desconhecido.
Foi uma noite muito especial para mim e eu jamais esperaria ter um momento desses na minha terra. Será uma eterna e grata lembrança.
quinta-feira, outubro 20, 2011
49 Degraus
A princípio lembrei-me do nome de um filme que eu vira na minha juventude. Um filme do cineasta Alfred Hitchcock baseado na obra homônima de John Buchan. Pensei que tinha como título "Os 49 Degraus", mas pesquisei na internet e vi que eram 39 degraus... Era para jamais esquecer esse título, pois considerei aquele filme um grande barrete, usando expressão muito usada aqui no Alentejo para filmes fracos ou decepcionantes. Este começava com a imagem de um grande navio e que depois se viu que era um barquinho de brinquedo, filmado num plano maior. Coisas de Hitchcock...
Como uma coisa leva a outra, lembrei-me do livro de ensaios do italiano Roberto Calasso, "Os 49 graus". Fiquei outra vez num impasse, pois fujo de plágios, naturalmente. Resolvi então suprimir o artigo e ficou só o numeral, pois a escada tem mesmo os 49 degraus e isso não pode ser alterado...
Com esta introdução acabei por já ter escrito meia crónica quase sem dar por tal. Garanto que tudo o que escrevi não foi conversa para boi dormir nem ar para encher pneu...
Minha mãe fez 87 anos no pretérito Agosto. Vim a Portugal para a rever depois de 10 anos passados, bem como os filhos e netos que aqui tenho.
Por opção, ela passa o dia num Centro de Dia e volta para casa no início da noite. Esperei-a na hora da chegada para lhe fazer uma surpresa.
Depois que ela chegou e após os muitos beijos e abraços, ela se apoiou no corrimão com a mão esquerda e na canadiana com o sovaco direito. Subiu os 49 degraus sem descansar um único momento. E ela faz isso todos os dias há 6 anos. Eu fui atrás, parei duas vezes (uma em cada vão) para retomar o fôlego e cheguei ofegante em estado lastimoso. Para eu chegar aos 87 da minha velhota vou ter que promover grandes e radicais alterações no meu modo de vida. Promessa a ser cumprida imediatamente!
quarta-feira, outubro 19, 2011
A última barreira
Com esta postagem de hoje dou início a uma série de crónicas de viagem. A ideia era ter começado quando da minha chegada a Lisboa, mas uma série de deficuldades afastou-me do aceso a um computador. Tudo se remedeia, porém.
Após o grande trauma que lá muito atrás relatei e que se relacionou com o meu estado de saúde, ficaram algumas sequelas que aos poucos tento eliminar. Uma delas é a síndrome do pânico que com grande esforço tento vencer sem o uso de medicamentos receitados. Imaginar-me dentro de um avião e ver o fechar das portas, era algo que me incutía uma certa espectativa quanto a reacções que viesse a ter. E tudo isso apesar de dezenas de viagens aéreas no meu currículo. Afinal, até medo de elevador eu tivera e já eliminara...
A minha situação em Campinas estava deveras insuportável. Era muita pressão e, por isso, todo o esforço que eu fazia para vencer o pânico do medo, acabava por ser em vão, chegando mesmo a carregar a mente com muitas outras preocupações e stress. Eu precisava muito destas férias e teria que vencer todos os obstáculos.
Naquele terça-feira ainda trabalhei como todas as manhãs faço; e foi um bom dia de negócios. À noite lá estava no aeroporto de Viracopos onde ràpidamente fiz o chek-in.
Por ali andei passeando nas instalações que observei não serem adequadas para um aeroporto daquele porte e fiquei com a certeza que não estarão à altura da Copa do Mundo de 2014...
Na hora marcada começou o embarque. O pássaro é enorme e foi a primeira vez que entrei num desse porte --- Air Bus 340. Já senti que aproveitaram ao máximo o espaço para capitalização e comecei a duvidar que eu conseguisse passar o meu barrigão naquele corredor estreitíssimo que fica entre a parede da fuselagem e a área serviço das comissárias de bordo. Mas consegui passar... O ruim foi começar a pensar que aquela passagem era realmente muito estreita... Mas esse pensamento eu fui evitando ao concentrar-me nas comissárias. Pô! A TAP continúa a ter pessoal com uma média de idade muito alta. Altíssima!
Esta viagem demorou 9 horas. As anteriores demoravam 10. Decorreu tudo às mil maravilhas e, por isso, acho que ultrapassei a última barreira.
Após o grande trauma que lá muito atrás relatei e que se relacionou com o meu estado de saúde, ficaram algumas sequelas que aos poucos tento eliminar. Uma delas é a síndrome do pânico que com grande esforço tento vencer sem o uso de medicamentos receitados. Imaginar-me dentro de um avião e ver o fechar das portas, era algo que me incutía uma certa espectativa quanto a reacções que viesse a ter. E tudo isso apesar de dezenas de viagens aéreas no meu currículo. Afinal, até medo de elevador eu tivera e já eliminara...
A minha situação em Campinas estava deveras insuportável. Era muita pressão e, por isso, todo o esforço que eu fazia para vencer o pânico do medo, acabava por ser em vão, chegando mesmo a carregar a mente com muitas outras preocupações e stress. Eu precisava muito destas férias e teria que vencer todos os obstáculos.
Naquele terça-feira ainda trabalhei como todas as manhãs faço; e foi um bom dia de negócios. À noite lá estava no aeroporto de Viracopos onde ràpidamente fiz o chek-in.
Por ali andei passeando nas instalações que observei não serem adequadas para um aeroporto daquele porte e fiquei com a certeza que não estarão à altura da Copa do Mundo de 2014...
Na hora marcada começou o embarque. O pássaro é enorme e foi a primeira vez que entrei num desse porte --- Air Bus 340. Já senti que aproveitaram ao máximo o espaço para capitalização e comecei a duvidar que eu conseguisse passar o meu barrigão naquele corredor estreitíssimo que fica entre a parede da fuselagem e a área serviço das comissárias de bordo. Mas consegui passar... O ruim foi começar a pensar que aquela passagem era realmente muito estreita... Mas esse pensamento eu fui evitando ao concentrar-me nas comissárias. Pô! A TAP continúa a ter pessoal com uma média de idade muito alta. Altíssima!
Esta viagem demorou 9 horas. As anteriores demoravam 10. Decorreu tudo às mil maravilhas e, por isso, acho que ultrapassei a última barreira.
segunda-feira, outubro 10, 2011
Caprichos da Natureza
Uma das variedades de árvores que eu considero ser das mais lindas, mais belas, é o ipê. O roxo, o branco e o amarelo. A minha preferência vai por este último e, por isso, cuidei de uma muda que ganhei há aguns anos atrás e hoje está transformada numa árvore enorme plantada na calçada da minha casa. Já comentei aqui sobre ele outras vezes por outros motivos.
Uma vez, numa das costumeiras incursões que faço na livrarias, despertou-me a atenção o título de um livro --- "Os Ipês Florescem em Agosto". Por acaso não comprei o livro e fiquei sem saber se o título era específico ou se se tratava de uma metáfora. Todavia, passei a olhar as florações dos ipês e a conferir se batia com o título do livro. Por diversas oportunidades, o que significa por vários anos, verifiquei que os roxos começam a florir em Maio e isso vai até Agosto ou mesmo Setembro. Os amarelos e os brancos na verdade florescem mais tarde, entre Julho e Agosto.
Este ano as coisas não fôram bem assim, pois um amarelo lindo e imponente que existe no Centro de Convivência Social de Campinas, floresceu em Junho, antes dos roxos. Já fiquei meio confuso com tudo isso. Quanto ao branco, os que conhecia fôram arrancados por aquelas pessoas que gostam de arrancar árvores a seu belo prazer --- e tem muitas dessas pessoas ignorantes nesta cidade. Não vi nenhum deles florescer.
Deixo para lá todos os ipês que não me pertencem e vou-me ater ao "meu".
Desde que começou a dar flores, isso sempre aconteceu no mês de Outubro. Este ano ele floresceu de acordo com o titulo do livro e eu fotografei-o em 30 de Agosto. Fiquei pensando sobre qual a razão porque ele entrou na linha, sem mais nem menos, e a única conclusão a que cheguei foi a de que deve ter sido porque eu rego o seu pé ao mesmo tempo que rego o jardim da frente de casa. Era raríssimo dar-lhe de beber... Aí estaria explicada toda essa mudança da anormalidade para a normalidade.
A grande encrenca é que após terem caído as flores, quando eu esperava que começaríam a aparecer as novas folhas, o ipê deu uma nova florada em Setembro. E isso não é para admirar?! Mas admiração mesmo, é que ele deu a terceira florada em Outubro e assim está no momento em que escrevo estas linhas.
O que aqui escrevi pode ser comprovado pelas datas das três fotos que ilustram esta matéria. Lembro-me que uma vez que cheguei a pensar que a árvore estava com problemas devido à demora das novas folhas, um senhor da EMBRAPA me contactou mas não continuou a troca de informações. Talvez agora ele me explique tècnicamente o que está a acontecer se, porventura, ele ler o que escrevo.
Será que o meu ipê me está agradecido por eu todos os dias o molhar e lhe dedicar o maior dos carinhos. Se fôr isso, é porque ele merece, a exemplo de todas as árvores que eu admiro.
sexta-feira, setembro 30, 2011
Comentários
Esporàdicamente surgem comentários em matérias aqui publicadas, que não abordam especìficamente o assunto e antes tentam agredir o autor. É pura ignorância e pouca ou nenhuma inteligência! Mesmo assim, desde que não sejam ofensivos, acabo por permitir a publicação dos mesmos e é aí que reside a diferença...
domingo, setembro 25, 2011
Cesária Évora
Há uns anos atrás, quando ainda Timor Leste se tentava livrar dos tentáculos da Indonésia, Ramos Horta passou pelo Brasil na sua incansável caminhada pelo Mundo e, sinceramente, não sei se pela primeira vez. A situação estava efervescente, pois isso tudo se passava após o massacre de Santa Cruz.
Sorrateiramente eu sempre andei envolvido em algo que de alguma forma pudesse ajudar o sacrificado povo timorense. Sempre fiz uma grande propaganda de Timor, explicava a muitos o que foi, o que era e o que aspirava a ser aquele Território. Por incrível que pareça, muita gente culta jamais tinha ouvido falar...
Nessas andanças de Ramos Horta, ele passou aqui por Campinas, mas eu não tive oportunidade de conversar com ele ou, pelo menos, de vê-lo. Mas tentei envolver-me mais e contactei algumas Organizações. Fiz alguns comentários em matérias publicadas na Imprensa e abordei certas passagens de que me lembrava de quando estive cumprindo comissão militar em Díli.
Por tudo isso, pela minha exposição no momento, surgiu um convite da Rádio Transamérica de São Paulo para que eu desse uma entrevista. Claro que de imediato recusei, pois a timidez sempre foi o meu fraco e eu sei que me iria engasgar ou entrar num buraco negro a qualquer momento. Além disso, acho que não seria a pessoa indicada para falar daquele Timor do momento.
Nessa mesma altura recebi um telefonema do então Director da Tv Cultura de São Paulo que me fez algumas perguntas sobre a situação em Timor e, lá pelas tantas, inquiriu-me sobre alguns dados pessoais como, por exemplo, a minha origem portuguesa. Citei-lhe Estremoz, a minha cidade natal e Évora onde mais vivi e estudei.
Não percebi a confusão que ele engendrou naquele momento ao confundir Évora com Cesária Évora e sobre esta tecer alguns comentários, pois a nobra caboverdiana não estava na pauta em discussão e um director de um Canal cultural jamais poderia cometer uma gafe dessas...
Após tudo o que escrevi até aqui nesta crónica só um detalhe assinalado na mesma me trouxe aqui. Exactamente a diva Cesária Évora.
Sim! desta vez é ela o personagem central da peça e vim até ao seu nome passando por Timor e São Paulo porque o seu nome foi citado naquelas situações e até se sobrepôs ao da cidade que é Património Mundial da Humanidade.
Cesária Évora também é Património Mundial para todos aqueles que ouviram as suas maravilhosas interpretações no titmo de mornas e coladeras.
Surgiu na Imprensa que Cesária Évora sofreu um acidente cerebral vascular nestes dias e isso me deixou estupefacto e muito aborrecido. Possìvelmente ela não voltará a cantar, mas teremos sempre o prazer de escutar as suas gravações, ver os seus clips e passar tudo isso e muito mais sobre ela às gerações futuras.
segunda-feira, setembro 19, 2011
Movimentos
Esqueci de contar esta a que assisti na passada sexta-feira. Talvez não faça qualquer sentido para alguns que por aqui passam, mas achei interessante porque insólito. Aliás, é sempre bom lembrar que mais importante que a preocupação com o achatamento ou não das calotes polares, é o sentido que o Mundo está seguindo no seu movimento rectilíneo. Sim! o mundo tem um movimento rectilíneo; aquele em que ele não volta a passar pelo mesmo ponto do modo como passa no de rotação e de translação. Não sei se alguém já alguma vez escreveu isto e eu acho que a ideia foi minha agora, apesar de ser algo tão explícito...
Estava eu, como em quase todos os finais de tarde, tomando uma cervejinha estùpidamente gelada na calçada do Bar, depois que baixei a poeira da garganta com uma saborosa cachaça de Salinas. De repente notei que se aproximava um jóvem aparentando entre 18 a 20 anos. Corpo esguio, alto e bem vestido, com uma camiseta preta e alguns daqueles colares de prata que ora muito se usam. Dirigindo-se a um outro frequentador do Bar e num jeito desesperado, ofegante, perguntou onde se vendia "farinha pra cheirar".
Acho que não será preciso explicar o que é essa tal farinha de cheirar, pois todos sabem que é cocaína. Uns a tratam simplesmente por "pó" e outros nomes mais íntimos. De qualquer modo, eu sempre andei muito longe dessas intimidades e só estou escrevendo sobre o assunto porque ele vem até mim quando eu mais fujo dele. Ele, o assunto...
Alguns logo indicaram que ele andasse mais duas quadras e voltasse à esquerda, etc. e tal. Acho que até mais por gozação, se bem que o pó se encontra hoje em quase todas as esquinas.
O insólito do quadro pintado, como o denominei lá atrás, é a tranquilidade com que o indivíduo se dirigiu a pessoas que ele não conhece e lugar que não frequenta, com aquela pergunta na ponta da língua. O vício se apodera de tal maneira dessas pessoas, que a ansiedade vence todos os obstáculos, até mesmo os de ordem legal.
Vemos, então, que esse movimento rectilíneo do Mundo tem muitos solavancos e, por isso, não mais oferece aquela gostosa tranquilidade. Talvez até entorte a direcção.
quinta-feira, setembro 15, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
sábado, setembro 03, 2011
Frutas Tropicais --- Cacau
O cacaueiro, da família das esterculiáceas, é nativo
das regiões tropicais da América Central e do Sul, provavelmente das bacias dos
rios Amazonas e Orenoco, de onde se espalhou por toda região e onde ainda se
encontram algumas espécies em estado nativo. Quando os primeiros colonizadores
espanhóis chegaram à América, o cacau já era cultivado pelos índios,
principalmente os Astecas, no México, e os Maias, na América Central. De acordo com os historiadores, o cacaueiro, chamado cacahualt, era considerado
sagrado. No México os Astecas acreditavam ser ele de
origem divina e que o próprio profeta Quatzalcault ensinara ao povo como
cultivá-lo tanto para o alimento como para embelezar os jardins da cidade de
Talzitapec. Seu cultivo era acompanhado
de solenes cerimônias religiosas. Esse significado religioso provavelmente
influenciou o botânico sueco Carolus Linneu
(1707 – 1778), que denominou a planta de Theobroma cacao, chamando-a assim de “manjar dos deuses”.
Os índios consideravam as sementes de cacau tão
valiosas que as usavam como moeda.
Antes do descobrimento do Brasil ele era encontrado
em estado selvagem no Amazonas e Pará.
A região onde fica aquela que deveria ser a maior
rodovia do Brasil e que jamais foi terminada, a Rodovia Transamazônica, possui
hoje quase 100 milhões de pés de cacau, fazendo desta atividade produtiva uma
das principais forças econômicas da região que vai receber a hidrelétrica de
Belo Monte, no Pará.
Em 1746 as primeiras sementes chegaram à Bahia, sendo
o primeiro cacaueiro plantado na Fazenda Cubículo. O introdutor do cacau na
Capitania foi o português António Dias Ribeiro, com sementes trazidas do Pará
pelo francês Louis Frederic Warneau.
Hoje encontramos o cacauzeiro no Caribe, na África,
no Sudeste da Ásia e até nas ilhas do Pacífico Sul, Samoa e Nova Guiné. Devem
ter sido os portugueses que o levaram para esses lugares...
A produção de cacau é uma opção como atividade que
concilia a necessidade de produzir com a proteção ao meio ambiente. O cacau tem
que ser plantado consorciado com variedades florestais diversas para garantir o
seu sombreamento, e por isso pode ser considerado como reflorestamento de áreas
já alteradas. Isso torna a lavoura do cacau uma atividade sustentável do ponto
de vista econômico, social e ambiental.
A
"vassoura-de-bruxa", a mais destrutiva doença do cacaueiro, contribuiu
fortemente com a derrocada da cacauicultura e da economia regional a partir de
1989, provocando grandes impactos econômicos e sociais negativos para a região.
Fortes indícios indicam que esta doença foi introduzida nas plantações por
sabotadores querendo o declínio econômico dos fazendeiros, enfraquecendo-os
politicamente. Esta doença só existia no norte do país e somente o homem,
intencionalmente ou não, poderia ter propagado a "vassoura-de-bruxa"
no sul da Bahia.
Os preços
internacionais baixaram e a tecnologia de plantio continua antiga, dificultando
a produção e competitividade. Mas aos poucos as plantações vão sendo recuperadas.
Existem três principais variedades de cacaueiro. A
mais comum é o forastero, responsável por cerca de 90% da produção mundial de
grãos de cacau. Os grãos do tipo crioulo são mais raros e por causa do seu
aroma e gosto são procurados pelos melhores chocolateiros. Há também o cacau
trinitário, um cruzamento entre o crioulo e o forastero.
Após a
colheita, os frutos são juntados, quebrados e retiram-se as favas que são
levadas a fermentar em caixas de madeira. Esta fase do beneficiamento é de
muita importância, pois de uma fermentação adequada resultará em grande parte o
sabor do produto.
O processo
de transformar o cacau em chocolate começa na seleção e mistura dos grãos. Em
geral são utilizadas diversas variedades de grãos. Todos os grãos são separados
manualmente antes de começar a torrefação onde se desenvolve o aroma do
produto. Cada variedade de grãos é torrada separadamente.
Após, as favas são resfriadas e levadas ao triturador. A casca e a amêndoa são
separadas por peneiras sucessivas, com sistema de ventilação e sucção, sendo, a
partir de então, utilizada apenas a amêndoa que é é o produto básico usado na
produção de chocolate.
A etapa
seguinte é a moagem, estágio em que é liberada a gordura, desprendendo
substâncias aromáticas que dão ao chocolate sua qualidade de conservação. A
máquina de moagem tem um dispositivo de granito que roda sobre uma plataforma
de aço ou de pedra para amassar a semente triturada até obter uma pasta
espessa, a massa de cacau (ou liquor de cacau), produto básico para a elaboração
dos diversos tipos de chocolate. É nesta etapa são acrescentados açúcar e
baunilha.
A seguir, vem a refinação e a conchagem, que dura por horas ou dias, durante a
qual a massa é agitada até expulsar a acidez ainda existente, ganhando, então,
textura e tendo seu sabor realçado, adquirindo aspecto brilhante e apetitoso.
As etapas finais são a moldagem, o esfriamento e o empacotamento do chocolate.
O cacaueiro
sempre foi cultivado para dele aproveitar-se apenas as sementes de seus frutos,
que são a matéria-prima da indústria chocolateira. As sementes secas
representam no máximo 10% do peso do fruto do cacaueiro. Apenas recentemente é
que os 90% restantes começaram a despertar o interesse dos produtores.
A casca do
fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para
alimentar bovinos, tanto in natura como na forma de farinha de casca
seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto
do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante,
no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína
microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina.
O suco de
cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao
paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais, como o bacuri,
cupuaçu, graviola, acerola e taperebá. É fibroso e rico em açúcares (glicose,
frutose e sacarose) e também em pectina. Em termos de proteína e de algumas
vitaminas, é equivalente aos sucos de acerola, goiaba e umbu. Algumas das
substâncias que compõem o suco de cacau lhe conferem uma alta viscosidade e
aspecto pastoso.
O chocolate
possui vitaminas A, B, C, D e os minerais potássio, sódio, ferro e flúor. Além
disso, pode aumentar o nível do hormônio responsável pela sensação de
bem-estar, a serotonina, tornando-se eficaz no combate à depressão e à
ansiedade.
Outra substância "positiva" encontrada no chocolate é a feniletilamina, também conhecida como "hormônio da paixão". Cientistas explicam que, quando estamos apaixonados, aumenta a produção de feniletilamina pelo organismo. Por isso, quando algumas pessoas passam por um processo de desilusão amorosa, muitos recorrem ao chocolate numa tentativa inconsciente de "compensar" a quantidade desse hormônio.
Outra substância "positiva" encontrada no chocolate é a feniletilamina, também conhecida como "hormônio da paixão". Cientistas explicam que, quando estamos apaixonados, aumenta a produção de feniletilamina pelo organismo. Por isso, quando algumas pessoas passam por um processo de desilusão amorosa, muitos recorrem ao chocolate numa tentativa inconsciente de "compensar" a quantidade desse hormônio.
O melhor
compromisso será comer com moderação e escolher, preferencialmente, chocolate
preto (amargo). Não só contém mais cacau e proporcionalmente menos açucar e
gordura do que o chocolate de leite, mas também é rico em compostos
antioxidantes, chamados flavonóides. De facto, o chocolate preto contém mais
flavonóides do que outros alimentos ricos em antioxidantes, como o vinho tinto.
Os flavonóides previnem vários tipos de cancro, protegem os vasos sanguíneos,
promovem o bem-estar cardíaco e contrariam a hipertensão moderada.
Os
resultados de uma das pesquisas mais recentes sobre esse chocolate confirmam que ele protege o coração.
Realizado na Alemanha, o estudo revela que seu consumo rotineiro reduz os
níveis da pressão arterial. 6,3
gramas da versão de gosto mais acre derrubam a pressão
que o sangue exerce sobre os vasos; a máxima, ou sistólica, em 1,6 milímetros de
mercúrio e a mínima, a diastólica, em 1 milímetro de
mercúrio.
terça-feira, agosto 23, 2011
Rodeios
Um bezerro foi sacrificado, na última sexta-feira (19), após ficar
paralítico durante uma prova na arena da 56º Festa do Peão de Boiadeiro
de Barretos (SP).
O acidente aconteceu no fim da noite, durante a prova de bulldog, quando
o competidor salta em cima do animal e com os braços tem que
imobilizá-lo. O animal teria quebrado a coluna cervical nesse momento,
ficando paralisado.
A presidente do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Sônia
Fonseca, disse que "o departamento jurídico da instituição está
analisando a ocorrência e poderá entrar com uma ação na Justiça contra a
realização desta prova brutal, que imobiliza o animal em movimento". Há
quatro anos, o fórum já havia entrado com uma ação para a proibição da
prova de laços.
Segundo a assessoria do evento, o competidor Cesar Brosco executou os
procedimentos para a prova de bulldog e depois que terminou foi
verificado que o bezerro ficou imóvel na arena.
Os veterinários constataram que a paralisia havia evoluído e o animal foi sacrificado. A assessoria de imprensa do evento informou que esse é um procedimento normal quando incidentes como esse acontecem.
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------Os veterinários constataram que a paralisia havia evoluído e o animal foi sacrificado. A assessoria de imprensa do evento informou que esse é um procedimento normal quando incidentes como esse acontecem.
A notícia é do R7 Notícias e as imagens do Folha.com
Abstenho-me de comentar os acontecimentos, pois já gastei muita prosa condenando este tipo de evento. Coloco aqui mais como uma difusão a tentar alcançar mais alguns internantas e, assim, engrossar o bloco dos revoltados.sexta-feira, agosto 19, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
sábado, agosto 13, 2011
Correios do Brasil
Com o advento da internet, o fluxo de cartas expedidas pelo Correio teve uma assombrosa deminuição. No meu caso, já não me lembro de quando usei esses serviços, apesar de ter família e amigos fóra do Brasil e espalhados por muitos rincões do Mundo.
Nesses outros tempos, até pelo uso frequente dos serviços do Correio, eu sabia de ante-mão quanto me custaria a postagem de uma carta ou encomenda; tinha uma tabela das taxas com os respectivos pesos. Bons tempos!
Ontem dirigi-me à Estação central dos Correios, aqui na cidade de Campinas, para enviar um DVD a um amigo que reside nos Estados Unidos. É um DVD com as filmagens da nossa festa de formatura da Faculdade do ano de 1983. É para nós uma preciosidade e ele não tem. Pensei colocar o DVD num daqueles envelopes forrados com plástico bolha de ar e enviar como uma carta comum. Imaginei ter de pagar 5 reais, no máximo.
Cheguei no guichê e pedi à funcionária o que me vendesse um daqueles envelopes. Porém, ao ver que eu iria enviar um DVD para o exterior, informou-me que só o poderia fazer com uma caixa de papelão com as medidas 185 x 130 x 90. Respondi que achava aquilo um absurdo devido ao tamanho muito inferior do objecto a ser expedido e que teria que preencher o espaço vazio com qualquer tipo de enchimento. Ele logo me respondeu que os próprios Correios depois que eu expedisse a caixa, se encarregariam de completar o enchimento com papel. Porra! Isso chega até a ser uma violação, uma vez que a funcionária fiscaliza o conteúdo naquele momento.
Contrariado e apesar e tudo, comprei a referida caixa e dentro dela coloquei o DVD. Preenchi os endereços --- destinatário e remetente. No momento em que pensei que se seguia o processo de expedição, fui informado que teria que retirar uma senha e aguardar a chamada para outro guichê...
Cumpri tudo direitinho, qual cordeirinho manso. Quando me atenderam no outro guichê, fui informado que teria que pagar 36 reais de sêlos! É claro que esbravatei, pois achei aquilo a coisa mais estúpida do dia... Não é permitido enviar o objecto num simples envelope que pagaria 7 vezes menos e temos que cair no balaio que eles querem. Desisti da operação e retirei-me antes que ficasse mais nervoso e começasse a ser malcriado.
O amigo a quem vou enviar o DVD poderá até estar lendo esta matéria de hoje e, assim, desde já o alerto que essa relíquia chegará às suas mãos. Claro que será enviada do meu modo prático de ser. E nem é tanto pelo terei que pagar, mas sim pelo que é justo e pela não alimentação dessa corja que superintende um dos serviços mais importantes para o povo.domingo, julho 24, 2011
Ramal Lisboa - Évora
Esta é uma notícia publicada no jornal da minha terra "Brados do Alentejo". Ela diz o seguinte:
"A CP vai lançar no próximo domingo, 24, uma nova oferta de Lisboa para Évora com quatro "intercidades" diários em cada sentido (dois de manhã e dois à tarde) que vão demorar apenas uma hora e vinte e um minutos entre Sete Rios e Évora, segundo anunciou o jornal "Público" na sua edição de terça-feira, dia 19.
De acordo com aquele diário, os "Intercidades" para a capital alentejana serão compostos por locomotivas 5600 (aptas a circular a 200 km/h) e três carruagens. O jornal adianta ainda que não haverá serviço de bar e que os comboios partem da Estação do Oriente, com paragens em Entrecampos, Sete Rios, Pragal, Pinhal Novo, Vendas Novas e Casa Branca. Mas um em cada sentido terá paragem em mais estações para assegurar algum serviço regional (demorando mais 10 minutos na viagem).".
Tenho 66 anos e fui usuário contumaz dos comboios daquele trajecto em toda a minha juventude e mais esporàdicamente na idade adulta. Sempre tive preferência pelos comboios porque me ofereciam mais tranquilidade e segurança, mesmo sabendo que poderia demorar o dobro do tempo ou até mais nas minhas idas de Lisboa a Évora e vice versa.
Durante o período do serviço militar que cumpri nas cidades de Santarém, Sacavém e Lisboa, por imperativo da ultra frágil situação económica pessoal, o meio de locomoção mais usual era a tradicional boleia (carona), mesmo sendo imprevisível o sucesso e horário de chegada ao destino. Muitas vezes dormi na estrada... Porém, "viciado" que me tornei nas boleias, vez ou outra usava o comboio.
Nas boleias a variedade de personalidades que encontrava era impressionante e, porque assim, gradativamente fui-me formando em psicologia nas verdadeiras estradas da vida. Para todo o tipo de assunto puxado à conversa, eu acabava por vencer a minha natural e exacerbada timidez e surfava, entendido, por uma multiplicidade de temas.
Nos comboios era muito diferente. Não havia pròpriamente a obrigatoriedade ou necessidade de entabular uma conversação com quem quer que fosse. Principalmente por se tratar de uma viagem maçadora e demorada, a maioria dos passageiros cochilava, fingia que dormia ou dormia mesmo, alguns até ao ponto de passar o destino sem acordar...
Para mim a viagem já era aproveitada de maneira diferente. Por ser "chata" para a maioria, sempre havia uma explosão de reclamações, algumas com e outras sem fundamento. Pela vagareza e quando de dia, a paisagem oferecia mil mistérios a desvendar. As paragens nas estações com embarques, desembarques e baldeações, estas últimas sempre na Estação de Casa Branca atendendo passageiros que íam ou vinham do Baixo Alentejo e Algarve, eram um verdadeiro maná de detalhes que eu guardava na cachola e muito me divertiam. Muitos eram militares e os assuntos por eles tratados eram para mim de suma importância, principalmente os que íam ou vinham de Tavira. Claro que isto quando eu também era militar...
A última vez que usei essa linha ferroviária, já lá vão alguns anos, oi numa ida a Portugal e coincidiu com uma greve geral nesse tipo de transporte. A travessia do Tejo num do barcos da CP já foi um pouco conturbada, mas completou-se até ao Barreiro. Ali o embarque no comboio já foi complicado e a partida demorou horas. Em todas as estações ficava parado por tempo sem fim, numa verdadeira afronta aos utentes. Sempre achei que jamais deveria haver greve nos serviços essenciais, apesar das minhas preferências esquerdistas...
Muito bom saber que no momento em que escrevo esta crónica já terá sido inaugurado esse novo serviço ferroviário. Nem preciso dizer que já estou ansioso por embarcar num desses comboios quando agora for a Portugal. Colherei muitos detalhes e imagens para poder colocar aqui depois. Posso até já adiantar que, mesmo ainda não ter conhecido tudo isso, seria uma boa ideia as autoridades estudarem a possibilidade do prolongamento do trecho até à fronteira com a Espanha em Elvas.
Muitas das linhas e belas estações estão desactivadas por esse país afóra. Que maravilha seria este ser um exemplo a seguir, pois ajudaria até na superação da actual e futuras crises. Os transportes mais baratos, seguros e gostosos. Afinal, em toda a Europa sempre foi e é assim.
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terça-feira, julho 19, 2011
Faculdades Padre Anchieta - "Anchieta-1983"
Fiz o meu curso de Administração de Empresas na Instituição então denominada "Faculdades Padre Anchieta" na cidade de Jundiaí. De 1980 a 1983 fôram 4 anos lectivos e diàriamente (período nocturno) me deslocava desde Campinas, uma distância de 40 kilómetros. Não era fácil para quem árduamente trabalhava durante o dia e estudava à noite, o que com todos acontecia.
Após 25 anos do término do curso, ex alunos encontrámo-nos num restaurante de Jundiaí para um acertado Almoço de Confraternização. Foi o primeiro e fizémos promessas de realização de um segundo e seguintes. Porém, a vida movimentada e compromissos de muitos do Grupo só agora permitiu que nos encontremos pela segunda vez e no mesmo local.
Ocupo este meu espaço para propagandear o próximo "Almoço-Encontro", na esperança de conseguir contacto com aquela meia-dúzia de colegas que teimam em não aparecer e que não conseguimos encontrar.
O dia é 17 de Setembro -- Sábado -- no Restaurante Spiandorello, na Avenida Humberto Cereser, 6245 - Caxambu - Jundiaí.
Como da outra vez, alguns de nós começaremos a comparecer bem antes das 11 horas, pois há muita cachaça para experimentar e um bom pedaço de floresta cheio de animais exóticos para apreciarmos.
O contacto de algum colega perdido que apareça, poderá ser feito por e-mail, para o que basta clicar no ícone do mesmo aqui nesta página.
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domingo, julho 17, 2011
Castigo sem Crime
Quase todos os dias, ou mesmo todos, nos deparamos com situações sui generis que nos despertam a atenção e espoletam uma série de pensamentos e conjecturas. Algumas vezes dá até para escrever um tratado a respeito. E reparem que o caso que abordo hoje dá muito pano para mangas na oficina de costura da Justiça. Gostaria até mesmo que visitantes do meu blogue, de grande número de países diversos, comentasse o que as leis dos mesmos apontariam para este caso. Acredito que haja uma convergência para o óbvio.
Já há muito tempo vivemos no Brasil uma situação dramática de insegurança e parece que a cada dia que passa tudo piora. As leis são aplicadas aos justos cidadãos normais, impiedosamente, e superficialmente ou até mesmo não aplicadas aos marginais criminosos da piuor espécie.
Por não acreditarmos mais nas Polícias e na Justiça, cada um de nós tenta defender-se de todos os modos ao seu alcance. Não podemos usar armas sem os complicados meios de obtenção de registos e licenças de porte e, assim, não as usamos para não termos problemas com a Justiça; os bandidos usam-nas de todo o tipo e ficam imunes...
Um cidadão de bem, de sobrenome Sousa e trabalhador rural no município de Formosa, cidade do entorno de Brasília, a exemplo do que acontece com milhões de brasileiros, teve a sua casa invadida por ladrões. No seu caso pelo menos 8 vezes e isso mexeu muito com os seus neurónios.
Sousa já teria registado alguns Boletins de Ocorrência na Polícia Civil e, como todos nós, começou a perder a esperança e a própria confiança naqueles que institucionalmente o deveríam defender ou trabalhar para resolver esses casos de polícia.
Num destes dias, Sousa teria que se ausentar de sua casa por um período de tempo maior que o costumeiro e colocou em prática um plano que havia concebido. Construíu uma armadilha baseada numa estrutura idêntica à que muito bem conhecemos e que serve para caçar animais selvagens. Disse ele que herdou esses conhecimento do seu avô.
Com dois canos que outrora já fôram galvanizados e agora enferrujados, apoiados numa tábua, ele fez a base da armadilha; com um esquema de arames ligados a uma ratoeira, formou uma espécie de gatilho que pela mola desta seria acionado. A munição eram cartuchos de arma calibre 12. A ratoeira estava lidada à porta e, quando esta fosse aberta, a arma era accionada.
Jeferson, o bandido, de 33 anos de idade pulou o muro da casa de Sousa em pleno dia e a polícia foi avisada. É até possível que ele tenha sido o ladrão das 8 vezes anteriores, mas isso jamais alguém saberá... Quando o ladrão abriu a porta, foi atingido com dois tiros no peito e morreu na hora.
A polícia abriu inquérito.
Para o delegado, o dono da
casa deve responder sob a
acusação de homicídio doloso --- quando há intenção de
matar. A pena, se condenado, é de até 30 anos de prisão.
Ele poderá responder por
porte ilegal de arma.
"Homicídio doloso" e "porte ilegal de armas" são duas aberrações e tal não deveria poder sair da boca de um Delegado de polícia que é Bacharel em Direito. Para mim o indivíduo não teve a intenção de matar e sim a de defender o seu patrmónio, coisa que a polícia não consegue fazer. E só poderia ser considerado porte de arma se esta estivesse, como o nome indica, sendo portada; e até admitindo que o simples facto de se ter uma arma em casa, inerte, possa ser consirado porte, este jamais seria o caso em questão.
Ao depor à polícia, Sousa disse que herdou a armadilha do avô, que a usava na fazenda para se proteger de animais. Disse que não sabia que ela podia matar. Aqui eu não concordo, pois acredito que ele sabia que a engenhoca é mortífera. Sousa foi liberado em seguida.
O Presidente da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo), defende que "a morte foi culpa só do ladrão". Já para alguns criminalistas não houve legítima defesa. "Para defender o patrimônio, você não pode matar."
Ao depor à polícia, Sousa disse que herdou a armadilha do avô, que a usava na fazenda para se proteger de animais. Disse que não sabia que ela podia matar. Aqui eu não concordo, pois acredito que ele sabia que a engenhoca é mortífera. Sousa foi liberado em seguida.
O Presidente da Acrimesp (Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo), defende que "a morte foi culpa só do ladrão". Já para alguns criminalistas não houve legítima defesa. "Para defender o patrimônio, você não pode matar."
Se o abate de um qualquer criminoso (ladrão, estuprador, sequestrador, etc.) configura o meio necessário para acabar com o acto criminoso em execução, a lei permite-o.
Gostaria que bons e competentes advogados oferecessem seus préstimos gratuitamente para a defesa de Sousa, cidadão de bem que passou a ter a simpatia de todos nós. E mais uma vez coloco aqui que "bandido bom é bandido morto!" e este é o caminho para acabar com a superlotação dos presídios e cadeias e até mesmo a redução vertiginosa da criminilidade.
quinta-feira, julho 07, 2011
A língua portuguesa no Brasil
A professora pergunta a um aluno:
- Wandercleison, diga aí um verbo.- Bicicreta.
- Não é bicicreta... É bicicleta! E bicicleta não é verbo.
Depois, perguntou ao segundo aluno:
- Helvispresli, diga aí um verbo.- Prástico.
- Não é prástico... É plástico! E plástico não é verbo.
A professora, desesperada, perguntou ao terceiro aluno.
- Janedílson, diga aí um verbo.- Hospedar.
- Muito bem! Hospedar realmente é um verbo!
Agora diga-me uma frase com o verbo que escolheu.- Hospedar da bicicreta são de prástico!...
- Wandercleison, diga aí um verbo.- Bicicreta.
- Não é bicicreta... É bicicleta! E bicicleta não é verbo.
Depois, perguntou ao segundo aluno:
- Helvispresli, diga aí um verbo.- Prástico.
- Não é prástico... É plástico! E plástico não é verbo.
A professora, desesperada, perguntou ao terceiro aluno.
- Janedílson, diga aí um verbo.- Hospedar.
- Muito bem! Hospedar realmente é um verbo!
Agora diga-me uma frase com o verbo que escolheu.- Hospedar da bicicreta são de prástico!...
O texto acima é uma conhecida piada. Porém, alguém duvida que estamos caminhando para isso?
Com o livro didático, distribuído pelo Ministério de Educação e Cultura, que defendeu o uso da "linguagem popular", com erros grosseiros de português, não estaremos longe de conviver com situações desse calibre como a acima descrita.
segunda-feira, julho 04, 2011
Corinthians x São Paulo
♫ Era um time muito engraçado, torcida estranha, tudo viado. Libertadores foi campeão, mas do Corinthians não ganha não!!!
E foi sofrido, com muito esmero, tomou de cinco, acabou com zero... onde eles foram? Aí eu sei! Foi pra paulista, Parada Gay! ♫
E foi sofrido, com muito esmero, tomou de cinco, acabou com zero... onde eles foram? Aí eu sei! Foi pra paulista, Parada Gay! ♫
sexta-feira, julho 01, 2011
Amazónia e Vietnam
Para muitas das indagações que aqui coloco, em matérias que expressam a minha revolta, a maioria dos cidadãos sabe a resposta. Porém, jamais devemos esquecer esses problemas e sempre teremos que estar alerta e denunciá-los.
Tive a oportunidade de viver em dois países governados por ditaduras ferozes e implacáveis --- Portugal e Brasil. Sei que as coisas não são difíceis nesse campo, pois a investigação é profunda e existem inúmeras forças delatoras que em muito facilitam as operações. Notemos que, mesmo que determinado indivíduo não fosse comunista, mas que tivesse postura contrária ao regime, fàcilmente era identificado, preso e até assassinado em seguida.
Perante o exposto no parágrafo anterior, pergunto como é tão difícil identificar os grandes desmatadores da Amazónia? Acho e todos acham que essa identificação é muito fácil e só não se faz nada para conter esse desastre porque eles estão no Poder ou com o mesmo convivem umbilicalmente.
Eu já me sinto empedernido perante um infinito número de situações, porque o tempo vai cicatrizando muitas feridas abertas e aos poucos vamo-nos embrutecendo também. Porém, pela grandiosidade e o inusitado de certas dessas situações novas, ainda há espaço para outro momento de comoção e perplexidade.
No período de 1961 a 1971, as tropas americanas espargiram 80 milhões
de litros de herbicidas, que continham 400 quilogramas de dioxina sobre
o território vietnamita, de acordo com estatísticas oficiais.
Esse desfolhantes destruiram o habitat natural, deixaram 4,8 milhões
de pessoas expostas ao agente laranja e provocaram enfermidades
irreversíveis, sobretudo malformações congênitas, câncer e síndromes
neurológicas em crianças, mulheres e homens do país. Não é o que parece nesta foto? Mas não é.
No Brasil o Ibama identificou uma área de floresta amazônica, do tamanho de 180 campos de futebol, destruída pela ação de herbicidas.
A terra, que pertence à União, fica ao sul do município amazonense de
Canutama, na divisa com Rondônia. O responsável pelo crime ambiental
ainda não foi identificado pelo órgão.
Em sobrevoo de duas horas de helicóptero, na segunda semana de junho,
analistas do Ibama observaram milhares de árvores em pé, mas desfolhadas
e esbranquiçadas pela ação do veneno.
Encontraram também vestígios de extração de madeira por motosserras e
queimadas, práticas usadas para limpar o terreno. Especialistas dizem
que os agrotóxicos, pulverizados de avião sobre as florestas nativas,
matam as árvores de imediato, contaminam solo, lençóis freáticos,
animais e pessoas.
Numa outra comparação e ainda no passado no Vietnam, eles usavam uma mistura de dois herbicidas compondo o célebre agente laranja aplicado como desfolhante, não só para facilitar o pouso de helicópteros na floresta densa, como para achar os esconderijos do inimigo.
O Ibama apreendeu mais de quatro toneladas de veneno numa reserva de
desenvolvimento sustentável no interior do Amazonas. O produto serviria
para desmatar a floresta de forma silenciosa.
De acordo com o órgão ambiental federal, o veneno seria suficiente para destruir pelo menos 3 mil hectares (30 km²) de mata.
Os suspeitos de serem os responsáveis já foram identificados e podem
responder por crime ambiental, com pena de até 4 anos de reclusão,
além do pagamento de multa de até R4 2 milhões. Evidentemente que esse tipo de punição jamais acontecerá. Nem o nome dos criminosos será publicado.
De 1º a 3 de junho, especialistas do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobrevoaram o norte do Mato Grosso para
verificar alertas de desmatamento indicados pelo DETER. Nesta região, de grande
incidência de desmatamento, foram vistoriados cerca de 90 pontos de alerta que,
somados, chegam a 200 km².
O
desmatamento no Estado do Mato Grosso chegou a 243 quilômetros quadrados
no mês de abril, correspondendo a um aumento de 537% comparado a abril
de 2010. Mais absurdo ainda são os dados relacionados a florestas
degradadas, de 1.755 quilômetros quadrados, 13.500% maior do mesmo
período do ano passado.
Em 1980 o
uso de armas incendiárias (tais como o Napalm) contra civis foi proibido
pelo Protocolo III da "Convenção sobre Proibições e Restrições ao Uso
de Certas Armas Convencionais que Podem Ser Consideradas como
Excessivamente Lesivas ou Geradoras de Efeitos Indiscriminados". E este é o caso, pois as pessoas estão sendo ameaçadas e eu digo que até directamente, pois uma árvore é para nós um sopro de vida.
Notícia recolhida do Jornal "Folha de S. Paulo".
Histórico e fotos na Internet
segunda-feira, junho 27, 2011
Multidões
Um turista francês, jovem, teve a infelicidade de cair do bonde de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e enquanto agonizava no solo, roubaram-lhe a máquina fotográfica e a carteira. Charles (seu nome) morreu após ter caído de auma altura de 18 metros por um vão entre as grades. Perdeu o equilíbrio quando tentava tirar uma fotografia em pé.
Ainda antes de ser convocada ou indiciada, a mulher e chefe de gabinete do Prefeito de Campinas e o próprio, foram beneficiados com um habeas corpus preventivo enquanto vários secretários e outros com negócios com a Prefeitura era presos ou procurados.
Os dois casos relatados acima e que nada têm a ver um com o outro traduzem, porém, uma triste realidade deste Brasil que se quer mostrar ao Mundo com uma outra cara na realização de dois dos mais importantes eventos --- a Copa 2014 e as Olimpíadas 2016. Sempre tive as minhas dúvidas quanto à concretização do primeiro e já começo a tê-las, também, a respeito do segundo.
Como essa bagunça da administração pública se dá na cidade onde eu resido e onde exerço a minha cidadania com os deveres e direitos políticos, cheguei a sugerir em determinada altura da efervescência do caso, em comentário à matéria de um dos jornais da cidade, que houvesse uma grande mobilização popular de modo a que todos pudessem expressar o seu desagrado e revolta barrando,assim, as maquiavélicas e tortuosas veredas da Justiça trilhadas por advogados expertos (e caros) contratados pelo Poder.
Não! Nada disso acontece e esta sociedade em que vivemos, além de manifesto desinteresse em levar as coisas adiante, não obstante a revolta embutida, não tem capacidade de mobilização popular. Ou será que tem e eu não entendo e estou escrevendo coisas sem nexo!?
Vejo que essa sociedade, quando integrada em facções que expressam alto índice de ignorância qual sejam os evangélicos na sua "Marcha para Jesus" e os homossexuais, lésbicas e afins na sua "Parada Gay", conseguem mobilizar milhões de pessoas. Notem que frisei o termo "pessoas" por considerar que todos, nós, eles e vós, somos seres humanos, exactamente para desestimular incriminações contra mim e clarear a minha postura de não preconceituoso. Eu só critico as acções e luto pelo meu direito de livre expressão!
No resumo da ópera e porque eu estou e quero sempre ficar muito longe dessas multidões manifestantes aqui mostradas, porque com as mesmas nada tenho a ver, irei vincular-me mais a outras de tipo totalmente antagónico e que me dão muito prazer e alegria. Como a do bloco "Bacalhau na Vara", sempre grande sucesso nos sucessivos carnavais. E reparem que bacalhau e vara tem tudo a ver...
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